	MENTES INQUIETAS.
	ANA BEATRIZ B. SILVA.
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	Copyright  Ana Beatriz Barbosa Silva.
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Silva, Ana Beatriz B.
	Mentes inquietas: entendendo melhor o mundo das pessoas distradas, impulsivas e hiperativas / Ana Beatriz B. Silva. - So Paulo : Editora Gente, 2003.
ISBN 85-7312-406-7.
1. Distrbio de falta de ateno com hiperatividade I. Ttulo CDD-618.928589.
Digitalizao: Vtor Chaves.
Correo: Marcilene Aparecida Alberton Ghisi Chaves.
	 memria de minhas avs que me fizeram acreditar nas pessoas do bem.
	A meus pais por serem estas pessoas.
	.
AGRADECIMENTOS.
	Ao Dr, Bulhes de Carvalho, por sua sabedoria, sinceridade, estmulo e seu contagiante amor s letras.
	 Dbora, pela ajuda incalculvel, dedicao, entusiasmo e amor ao estudo do ser humano.
	 Andra, pela cumplicidade profissional, intelectual e principalmente fraternal.
	 Graa, pela presena e ajuda nos momentos finais.
	 Marcinha, pela dedicao e carinho.
	Ao Mrcio Paschoal, pela ajuda em juntar tudo .
 parecia impossvel.
	Ao Joo e ao Marcelo, por serem to especiais.
	Ao Guilherme,  Bia e ao Lo, pela inspirao e tolerncia com minha ausncia.
	Ao Dunga (Eduardo Mello), pela ajuda e por ser to DDA assim...
	 Angela e ao Luciano, pela amizade e estmulo.
	Ao Eduardo, pelo amor incondicional.
	.
	PREFCIO.
	Mentes Inquietas  um desses livros que chegam como um alento ao corao de todos aqueles que durante muito tempo se sentiram como peixes fora dgua, atuando dentro dos limites de suas angstias derivadas da sensao de incapacidade, inadequao e culpa, internalizadas atravs de uma crena implacvel: eu no tenho jeito.
	Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, mdica psiquiatra, com ampla experincia clnica no tratamento de portadores do Distrbio do Dficit de Ateno, mostra-nos a trajetria cheia de vicissitudes e brilho criativo das pessoas com este funcionamento mental. Atravs de um relato envolvente, transparente e esclarecedor, consegue desmitificar a desateno, a desorganizao e o atabalhoamento, sintomas tpicos de pessoas com DDA, at ento entendidos como problemas de carter.
	Dra. Ana Beatriz explica a causa desse tipo de funcionamento mental, pontuando no s as dificuldades trazidas por ele, mas tambm, e principalmente, revelando todo o poder criativo, a agudeza mental e o dnamo empreendedor, que, para muitas pessoas, encontravam-se soterrados sob uma vida marcada por crticas e culpa.
	Ao longo dos CAPTULOs deste livro, Dra. Ana Beatriz consegue trazer  luz, sob um ngulo positivo, caractersticas que antes eram vistas como prejudiciais e incmodas pelas pessoas com este funcionamento mental.
	Ana Beatriz nos prende e entretm com uma linguagem simples e clara, tornando acessveis e extremamente agradveis informaes sobre funcionamento cerebral e comportamento, que encantam tanto ao leigo como ao especialista.
	No decorrer da leitura, so destrudas todas as antigas certezas do no ter jeito e crescem o orgulho e a alegria do jeito de ser DDA.
	O livro comea explicando o termo Distrbio do Dficit de Ateno e como foi sua evoluo do conceito de leso at o atual: um tipo de funcionamento cerebral diferente, saindo da esfera da doena. Esse tipo de funcionamento diferente  explicado em suas principais caractersticas e suas conseqncias positivas e negativas, esclarecendo um assunto que at bem pouco tempo no era muito considerado: o DDA em mulheres.
	Em seguida, somos apresentados quela poca da vida em que os pais arrancam os cabelos tentando lidar com seus pequenos DDAs, enquanto estes acabam se transformando nos bodes expiatrios da famlia.
	A vida afetiva de algum com DDA  relatada como um passeio de montanha-russa, com seus altos e baixos, reviravoltas de pernas para o ar, corao apertado e muita emoo.
	O lado bom de ser DDA  revelado em uma linguagem redentora e entusiasmada:  a criatividade que brota frtil dessas mentes inquietas e aceleradas que sempre tm levado a humanidade adiante.
	Uma particularidade que salta  observao, seja pelo lado bom, seja pelo ruim,  desvendada no CAPTULO sobre a impulsividade.
	Os frutos de tanta criatividade e impulsividade so apresentados no CAPTULO sobre personalidades com suposto funcionamento DDA. Assim como os frutos de tanta ansiedade e inquietao que so esclarecidos, em seguida, no CAPTULO que discorre sobre os problemas que desafortunadamente acabam por acompanhar essas mentes sobrecarregadas de idias e de muita preocupao.
	Um desses problemas  to preocupante que ocupa um CAPTULO inteiro: a perigosa relao de uma pessoa com funcionamento DDA que se envolve com drogas.
	Uma mente DDA no descansa nem mesmo enquanto dorme. No CAPTULO sobre a difcil tarefa de dormir bem, somos familiarizados com esta que  uma das principais reclamaes dessas pessoas to agitadas.
	A partir desse ponto, o livro enfoca o caminho percorrido pela cincia para descobrir esse tipo de funcionamento mental e tambm como identific-lo, alm de entender o que se passa de diferente e especial dentro desses crebros inquietos.
	No CAPTULO sobre tratamento, seguimos descobrindo o que podemos fazer para reconstruir sua auto-estima e libertar todo seu potencial criativo. E, finalmente, terminamos nossa viagem com um assunto que promete ser a redeno das mentes inquietas: o novo mercado de trabalho e os talentos que se esperam dos trabalhadores do futuro, e que os DDAs tm de sobra...
	Esperamos que este livro possa servir como blsamo s almas dos DDAs, ajudando-os a valorizar suas potencialidades e fornecendo instrumentos para que possam no apenas utiliz-las de uma maneira menos sofrida, mas tambm que se sintam mais felizes consigo mesmos e com a vida.
	Dbora Barbosa - Psicloga clnica formada pela UERJ, com formao em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.
	Maria das Graas Soares de Oliveira  Psicloga clnica formada pela UERJ, com formao em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e Psicoterapia Estratgica.
	CAPTULO 1 - COMO DENOMINAR O DFICIT DE ATENO.
	a difcil arte do autoconhecimento...
	.
Muitas denominaes e siglas tm sido usadas para referir-se ao Distrbio do Dficit de Ateno. Em um nmero recente da Attention, revista americana do CHADD, uma associao de DDAs e simpatizantes, foi sugerido que, de agora em diante, se utilizasse a sigla DA/HI quando estiverem discutindo sobre o Distrbio do Dficit de Ateno com hiperatividade-impulsividade, enquanto DDA ser usado para o distrbio com caractersticas predominantemente desatentivas.
	A sigla DA/HI  apenas a mais recente das mudanas de nome atribudas ao dficit de ateno nos ltimos anos. O grande problema em criar rtulos para designar alteraes comportamentais  que eles acabam sendo um reflexo do nvel de conhecimento sobre aquele assunto em um dado momento e, por isso mesmo, quase nunca refletem a verdade que de fato ocorre nestas alteraes. Exemplos claros dessa postura so as denominaes dadas ao dficit de ateno, como Disfuno Cerebral Mnima, Sndrome da Criana Hiperativa, Sndrome da Ausncia de Controle Moral ou ainda Reao Hipercintica da Infncia, todas em diferentes perodos do sculo XX.
	Sabe-se, hoje, que nenhum dos termos era exato ou mesmo elucidativo, quanto  origem ou s diversas manifestaes do comportamento DDA.
	Na prtica, DA ou DA/HI e alguns subtipos citados por diversas classificaes so agrupados sob o leque da sigla DDA. Isso ocorre por vrias razes, mas a mais convincente deve-se  ampliao da percepo dos sintomas dessa alterao comportamental, dando destaque especial ao dficit de ateno que era subvalorizado em funo da hiperatividade e da impulsividade. Atualmente se sabe que a desateno  o ncleo bsico, comum e unificador desse tipo de funcionamento mental.
	Por tudo isso, resolvemos utilizar a sigla DDA para designar o Dficit de Ateno em toda sua gama de manifestaes, bem como as pessoas que tm no termo DDA a representao de uma maneira de ser. Afinal, no se tem DDA, se  DDA.
	Ao longo deste livro, essa designao aparecer com estes dois sentidos: um adjetivando, outro subjetivando, pois, em se tratando de DDA, sujeito e atributo adquirem uma s funo no exerccio dirio de ser quem se  e aprender que a difcil arte do autoconhecimento inicia-se exatamente a.
	Ser dado destaque  essncia DDA e, como escafandristas, tentaremos apresentar facetas ntimas desse universo ainda to pouco conhecido pelos profissionais de sade e educao, e do grande pblico em geral.
	Esperamos iniciar aqui a abertura, ainda que de forma parcial, do grande leque que o termo DDA representa.
	Quando os astronautas foram  lua/ que coincidncia eu tambm estava l/.
fugindo de casa, do barulho da rua/ pra recompor meu mundo bem devagar/.
Que lugar mais silencioso/.
Eu poderia no universo encontrar/.
Que no fossem os desertos da lua/.
Pra recompor meu mundo bem devagar.
No mundo da lua (Biquini Cavado  lvaro, Bruno, Miguel e Sheik).
	CAPITULO 2 - O QUE  O DDA?.
um trio de respeito: distrao, impulsividade e hiperatividade...
	.
Quando pensamos em DDA, no devemos raciocinar como se estivssemos diante de um crebro defeituoso. Devemos, sim, olhar sob um foco diferenciado, pois, na verdade, o crebro do DDA apresenta um funcionamento bastante peculiar, que acaba por trazer-lhe um comportamento tpico, que pode ser responsvel tanto por suas melhores caractersticas, como por suas maiores angstias e desacertos vitais.
	O comportamento DDA nasce do que se chama trio de base alterada.  a partir desse trio de sintomas  formado por alteraes da ateno, impulsividade e da velocidade da atividade fsica e mental  que se ir desvendar todo o universo DDA, que, muitas vezes, oscila entre o universo da plenitude criativa e o da exausto de um crebro que no pra nunca.
	Por esse motivo, ser feita agora uma anlise minuciosa desse trio de sintomas que constitui a espinha dorsal do comportamento DDA:.
ALTERAO DA ATENO: Este , com certeza, o sintoma mais importante no entendimento do comportamento DDA, uma vez que esta alterao  condio sine qua non para se efetuar o diagnstico. Uma pessoa com comportamento DDA pode ou no apresentar hiperatividade fsica, mas jamais deixar de apresentar forte tendncia  disperso. Para um adulto DDA, manter-se concentrado em algo, por menor tempo que seja, pode tornar-se um desafio to grande como para um atleta de corrida com obstculos que precisa transpor barreiras cada vez maiores at chegar ao fim da pista. Essa dificuldade em manter-se concentrado em determinado assunto, pensamento, ao ou fala, muitas vezes, causa situaes bastante desconfortveis aos adultos DDAs, como o fato de estarem em reunies importantes de trabalho ou de famlia e terem seus pensamentos desviados para pequenas coisas como o horrio do jogo de seu time no dia seguinte, a roupa que ir usar para ir ao cinema  noite ou mesmo se seu carro est suficientemente limpo para dar carona ao chefe. Vrias vezes, o adulto DDA  flagrado por seus parceiros ou patres nesses lapsos de ateno, acarretando desde pequenas a grandes discusses. Pode-se constatar isso pela angustiada declarao de Diana, 22 anos, estudante de Fonoaudiologia, que relata suas dificuldades de se manter concentrada quando em aula ou em outras situaes acadmicas:.
Sabe, eu sempre perguntei para mim mesma por que divagava tanto quando estava assistindo s aulas, ou sob superviso, algo assim, em que voc deve, e tambm precisa, prestar ateno. Eu imaginava por que cargas-dgua isso tinha que acontecer comigo, j que sempre fui perfeccionista. Eu me recriminava; achava que s poderia ser alguma falha de carter, que no fundo deveria ser uma desinteressada de tudo. Afinal, eu olhava para a face de minha supervisora, nos orientando em pontos importantes, e embora no incio conseguisse acompanhar, depois de um certo tempo via o rosto dela se transformar em uma tela de cinema, em que se passavam vrios acontecimentos de minha vida, ou planejamentos, ou ainda o que imaginava que estava por vir, fantasias, sonhos... quando eu voltava ao tempo e espao presentes, j no fazia a menor idia do que estava sendo dito. Muita gente usa a expresso pegar o bonde andando para descrever uma situao em que voc pega algo no meio e no entende nada... Mas para um DDA, eu acho que  o contrrio: voc pega o bonde parado, fica nele at um certo ponto e depois cai. O bonde continua e voc fica pra trs..
com o passar do tempo, o prprio DDA se irrita com seus lapsos de disperso, pois estes acabam gerando, alm dos problemas de relacionamento interpessoal, grande dificuldade de organizao em todos os setores de sua vida. Essa desorganizao acaba por faz-lo gastar muito mais tempo e esforo para realizar suas tarefas cotidianas. Tal situao pode ser comparada a um carro cujo motor desregulado consome bem mais combustvel e submete suas peas a um maior desgaste, resultando em menor durabilidade e desempenho. Muitos DDAs descrevem perodos de profundo cansao mental e s vezes fsico. Alguns usam a expresso cansao na alma para descrever seu estado aps a realizao de tarefas nas quais se foraram a permanecer concentrados por obrigao. Por exemplo, a entrega de um trabalho profissional que tiveram que realizar como um dever, com prazo determinado e sem nenhuma paixo pela tarefa realizada. No entanto, na grande maioria das vezes, os resultados desses trabalhos so muito bons  quando no, excelentes , mas para o DDA fica sempre a sensao de um resultado ruim. Freqentemente, em funo de seu julgamento equivocado, provocado em parte pela desateno de um crebro envolto em uma tempestade de pensamentos que se sucedem incessantemente, dificultando a canalizao de seus esforos na realizao de trabalhos com metas e prazos preestabelecidos.
	A estudante de Fonoaudiologia relata tambm vrias situaes comuns a um DDA, a fraca avaliao ou a conscincia que tm acerca da prpria competncia:.
Aqueles trabalhos escritos que voc tem que fazer dezenas de vezes na faculdade, como dissertaes, pesquisas, sempre foram sinnimo de terror pra mim. Todo incio de perodo eu jurava que desta vez seria diferente: no deixaria os trabalhos para entregar em cima da hora. Assim como prestaria ateno em aulas inteiras, anotaria o que os professores falassem e depois passaria a limpo de forma organizada. O que acabava acontecendo  que meus apontamentos sempre ficavam aquela zona, alm de incompletos, porque eu sempre caa do bonde. Da eu pedia o caderno daquelas meninas que sempre conseguiam fazer o que para mim era impossvel e tirava fotocpias. O mais engraado era que eu quase sempre tirava notas maiores que as delas, usando o mesmo material. Mas no caso de trabalhos dissertativos, eu sempre deixava para os 45 minutos do segundo tempo. Fazia no maior desespero, achava uma porcaria e os professores adoravam! Eu ficava sem entender nada, eu me achava uma fraude. Sempre desejei fazer os trabalhos de uma forma disciplinada... o curioso  que nas poucas vezes que consegui, no saram to bons, pelo menos na avaliao dos professores..
 importante destacar que o termo original para o DDA  Distrbio do Dficit de Ateno  no traduz com preciso ou mesmo com justia o que ocorre com a funo da ateno no DDA. Se por um lado o adulto e a criana DDAs tm profunda dificuldade em se concentrar em determinado assunto ou enfrentar situaes em condies de obrigatoriedade, por outro lado podem apresentar-se hiperconcentrados em determinados assuntos ou atividades que lhes despertem interesse espontneo ou paixo impulsiva, como  o caso de crianas com jogos eletrnicos ou adultos com esportes, computadores ou leitura de assuntos especficos. Em tais casos, tanto as crianas como os adultos DDAs tero dificuldade em se desligar ou desviar sua ateno para outras atividades. Essa caracterstica pode at causar desentendimentos e alguns problemas de relacionamento, se as pessoas desconhecerem ou no compreenderem o problema, como contou George, jovem advogado de 26 anos, apaixonado por hardware de computadores:.
Minha namorada estava com um problema no computador. Um componente estava mal instalado e ela no conseguia conectar  internet. Logo me prontifiquei para ir  casa dela ver se podia consertar. Eu fiquei l, absorto, futucando a mquina. Nem me dei conta de que os familiares dela tinham sado para um compromisso. Estvamos a ss, e no nos vamos h quase uma semana. Mas eu estava teimando com o computador. Ela chegou por trs, me beijando o pescoo, me acariciando e eu completamente focado na mquina. Ela continuou, me tirou a blusa... finalmente virou a minha cadeira e a  que eu me dei conta. Levei aproximadamente uns cinco minutos para perceber uma situao que voc normalmente capta em segundos! A minha sorte  que ela conhece essa minha caracterstica,  super compreensiva e at hoje nos lembramos desse episdio e damos boas risadas..
Pelo que foi visto, o uso do termo dficit de ateno pode levar a um entendimento incorreto da capacidade atentiva de um DDA e, por isso mesmo, preferimos usar o termo instabilidade de ateno, que nos parece ser mais correto que o termo dficit, j que este traz consigo somente a idia pejorativa de uma deficincia absoluta e imutvel.
	IMPULSIVIDADE: Antes de tudo, deve-se ter em mente que a palavra impulso tem um significado prprio: 1) ao de impelir; 2) fora com que se impele; 3) estmulo, abalo; 4) mpeto, impulso. Todas essas definies literais iro ajudar a entender a maneira pela qual o DDA reage diante dos estmulos do mundo externo. Pequenas coisas podem despertar-lhe grandes emoes e a fora dessas emoes gera o combustvel aditivado de suas aes. Sua mente funciona como um recptor de alta sensibilidade, que, ao captar um pequeno sinal, reage automaticamente sem avaliar as caractersticas do objeto gerador do sinal captado. Um exemplo simples dessa situao seria o caso de um caador que, ao detectar um pequeno rudo na floresta, pe em disparo uma AR-15 a fim de abater sua caa. Poucos minutos aps a rajada de tiros, descobre que a sua grande presa no passava de um inofensivo tatu que apenas abrira um pequeno buraco no solo com o intuito de se abrigar.
	Quanta energia em vo! Exagerado!  diria a maioria das pessoas. Mas, na verdade, tudo no passou de um ato impulsivo, ou seja, disparou, depois pensou. E, com certeza, lamentou! Tanta apreenso, tanta adrenalina, tanta taquicardia, tudo agora est no cho ao redor da pequena residncia do tatu  que graas a Deus e  sua agilidade, encontra-se vivo, feliz e aquecido em sua morada.
	Essa pequena histria-piada pode gerar risos. No entanto, se pensarmos na vida real, em que tatus so pessoas e caadores so DDAs impulsivos, pode-se imaginar quanto sofrimento, culpa, angstia e cansao, um impulso sem filtro pode ocasionar nos relacionamentos cotidianos de uma dessas pessoas. E  justamente isso que acontece com crianas e adultos DDAs.
	Crianas costumam dizer o que lhes vem  cabea, envolver-se em brincadeiras perigosas, brincar de brigar com reaes exageradas, e tudo isso pode render-lhes rtulos desagradveis como mal-educada, m, grosseira, agressiva, estraga-prazeres, egosta, irresponsvel, autodestrutiva etc. Nas crianas DDAs esses comportamentos so, alm de mais intensos, mais freqentes. E  claro que isso ser um dos fatores de grande influncia na formao de uma auto-estima cheia de buracos. Todo DDA, na vida adulta, apresentar problemas com sua auto-estima e este  o maior de todos os desafios de seu tratamento: a reconstruo dessa funo psquica que, em ltima anlise, constitui o espelho da prpria personalidade. .
No adulto DDA, a impulsividade tambm trar srias conseqncias, alm daquelas j trazidas em sua bagagem infantil. Ele ter aprendido a diminuir determinados riscos vitais, tais como olhar antes de atravessar uma rua, praticar certos esportes com protees adequadas ou desligar o gs do boiler. No entanto, seu impulso verbal pode continuar a lhe trazer srios problemas, principalmente em situaes em que esteja sob forte impacto afetivo ou sob presso pessoal. Em tais situaes pode-se ver um DDA adulto que, em meio a uma discusso com sua esposa, olha para ela e diz: Estou enjoado de voc, no agento mais ouvir sua voz irritante. Ou ainda disparar para seu chefe: Gordo, barrigudo e careca no pode mesmo ser feliz, aps ter sido criticado por este na frente de todos no escritrio. Atitudes assim, impensadas, podem levar o DDA adulto a viver numa constante instabilidade: entra e sai de diversos relacionamentos, empregos e grupos sociais. A impulsividade verbal  assim relatada por Caetano, arquiteto de 32 anos:.
Eu sempre me enrolava com prazos, projetos que deviam ser tocados em uma seqncia definida... quando minha scia me perguntava a quantas andava este ou aquele projeto, eu me enrolava todo, fosse porque estava tocando tudo de forma atabalhoada, fosse porque eu ainda no tinha resolvido alguma questo importante ou mesmo at quando estava correndo tudo muito bem. Eu sempre respondia a primeira coisa que me vinha  cabea, na nsia de me justificar, sempre na defensiva. Como eu j tinha dito, at mesmo nos projetos em que tudo estava correndo muito bem. Talvez porque, l no fundo, eu sempre tenha a sensao de que algo est errado, de que eu estou falhando em alguma coisa ou que no estou sendo cuidadoso o bastante. Muitas vezes respondia coisas idiotas, deixava minha scia sem entender nada, enrolava mais ainda o meio-de-campo e depois gastava horas ruminando pensamentos sobre como no devia ter dito aquelas coisas ou planejando formas de desdizer as bobagens. Muitas vezes pensava que seria melhor se fosse mudo, que devia colar um esparadrapo em minha boca. E com Super Bonder..
Se o comportamento dos DDAs no for compreendido e bem administrado por eles prprios e pelas pessoas que com eles convivem, freqentemente, conseqncias no agir podero se manifestar sob diferentes formas de impulsividade, tais como: agressividade, descontrole alimentar, uso de drogas, gastos muitos, jogos, tagarelice incontrolvel etc.
	Para o adulto DDA, aprender a controlar ou mesmo redirecionar seus impulsos (para esportes, artes etc.) pode muitas vezes ser uma questo de vida ou morte, ou melhor, uma questo de escolher viver a vida em sua plenitude ou buscar o fim antes do ltimo CAPTULO. No entanto, o que se v, na maioria absoluta dos DDAs,  que, no fundo de suas essncias, eles tm um profundo amor  vida, tanto que passam a maior parte de seu tempo buscando emoes, aventuras, projetos, amores, tudo para viver mais intensamente. Arriscaramos dizer que os DDAs jamais buscam a morte. s vezes, quando mesmo sem querer chegam bem perto dela, no era para l que se dirigiam e sim para a vida, esta vida que, para eles, de to interessante, por vezes chega a doer. E  na busca dessa vida dentro da vida que est o impulso mais forte de todo DDA. Para eles tudo  MUITO. Muita dor, muita alegria, muito prazer, muita f, muito desespero. E, se pudermos faz-los ver a fora que esse impulso pode ter, quando bem direcionado, na construo de uma vida que valha tanto para eles como para a humanidade, teremos feito a nossa parte nesse processo.
	.
HIPERATIVIDADE FSICA E MENTAL:  muito fcil identificar a hiperatividade fsica de um DDA. Quando crianas, eles se mostram agitados, movendo-se sem parar na sala de aula, em sua casa ou mesmo no playground. Por vezes chegam a andar aos pulos como se seus passos fossem lentos demais para acompanhar a energia contida em seus msculos. Em ambientes fechados, mexem em vrios objetos ao mesmo tempo, derrubando grande parte deles no mpeto de chec-los simultaneamente. So crianas que costumam receber designaes pejorativas como: bicho-carpinteiro, eltricas, desengonadas, pestinhas, diabinhos, desajeitadas, entre outros. Nos adultos, essa hiperatividade costuma se apresentar de forma menos exuberante, o que acabou por fazer alguns autores no passado pensarem que tal alterao tendia a desaparecer com o trmino da adolescncia. Hoje se sabe que isso no  verdade, o que ocorre  uma adequao formal da hiperatividade  fase adulta. Nesse sentido, pode-se observ-la nos adultos que sacodem incessantemente suas pernas, rabiscam constantemente papis  sua frente, roem unhas, mexem o tempo todo em seus cabelos, danam em suas cadeiras de trabalho, e esto sempre buscando algo para manter suas mos ocupadas. A hiperatividade mental ou psquica apresenta-se de maneira mais sutil, o que no significa, em hiptese alguma, que seja menos penosa que sua irm fsica. Ela pode ser entendida como um chiado cerebral, tal qual um motor de automvel desregulado que acaba por provocar um desgaste bastante acentuado.  o adulto que numa conversa interrompe o outro o tempo todo, que muda de assunto antes que o outro possa elaborar uma resposta, que no dorme  noite, porque seu crebro fica agitado a tal ponto que no consegue desligar. Essa agitao psquica  parcialmente responsvel pela inaptido social que muitos DDAs apresentam e se traduzem em problemas para fazer e conservar amigos. O chiado de seus crebros muitas vezes os impede de interpretar corretamente as deixas sociais que so to necessrias no estabelecimento e na manuteno das relaes humanas.  como se sua vida tivesse transcorrido, desde a infncia, num redemoinho de atividades e pensamentos, que no lhes deram tempo nem capacidade de sintonia para aprender a difcil arte de interpretar os outros.
	A energia hiperativa de um DDA pode causar-lhe incmodos cotidianos, principalmente se ele precisar adequar-se ao ritmo no to eltrico dos no-DDAs. Para um DDA hiperativo, at mesmo uma escada rolante pode tornar-se sinnimo de tortura.  o que declara, em tom exasperado e irritadssimo, Bruno, contador, 45 anos, que toma o metr diariamente para ir ao seu escritrio:.
Todo dia eu me estresso, porque o metr  o transporte mais prtico para mim. O problema  que parece que as outras pessoas no so to dinmicas quanto eu. Eu me sinto tolhido, porque no meio da multido tenho que me reduzir  velocidade delas. O exemplo mais destacado pra mim  a escada rolante na hora do rush. O que  uma escada rolante para mim?  uma maximizadora de velocidade. Eu a subo normalmente e, como ela se move tambm, chego mais rapidamente ao topo. Deveria ser esta a funo dela: impulsionar! Mas como normalmente as pessoas usam a escada? Como descanso! Elas param em um degrau, placidamente, e deixam a escada lev-las. O pior  que, quando fazem isso, elas brecam os movimentos das pessoas que esto vindo atrs e que esto com pressa. Ou seja, elas param e tambm empacam todas as pessoas degraus abaixo. Se existem aqueles tipos humanos conhecidos como gente que faz, certamente no so essas pessoas. Eu fico inquieto e ansioso! Eu quero me mover, agitar. Sinto-me como um felino enjaulado, tolhido por um bando de pacas..
Em funo de tudo que foi dito a respeito da trade de base alterada no funcionamento DDA, resolvemos elaborar, com base emprica advinda da experincia clnica, uma tabela com cinqenta critrios sugeridos para DDA na populao adulta. Procuramos, dentro do que foi possvel, buscar critrios relacionados com a vida cotidiana, visando facilitar a auto (de si prprio) e/ou hetero (do outro) identificao, bem como seu entendimento prtico.
	Ao ler a lista a seguir, considere a freqncia e a intensidade com as quais as situaes ocorrem e pense na possibilidade de caracterizar um funcionamento DDA se, pelo menos, trinta e cinco das opes forem positivas. Cabe destacar, ainda, que a lista foi subdividida em quatro grandes grupos para enfatizar situaes decorrentes dos sintomas primrios do DDA (desateno, hiperatividade e impulsividade), bem como situaes secundrias, ou seja, aquelas que quase sempre aparecero como conseqncia do prprio desgaste do crebro DDA e das dificuldades crnicas enfrentadas por essas pessoas nos diversos setores de suas vidas afetiva/ familiar, social e profissional.
	.
1 Grupo: Instabilidade da ateno.
1. Desvia facilmente sua ateno do que est fazendo, quando recebe um pequeno estmulo. Um assobio do vizinho  suficiente para interromper uma leitura.
	2. Tem dificuldade em prestar ateno  fala dos outros. Numa conversa com outra pessoa tende a captar apenas pedaos soltos do assunto.
	3. Desorganizao cotidiana. Tende a perder objetos (chaves, celular, canetas, papis), atrasar-se ou faltar a compromissos, esquecer o dia de pagamento das contas (luz, gs, telefone, seguro).
	4. Freqentemente apresenta brancos durante uma conversa. A pessoa est explicando um assunto e no meio da fala esquece o que ia dizer.
	5. Tendncia a interromper a fala do outro. No meio de uma conversa lembra de algo e fala sem esperar o outro completar seu raciocnio.
	6. Costuma cometer erros de fala, leitura ou escrita. Esquece uma palavra no meio de uma frase ou pronuncia errado palavras longas como cineangiocoronariografia.
	7. Presena de hiperfoco (concentrao intensa em um nico assunto num determinado perodo). Um DDA pode ficar horas a fio no computador sem se dar conta do que acontece ao seu redor.
	8. Dificuldade de permanecer em atividades obrigatrias de longa durao. Participar como ouvinte de uma palestra em que o tema no seja motivo de grande interesse e no o faa entrar em hiperfoco.
	9. Interrompe tarefas no meio. Um DDA freqentemente no l um artigo de revista at o fim, ou ouve um CD inteiro.
	.
2 Grupo: Hiperatividade fsica e/ou mental.
10. Dificuldade em permanecer sentado por muito tempo. Durante uma palestra ou sesso de cinema costuma mexer-se o tempo todo na tentativa de permanecer em seu lugar.
	11. Est sempre mexendo com os ps ou as mos. So os indivduos que tm os ps nervosos, girando suas cadeiras de trabalho, ou que esto sempre com suas mos ocupadas, pegando objetos, desenhando em papis ou ainda ajeitando suas roupas ou seus cabelos.
	12. Constante sensao de inquietao ou ansiedade. Um DDA sempre tem a sensao de que tem algo a fazer ou pensar, de que alguma coisa est faltando.
	13. Tendncia a estar sempre ocupado com alguma problemtica em relao a si ou com os outros. So as pessoas que ficam remoendo sobre suas falhas cometidas, ou ainda sobre os problemas de amigos ou conhecidos.
	14. Costuma fazer vrias coisas ao mesmo tempo.  a pessoa que l e v TV ou ouve msica simultaneamente.
15. Envolve-se em vrios projetos ao mesmo tempo. Um exemplo  a pessoa que tem vrias idias simultaneamente e acaba por no levar a cabo nenhuma delas em funo desta disperso.
	16. s vezes se envolve em situaes de alto risco em busca de estmulos fortes, como dirigir em alta velocidade.
	17. Freqentemente fala sem parar, monopolizando as conversas em grupo.  a pessoa que fala sem se dar conta de que as outras esto tentando emitir suas opinies (alm de no se dar conta do impacto que o contedo do seu discurso pode estar causando a outras pessoas).
	3 Grupo: Impulsividade.
18. Baixa tolerncia  frustrao. Quando quer algo no consegue esperar, se lana impulsivamente numa tarefa, mas, como tudo na vida requer tempo, tende a se frustrar e desanimar facilmente.
	19. Costuma responder a algum antes que este complete a pergunta. No consegue conter o impulso de responder ao primeiro estmulo criado pelo incio de uma pergunta.
	20. Costuma provocar situaes constrangedoras, por falar o que vem  mente sem filtrar o que vai ser dito. Durante uma discusso, um DDA pode deixar escapar ofensas impulsivas.
	21. Impacincia marcante no ato de esperar ou aguardar por algo. Filas, telefonemas, atendimento em lojas ou restaurantes podem ser uma tortura.
	22. Impulsividade para comprar, sair de empregos, romper relacionamentos, praticar esportes radicais, comer, jogar etc.  aquela pessoa que rompe um relacionamento vrias vezes e volta logo depois, arrependida. .
23. Reage irrefletidamente s provocaes, crticas ou rejeio.  o tipo de pessoa que explode de raiva ao sentir-se rejeitada.
	24. Tendncia a no seguir regras ou normas preestabelecidas. Um exemplo seria o trabalhador que teima em no usar equipamentos de segurana, apesar de saber da importncia destes.
	25. Compulsividade. Na realidade a compulso ocorre pela repetio constante dos impulsos, os quais, com o tempo, passam a fazer parte da vida dessas pessoas, como as compulses por compras, jogos, alimentao etc.
	26. Sexualidade instvel. Tende a apresentar perodos de grande impulsividade sexual alternados com fases de baixo desejo.
	27. Aes contraditrias. Um DDA  capaz de ter uma exploso de raiva por causa de um pequeno detalhe (por mexerem em sua mesa de trabalho, por exemplo) numa hora, e poucos momentos mais tarde, ser capaz de uma grande demonstrao de afeto, atravs de um belo carto, flores ou um carinho explcito. Ou ainda ser um homem arrojado e moderno no trabalho e, ao mesmo tempo, tradicional e conservador no mbito familiar e afetivo.
	28. Hipersensibilidade. O DDA costuma melindrar-se facilmente. Uma simples observao desfavorvel sobre a cor de seus sapatos  suficiente para deix-lo internamente arrasado, sentindo-se inadequado.
	29. Hiper-reatividade. Essa  uma caracterstica que faz com que o DDA se contagie facilmente com os sentimentos dos outros. Pode ficar profundamente triste ao ver algum chorar, mesmo sem saber o motivo, ao mesmo tempo que pode ficar muito agitado ou irritado em ambientes barulhentos ou em presena de multido.
	30. Tendncia a culpar os outros. Um DDA muitas vezes poder culpar outra pessoa por seus fracassos e erros, como o aluno que culpa o colega de turma por ter errado em uma questo da prova, j que este colega estava cantarolando baixinho na hora,.
31. Mudanas bruscas e repentinas de humor (instabilidade de humor). O DDA costuma mudar de humor rapidamente, vrias vezes no mesmo dia, dependendo dos acontecimentos externos ou ainda de seu estado cerebral, uma vez que o crebro do DDA pode entrar em exausto, prejudicando a modulao do seu estado de humor.
	32. Tendncia a ser muito criativo e intuitivo. O impulso criativo do DDA  talvez a maior de suas virtudes. Pode se manifestar nas mais diversas reas do conhecimento humano.
	33. Tendncia ao desespero. Quando um DDA se v diante de uma dificuldade, seja ela de qualquer ordem, ele tende a v-la como algo impossvel de ser transposto e com isso sente-se tomado por uma grande sensao de incapacidade. Sua primeira reao  o desespero. S mais tarde consegue raciocinar e constatar o verdadeiro peso que o problema tem. Isso ocorre porque seu crebro apresenta dificuldades em acionar uma parte da memria chamada funcional, cujo objetivo  trazer  mente situaes vividas no passado e utiliz-las como instrumentos capazes de ajudar a encontrar sadas para as mais diversas problemticas. Essa memria funcional parece ser bloqueada pela ativao precoce da impulsividade que, nesse tipo de pessoa, encontra-se hiperacionada.
	.
4 Grupo: Sintomas secundrios.
34. Tendncia a ter um desempenho profissional abaixo do esperado para sua real capacidade.
	35. Baixa auto-estima. Em geral o DDA sofre desde muito cedo uma grande carga de repreenses e crticas negativas. Sem compreender o porqu disso, ele tende, com o passar do tempo, a ver-se de maneira depreciativa e passa a ter como referncia pessoas externas e no ele prprio.
	36. Dependncia qumica. Pode ocorrer como conseqncia do uso abusivo e impulsivo de drogas durante vrios anos.
	37. Depresses freqentes, Ocorrem em geral por uma exausto cerebral associada s frustraes provenientes de relacionamentos malsucedidos e fracassos profissionais e sociais.
	38. Intensa dificuldade em manter relacionamentos afetivos, conforme ser visto na parte referente  dificuldade afetiva dos DDAs.
	39. Demora excessiva para iniciar ou executar algum trabalho. Tais fatos ocorrem pela combinao nada produtiva de desorganizao aliada a uma grande insegurana pessoal.
	40. Baixa tolerncia ao estresse. Toda situao de estresse leva a um desgaste intenso da atividade cerebral. No caso de um crebro DDA, esse desgaste apresentar-se- de maneira mais marcante.
	41. Tendncia a apresentar um lado criana que aparecer, por toda a vida, na forma de brincadeiras, humor refinado, caprichos, pensamentos mgicos e intensa capacidade de fantasiar fatos e histrias.
	42. Tendncia a tropear, cair ou derrubar objetos. Isso ocorre em funo da dificuldade do DDA de concentrar-se nos atos e de controlar ou coordenar a intensidade de seus movimentos.
	43. Tendncia a apresentar uma caligrafia de difcil entendimento.
	44. Tenso pr-menstrual muito marcada. Ao que tudo indica, em funo das alteraes hormonais durante esse perodo, que intensificam os sintomas do DDA. A reteno de lquido que ocorre durante os dias que antecedem a menstruao parece ser um dos fatores mais importantes.
	45. Dificuldade em orientao espacial. Encontrar o carro no estacionamento do shopping quase sempre  um desafio para um DDA.
	46. Avaliao temporal prejudicada. Esperar por um DDA pode ser algo muito desagradvel, pois em geral sua noo de tempo nunca corresponde ao tempo real.
	47. Tendncia  inverso dos horrios de dormir. Em geral adormece e desperta tardiamente, por isso alguns deles acabam viciando-se em algum tipo de hipntico.
	48. Hipersensibilidade a rudos, principalmente se repetitivos.
	49. Tendncia a exercer mais de uma atividade profissional, simultnea ou no.
	E, finalmente, o ltimo critrio, que no se enquadra em nenhum dos quatro grupos de sintomas, mas tem sua relevncia confirmada pelos estudos que apontam participao gentica marcante na gnese do DDA:.
50. Histria familiar positiva para DDA.
	O TRAO DDA.
Muitos podem consultar esta tabela e se sentirem confusos. Afinal, tenho ou no DDA? Isso acontece quando voc percebe que se encaixa bem em algumas caractersticas, mas no em sua maioria. Na verdade, algumas caractersticas so, justamente, at o contrrio das suas ou de seu comportamento.
	O DDA varia grandemente em intensidade, nas caractersticas e na forma como se manifesta. Pode-se dizer, em tom de brincadeira, que existe desde um DDAzinho at um DDAzo.
	O fato  que muitas pessoas no preenchem os critrios diagnsticos para DDA, mas apresentam, inequivocamente, alguns de seus sintomas. Em outros casos, elas podem at ter vrios sintomas, mas com intensidade e freqncia insuficientes para caracterizar um caso clssico de DDA.
	Em situaes como essas, costuma-se usar o conceito de trao. O que  um trao de um transtorno psiquitrico?.
Bem, quando se olha um desenho tracejado, com linhas descontnuas e formas incompletas, consegue-se entrever sua totalidade. Pode-se saber o que est desenhado, embora vejamos claramente que o desenho no est completo. O que vemos so traos, mas h uma forma ali.
	Quando se recolhem informaes de um paciente, tenta-se identificar o diagnstico para o qual estas apontam. Muitas vezes, consegue-se defini-lo; porm, em outras ocasies, no se pode estabelecer o diagnstico de forma definitiva. Os traos formam o esboo de algo, mas no so suficientes para se fazer a arte-final. No entanto, um esboo no  uma figura amorfa. Ele aponta para algo.
	No caso do DDA, pode-se no fechar o diagnstico, mas v-se claramente o esboo ali: traos de DDA.
	Mas de onde vm esses traos? Esta pessoa no  DDA. Por outro lado, tambm no  normal.
	Na verdade, hoje em dia j no se acredita que exista uma pessoa normal, pelo menos do ponto de vista do funcionamento cerebral. Possivelmente no existe um crebro perfeito, cujas reas e funes tenham um desempenho homogneo e com o mximo de suas capacidades. Segundo o mdico norte-americano John Ratey, em seu livro Sndromes silenciosas, a existncia desse crebro perfeito no s  improvvel como tambm no seria desejvel.
	Improvvel porque o crebro humano ainda est em pleno desenvolvimento. Como espcie, os seres humanos ainda engatinham em comparao a outros seres existentes ou j extintos. Ainda haver muitas mudanas. Qualquer pessoa pode observar que os bebs nascidos nos dias de hoje abrem os olhos mais rapidamente que os de vinte anos atrs. Ou de quanto o tamanho dos ps femininos aumentou. Isso s para citar mudanas extremamente visveis e conhecidas pelas pessoas em geral. O mesmo se d com o crebro, embora no to evidentes ou mensurveis. Hoje em dia, o crebro precisa lidar com quantidades de informao e de estmulo muito maiores que cem anos atrs, infinitamente maiores que h milhares de anos! Ento, ao mesmo tempo que a espcie evolui, o ambiente tambm se torna mais exigente e repleto de dados para serem processados.
	Um crebro teoricamente normal tambm seria pouco desejvel, pois tal normalidade talvez atrapalhasse o desenvolvimento de aptides especficas e talentos que se tornam possveis pelo maior desenvolvimento de uma determinada rea ou funo do crebro, em detrimento de outras. Como seria isso?.
Muito provavelmente, um talento em Matemtica no ter o mesmo brilhantismo em linguagem ou em habilidades de interao social. Ao passo que um talentoso romancista no ser uma sumidade em Fsica. Ter um crebro incrivelmente dotado para o desenvolvimento de capacidades lingsticas implica, talvez, um no to fantstico desenvolvimento e desempenho em outras capacidades cognitivas.
	Uma criana autista, por exemplo, pode ser potencialmente talentosa em reas como desenho e computao, apesar de seus dficits em interao social e em linguagem. Assim,  provvel que ser dotado em alguma habilidade implique uma relativa fraqueza em outras. Alm disso, forar essa criana autista a desenvolver habilidades de comunicao pode causar um retraimento no desenvolvimento de suas capacidades potenciais.
	Esse improvvel crebro cujas reas e funcionamento sejam homogneos, sem nenhum dficit, tambm pode, em contrapartida, no possuir nenhum supervit. No tem problema em nada, mas, por outro lado, no  bom em nada.  Os crebros das pessoas variam enormemente entre si e com relao a seus pontos fortes e fracos em funo de variveis tais como hereditariedade, condies que afetam a concepo e desenvolvimento intrauterino, condies de crescimento e quantidade, e qualidade dos estmulos oferecidos pelo meio ambiente no qual as pessoas esto inseridas.
	J que esse crebro perfeito no existe,  comum se deparar com pessoas que, por no apresentarem nenhuma forma desenvolvida e manifesta de um transtorno mental, apresentam traos de um ou outro transtorno.  provvel que os transtornos mentais sejam exacerbaes disfuncionais de caractersticas bastante comuns nas pessoas em geral. A pessoa muito organizada e sistemtica pode ter muito em comum com a que sofre de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). A diferena  que aquela no apresenta nenhum comportamento disfuncional nem sofrimento significativo em funo dessas suas caractersticas. Pelo contrrio, elas podem ser at bastante teis e vantajosas. O que caracteriza a pessoa com TOC como sendo portadora de um transtorno,  o intenso sofrimento e os prejuzos acarretados  sua capacidade de funcionar bem no cotidiano. O critrio de distino  quantitativo.
	Uma coisa  ser uma pessoa preocupada com limpeza, outra  uma pessoa que se lava repetidamente sem necessidade e que deixa de sair  rua e cumprimentar pessoas com medo de contaminar-se. Esta ltima est sofrendo e encontra-se completamente tolhida.
	De forma semelhante, podem-se ver pessoas um tanto desorganizadas e agitadas, mas que no so impulsivas a ponto de pr em risco seus relacionamentos, nem to caticas para chegar a ter o emprego ameaado. E que, acima de tudo, no se culpam nem sofrem intensamente por causa de falhas que tm dificuldades em evitar. Pessoas levemente DDAs podem no ter problemas causados pelas caractersticas do transtorno na mesma intensidade que levam os inegavelmente DDAs a buscar ajuda em consultrios mdicos. E, caso tenham, ser mais uma vez o grau de sofrimento e os prejuzos acarretados s suas atividades cotidianas que definiro se ir procurar ajuda por meio de tratamento.
	Em Medicina, usa-se o termo forme fruste para casos brandos de transtornos mentais. Aqui ser abordado um pouco mais da forme fruste do DDA.
	O adulto levemente DDA por certo no deve ter muitas reclamaes a fazer. Ele  dotado de um alto nvel de energia e entusiasmo. Sua ligeira desorganizao no  suficiente para atrapalhar o andamento de seus projetos. No trabalho, pode-se dizer que, quando sob presso e desafio, esta pessoa consegue sair-se melhor ainda.
	Se voc conhece uma pessoa cuja definio mais freqente que se ouve dela  algo como ela  cheia de pique, voc pode estar diante de algum com DDA brando. Poderia ser o DDA completo tambm? Poderia, mas  possvel diferenciar um do outro pela quantidade e intensidade de sintomas, como j foi dito. Se essa pessoa cheia de pique no apresenta tantos comportamentos e falas impulsivas, se no parece sofrer de baixa auto-estima crnica e consegue lanar ncora quando sente que est indo  deriva, ento ela pode apresentar traos de DDA.
	Infelizmente,  raro uma pessoa com traos de DDA chegar a um consultrio mdico queixando-se de seus sintomas. Como na maioria dos casos, ela pode estar com outros problemas que julga mais relevantes quando se queixa ao psiquiatra e freqentemente considera seu jeito agitado e um pouco confuso como parte de si mesma, de sua prpria personalidade. Alis,  comum que at gostem bastante de seu jeitinho e no queiram mud-lo em nada. Afinal, como j foi dito, ter alguns desses traos pode ser at bastante favorvel em determinados contextos.
	No entanto, algumas vezes a desorganizao, a tendncia a protelar e o estilo pouco objetivo podem causar incmodos a essa pessoa. Pode-se indagar se deveria ento buscar tratamento. A resposta  afirmativa, se o grau de desconforto experimentado por ela for suficiente para causar-lhe prejuzo em suas atividades cotidianas. Certamente, tais traos caem mal em algum que trabalhe em funes burocrticas, rotineiras ou repetitivas, diferentemente de algum que atue em funes no to rgidas e calcadas no exerccio da criatividade, como um compositor ou artista. Assim, a deciso pelo tratamento ser baseada em um exame cuidadoso do nvel de desconforto experimentado pelo indivduo e da solicitao das exigncias ambientais ao seu redor.
	CAPTULO 3 - NAS DUAS FACES DE EVA.
	A bela e a fera. um certo sorriso de quem nada quer.
	.
Sexo frgil, no foge  luta.
	E nem s de cama vive a mulher.
	Por isso no provoque.
	 cor de rosa-choque.
Cor de rosa-choque .
	(Rita Lee e Roberto de Carvalho).
	MULHERES E DDA.
um preo muito alto a ser pago e a via-crucis antes do diagnstico acertado: a rainha do lar em xeque...
	Todo dia era sempre a mesma coisa. Mal comeava a dar sua aula, a professora primria se via s voltas com as reaes em cadeia provocadas na classe por Flavinho. Aquele menino endiabrado e, ainda assim, adorvel, apelidado pelos colegas de o Pestinha, menos por ter o mesmo cabelo liso e acobreado do protagonista do filme homnimo, porm, mais pelo mesmo comportamento. Ou melhor, falta de.
	Seus movimentos eram mais rpidos do que o olhar da professorinha podia acompanhar, restando a ela sentir o deslocamento de ar por ele provocado. Popularmente falando, ele deixava um ventinho por onde passava, alm de causar enorme ansiedade  pobre tia, que, alm de todos os afazeres, ainda precisava localizar o menino em aula, j que sentado quieto em sua carteira certamente no estaria. Isso sem falar na baguna generalizada, nos crashs, turns e aaiiis que faziam seu corao disparar.
	Sim, ela j tinha ouvido falar em meninos assim na faculdade de Pedagogia. Ele s podia ser hiperativo! Precisava falar com a psico-pedagoga da escola, pois ele devia ter o chamado Distrbio do Dficit de Ateno.
	Totalmente preocupada em pr fim  guerrinha de bolinhas de papel iniciada por Flavinho, a jovem professora estava alheia por completo  menina sentada na fila da parede, l pelo meio da sala, olhando pensativa pela janela e que parecia no se dar conta da divertida baguna que campeava entre seus coleguinhas. Todos os dias eram assim e aparentemente no havia por que se preocupar com aquela tranqila menininha, que mal se mexia em sua cadeira. Mas o que a professora no sabia era que por debaixo da antiga carteira escolar de madeira escura, inteiria, um par de pezinhos balanava irrequieto, na mesma velocidade dos pensamentos de sua dona, que... ...adoraria estar cavalgando sobre aquela nuvem. Ela parece um camelo do deserto. Ou seria um dro... um dromedrio... Ah, no sei! Mas um tem duas corcundas, outro tem uma. O daquela nuvem s tem uma, E deve ser bem macia, tipo algodo... e eu veria tudo pequenino l de cima.... Ento seus olhos captaram algo dourado movendo-se por sobre o muro da escola, l embaixo. Nossa! Nunca vi um gato to gordo! E amarelo! E lindo! Parece o Pikachu! Como naquele episdio em que ele pulava a cerca... A menininha sonhadora tinha os movimentos do corpo um tanto contidos, mas sua mente saltava rapidamente de um devaneio a outro, ainda mais veloz que as perninhas incansveis de seu colega pestinha. Seu nome s era lembrado na hora da chamada. Absorta em sua frtil imaginao, ela estava alheia ao ditado que a jovem professorinha estava comeando a passar. Por causa disso, seria mais tarde duramente repreendida em casa e, muito nova ainda para relativizar as coisas, aceitaria de pronto todos os adjetivos com que seus pais a definiam: preguiosa, relaxada, abilolada.
	Invisvel para sua professora, que, preocupada demais com Flavinho, s a notava momentaneamente, quando percebia sua desateno aos deveres em sala de aula, ela atravessaria os anos sofrendo com sua distratibilidade crnica, ainda que criativa, perdendo auto-estima,  medida que ganhava altura e peso. E hormnios.
	Seu colega Flavinho, diagnosticado precocemente, no precisou passar pela mesma carga de sofrimento.
	.
PASSANDO BATIDO: O DDA FEMININO.
Diferentemente dos homens, mulheres com DDA podem muitas vezes passar incgnitas aos olhos mais atentos. Entre elas, predomina o tipo sem hiperatividade, ao contrrio de seus pares masculinos. Tal diferena, determinada por particularidades biolgicas dos sexos, alm do auxlio do componente cultural, pode contribuir para a aparente superioridade numrica da populao masculina entre os que tm o diagnstico de DDA. Sabe-se que para cada mulher com DDA, em mdia, h dois homens, segundo estudos recentes (esta proporo j foi considerada de cinco para um, em mdia). No entanto, permanece a dvida sobre se o DDA  realmente mais freqente em homens, ou se  apenas sub-diagnosticado em seus pares femininos. Antes de as pesquisas lanarem maior luz sobre o tipo no-hiperativo, meninas talvez at pudessem ser diagnosticadas como tendo Distrbio do Dficit de Ateno, SE fossem do tipo hiperativo.
	O tipo hiperativo  o menos freqente na populao feminina, mas, do mesmo modo como em meninos, meninas endiabradas dificilmente passam despercebidas. Ironicamente, isso poderia ser chamado de sorte. Elas podem ser precocemente diagnosticadas e assim poupadas da tortuosa via-crcis que suas semelhantes do tipo desatento iro atravessar, antes de descobrirem a causa de tanta confuso em suas vidas: a desorganizao; os esquecimentos; a sensao de serem abandonadas neste mundo  prpria sorte, sem jamais conseguirem se adaptar neste planeta cheio de horrios a cumprir; as tarefas meticulosas; os prazos; as obrigaes; e os filhos.
	O preo a ser pago, quando o diagnstico de DDA no  feito,  bastante alto para uma mulher. Diferentemente dos homens, das mulheres se espera que sejam atentas, calmas e dedicadas. Que sejam organizadas e seus gestos delicados. Atributos indispensveis ao papel de boa esposa e boa me. Se no forem assim to caprichosas e prendadas, elas vergam sob o peso da crtica e do julgamento externo.
	Alis, antes mesmo de chegarem  vida adulta, j sofrem com as constantes reprimendas. Sua letra no  to bem-feita quanto  da colega impecavelmente engomadinha ao seu lado. Seu caderno no  muito organizado. Sua mochila contm um amontoado de papeizinhos amassados, lascas de lpis apontados, canetas sem tampas, tampas sem canetas. com ou sem canetas, todas as tampas mordidinhas. Sua dificuldade em organizar-se e concentrar-se gera intensa ansiedade e depresso, no s pela condenao implcita ou explcita no escrutnio de familiares, professores e colegas, mas tambm pelo prprio desconforto e prejuzo que estas caractersticas em si j carregam. Conforme a menina vai crescendo, tornando-se uma adolescente e mulher, aumenta a carga de responsabilidade e a exigncia das tarefas que deva cumprir, seja no mbito acadmico, seja no laboral.
	A dificuldade em manter-se atenta, concentrada e levar seus afazeres a cabo pode ser agravada pelo grau de complexidade e responsabilidade crescente, inerente s ocupaes de um ser humano adulto. Mas, agora, sendo adulta, a mulher com DDA no pode mais contar com a complacncia que costuma ser dispensada s crianas. Muito pelo contrrio, se ela j for me, dever ser capaz de dispensar tal complacncia, caso queira ser considerada uma boa me. De qualquer forma, independentemente de querer ou no fazer jus a esse rtulo, a sociedade a julgar por essa e outras habilidades. Assim, pelo que se pde ver, mulheres com DDA podem passar por dificuldades bem especficas, durante seu desenvolvimento, diversas daquelas dos homens.
	A seguir, ser dado um breve passeio pelas fases que uma mulher com DDA costuma atravessar.
	.
Aos trancos e barrancos.
Durante a infncia, a menina com DDA provavelmente ser aquela sonhadora que no chama muita ateno sobre si na sala de aula, j que em meninas  mais freqente o tipo predominantemente desatentivo. Sofrem com suas constantes distraes e desorganizao e tendem a apresentar depresso e ansiedade em nvel muito maior e recorrente que em meninas da mesma idade sem DDA, ou mesmo em relao a seus pares masculinos com DDA. Quase sempre se sentem atoladas e ansiosas com as demandas da vida escolar. Apresentam dificuldades em completar suas tarefas e mesmo que estejam bravamente lutando para prestar ateno ao que o professor diz, suas mentes escorregadias acabam por ficar silenciosamente  deriva em terras distantes, paragens de sonho, recordaes de acontecimentos, antecipaes do que est por vir; enfim, em mltiplos mundos paralelos. A mocinha sonhadora, citada no incio desta seo, pode ser facilmente identificada nesse grupo. Sendo to distrada e muitas vezes imperceptvel socialmente, pode ser erroneamente considerada menos inteligente do que  na verdade. Afinal, a despeito dos prejuzos que possa trazer, sua mente flutuante  freqentemente muito criativa, j que produz imagens, sons e dilogos quase que incessantemente.
	 interessante acompanhar o depoimento de Slvia, 40 anos, me de duas meninas, que veio buscar tratamento para uma delas que apresentava sintomas de DDA e descobriu, por meio de conversas sobre sua infncia, que ela tambm o era. E do tipo mais desatento:.
No sei quantas vezes durante a minha infncia ouvi frases do tipo presta ateno, menina!, cuidado, no v quebrar a loua, essa menina vive no mundo da lua, parece que viu o passarinho verde. At hoje ecoam no ar vindas do passado, despertando-me de meus devaneios.
	Desajeitada e sonhadora. Assim era vista na infncia. Aos quarenta anos continuo desajeitada. Os sonhos, esses j no so to intensos, mas recorro a eles nos momentos em que minha vida parece sem sentido. E eu penso assim quase o tempo todo.
	Por ter dificuldade em me concentrar e em ser organizada, minhas tarefas escolares foram deveras prejudicadas.  medida que eu crescia e, consequentemente, tambm meus afazeres e responsabilidades, mais difcil se tornava conciliar tudo. Isso me causava grande vergonha. Sentia-me incapaz e no queria que os outros percebessem. A nica sada que encontrei na poca foi diminuir minhas ambies.
	Sonhava em trabalhar na rea de turismo para conhecer o mundo todo. Queria tambm ser danarina moderna. Achava lindo quando via na televiso ou ia assistir a um espetculo de dana. Meus planos incluam ainda um grande amor, um homem bonito, inteligente e apaixonado, que me levaria ao altar... Pura iluso...
	Eu me perdia dentro de minha prpria cidade. O que no aconteceria caso me lanasse mundo afora, Deus meu?! E danar ento? Em um rodopio seria capaz de derrubar todos os bailarinos de uma s vez.
	Restou-me o casamento. Tenho duas lindas meninas, uma delas DDA, e j me vejo bastante atrapalhada com os cuidados da casa. Mas, enfim, vou levando. Meu marido est longe de ser um prncipe, mas tambm no  nenhum sapo!.
Agora, imagine essa mesma mente veloz e irrequieta acompanhada de uma boquinha nervosa ou ento de todo um corpinho serelepe. Embora no to numerosas quanto as sonhadoras, tambm encontram-se as meninas com DDA tagarelas e as hiperativas.
	As menininhas falantes seriam um tipo intermedirio (o tipo combinado) entre as quietas meninas sonhadoras e as incansveis molequinhas bagunceiras (o tipo predominantemente hiperativo/impulsivo). Conversadeiras, dotadas de uma matraca eficiente, tambm acabam sendo muito distradas, uma vez que h tantas coisas ao redor mais interessantes e que atraem irresistivelmente sua ateno j bastante fluida. Na sala de aula esto a passar bilhetinhos, a fofocar com os coleguinhas, desenhando, falando, escrevendo, ou fazendo qualquer coisa que no seja propriamente prestar ateno ao que o professor est fazendo ou dizendo. Isso ocorre, pelo menos, no mais do que alguns minutos. Elas bem que tentam, e tambm sofrem com isso. Mas seus olhos e ouvidos sensveis no conseguem filtrar estmulos irrelevantes ao contexto e simplesmente no podem se furtar a descobrir de onde veio aquele rudo, aquele movimento e se inteirar do bate-papo dos coleguinhas a seis carteiras de distncia. Simpticas e contadoras de histrias, as tagarelas provavelmente sero as lderes de seus grupinhos, j que so to gregrias e elaboram historinhas e brincadeiras criativas. No entanto, sofrem tambm com a dificuldade de concentrao, de comear e levar a cabo seus afazeres e acabam por se sentirem permanentemente sobrecarregadas por tarefas inacabadas, prazos que se aproximam alm de exigncias escolares e de comportamento que se fundem, como uma bola de neve que tentam girar novamente rumo ao topo da montanha. O resultado  quase sempre uma contnua sensao de esgotamento...
	Eis como Analice retratou sua infncia. Hoje, aos 29 anos e trabalhando como publicitria, ela descreve alguns dias tpicos de sua vida atual:.
No me convidem que eu vou! Esta frase parece definir bem minha conturbada vida.
	A festa vai ser legal, a viagem divertida, o jantar especial... mas descubro tarde demais que todos esses convites irrecusveis esto marcados para o mesmo dia. E o pior  que tenho um trabalho inadivel para entregar.
	Fico alm do expediente terminando o trabalho e consigo entreg-lo no ltimo segundo. Sob presso, meus trabalhos saem ainda mais estupendos!.
Vou ao jantar e horas depois atravesso a cidade em tempo de aproveitar um pouco da festa. A viagem infelizmente fica para a prxima.
	Fico to cansada que meu fim de semana acaba na sexta-feira. E o pior  que meus amigos ainda ligam reclamando da minha falta de ateno. Que sufoco!.
Aquela sensao de esgotamento experimentada pelas meninas e mulheres tipo tagarela  desconhecida por suas colegas hiperativas. Estas meninas so as que quase sempre so apelidadas com algum termo pejorativo com que maldosamente buscam associ-las a caractersticas masculinas:  Joozinho, Maria Machadinha e Molequinho so apenas alguns desses termos com que essas meninas cinticas so rotuladas. Tal como os meninos, so facilmente divisadas em meio a um grupo de crianas, na vizinhana, na sala de aula. Bagunceiras, ousadas e freqentemente respondonas, dificilmente iro se divertir com as brincadeiras tipicamente talhadas para as meninas. Brincar de casinha? S se a casinha estiver pegando fogo e ela for a herona que salvar a famlia da flambagem certa. Ser a mame e fazer comidinha certamente a faria bocejar, pois tal tipo de brincadeira no oferece estimulao que a atrai e que ela necessita para se manter concentrada e interessada. Da, no se precisa imaginar muito para concluir que, provavelmente, ela poder ter problemas de relacionamento com seus coleguinhas. Ela tem dificuldades em se adaptar  placidez da maioria dos brinquedos femininos e sente-se talvez atrada pela maior atividade proporcionada pelas traquinagens dos garotos. Mas enfrenta a possibilidade de rejeio ou de no poder acompanh-los no nvel de risco e agressividade de suas brincadeiras. Afinal, ela no deixa de ser uma menina.
	Valria, professora de Educao Fsica e agora com 33 anos, descreve um pouco esta sua tendncia  ao:.
Quando tinha 15 anos conheci o Csar e tive certeza de ter encontrado o companheiro ideal, algum to atirado na vida quanto eu. Costumvamos acampar com amigos at que resolvemos que seria melhor viajarmos sozinhos, pois ningum acompanhava o nosso ritmo. Sentamos tdio ao ver nossos companheiros enrolados no cobertor, assando churrasquinho, enquanto ns j havamos percorrido todos os lugares charmosos, cachoeiras perigosas e trilhas ngremes da regio.
	Gostava de voar de asa-delta, mergulhar e praticar alpinismo. Meus pais viviam em estado de alerta, mas tiveram que se acostumar, na medida do possvel, ao meu ritmo.
	Formei-me em Educao Fsica, e Csar em Engenharia. Casamos e depois de alguns anos ele foi ficando acomodado e eu continuava cada dia mais agitada. Comecei a me sentir sufocada e, apesar de amar meu marido, no agentei a rotina e acabamos nos separando.
	Hoje moro em So Paulo, onde tenho uma academia. Estou cursando a faculdade de Veterinria, pois pretendo ter um haras. Continuo praticando todos os esportes radicais, que so a paixo da minha vida, e pretendo montar uma escola dedicada a esses esportes. Para quem me acha agitada, eu respondo: Para mim nada nunca  demais. Eu quero viver a minha vida em toda a sua plenitude e, se puder, ainda mais um pouco..
Todo o processo de desenvolvimento das meninas DDA, em qualquer um de seus trs tipos,  marcado por questes muito prprias. Ao fato de ser mulher em culturas caracterizadas por papis um tanto rgidos atribudos aos sexos, se acrescenta ainda o detalhe de serem DDAs. Mulheres DDAs podem ser muitas coisas, menos convencionais. Tal caracterstica j pode ser percebida na infncia, mas  no florescer da adolescncia que se reveste de contornos bem ntidos. Perodo sabidamente complicado, que, quando atravessado por uma jovem DDA, torna-se complicado e meio. Nessa fase aumentam as exigncias e tornam-se mais complexas as tarefas de qualquer pessoa. Agora, imagine como essa fase pode ser dolorida para algum que se v s voltas com sua ateno inconstante.
	No entanto, outras caractersticas tornam essa adolescente, no raras vezes, uma figura popular em seu grupo (principalmente aquelas que, quando crianas, faziam o tipo falante). Dinmicas e inventivas, dotadas da criatividade peculiar aos DDAs, com seus pensamentos, gestos e dizeres s vezes fora do padro, essas jovens, quando se tornarem mulheres, provavelmente se encaixaro com perfeio na descrio da msica de Guilherme Arantes, Cheia de charme, notadamente no trecho em que fala do desejo de se aventurar, de revolucionar. Suas presenas so marcantes no mundo artstico, no show business e, certamente, so uma boa parte das mulheres que desafiam regras e rompem com tabus, pioneiras no campo da poltica, do trabalho, das artes e das cincias. A cmoda posio exclusiva de me de famlia e dona-de-casa, anteriormente reservada s mulheres, certamente no teve o poder de anestesiar essas mentes inquietas e fervilhantes. Elas foram  luta pelo direito de exercer atividades que lhes proporcionassem a estimulao de que tanto necessitavam e, mais do que isso, de abrir as portas do mundo em movimento a todas as mulheres, que antes s podiam contempl-lo por entre as cortinas da janela.
	No  preciso pensar muito para concluir que, justamente por tais caractersticas, essas adolescentes e mulheres, mais do que outras, podem sofrer sob o jugo desaprovador da sociedade patriarcal. Apesar de serem freqentemente verdadeiros dnamos, quase sempre desenvolvero baixa auto-estima. Afinal, desde cedo, acostumaram-se a ouvir observaes sobre sua falta de modos, sua desorganizao, desleixo e falta de capricho. Crticas que meninos normalmente no costumam ouvir, pois meninos so meninos. Mas meninas tm um papel a cumprir, cujas exigncias principais seriam no dar trabalho e nem chamar ateno sobre si, ficando quietas e bonitinhas no seu canto. Suas qualidades mais evidentes, tais como criatividade, energia e iniciativa, no so estimuladas e reforadas, na maioria das vezes. Para isso, a famlia precisaria ter conhecimento sobre o que  o DDA e como essas meninas podem ser especiais. Se o problema fosse compreendido, quem sabe tivessem seus talentos inatos descobertos e desenvolvidos e no acabassem to massacradas com exigncias de comportamento impecvel que, mesmo sendo teis e desejveis em determinados contextos, no fomentam a criatividade e nem desenvolvem a capacidade de iniciativa. O fato  que elas chegam  adolescncia e idade adulta quase sempre se auto-recriminando a cada passo, cada atitude, pensamento e declarao fora do padro imposto. Para a maioria dessas mulheres, ningum est l para lhes dizer que  esta justamente a sua marca, que dessas caractersticas provavelmente emergiro seus talentos e que elas devem busc-los e desenvolv-los.
	A tendncia aos devaneios e os freqentes esquecimentos podem trazer alguns problemas para a mulher DDA, principalmente se ela exercer funo burocrtica em seu trabalho. No entanto, isso pode ser perfeitamente compensado se, em seu trabalho, forem valorizadas sua inventividade e criatividade, e tambm pela busca de ajuda especializada no sentido de maximizar sua capacidade de organizao e ateno, tornando sua mente irrequieta mais apta a deixar florescer todas as vantagens que o funcionamento DDA pode proporcionar, principalmente para uma mulher.
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A RAINHA DO LAR EM APUROS.
Uma questo de extrema importncia e que muito sofrimento pode causar a uma mulher DDA est relacionada aos seus afazeres de esposa e.
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	me. Ao mesmo tempo que essa ocupao pode no ser estimulante para uma mulher DDA, tambm exige uma meticulosidade e ordenao que pode deix-la exasperada. Acrescente-se a isso tudo o j bastante discutido problema de que provavelmente ela ser severamente criticada por causa da sua eficincia incompleta ou sua aparente falta de interesse em manter o lar organizado. Para uma mulher no-DDA, no so nada simples tarefas como contas a pagar, arrumao dos materiais escolares dos filhos, horrios, escolha dos alimentos e tantas outras aparentemente prosaicas. Imagine para uma mulher DDA. A questo aqui : a mulher que exerce suas tarefas de dona-de-casa tem como principal funo a organizao. Mas um DDA precisa de estrutura. Neste caso singular, a mulher DDA tem que ser a estrutura. Ela deve ordenar a casa em meio  sua desordenada acelerao mental.
	Homens normalmente podem contar com um sistema de apoio. Na maioria das culturas, eles no precisam se preocupar com questes do tipo: organizao do lar, educao e alimentao dos filhos, abastecimento da casa e outras demandas que grande parte considera at como afazeres menores. Mulheres dificilmente contam com um sistema de apoio, por uma simples razo: elas so este sistema de apoio, ou, pelo menos, se espera que sejam. Afinal, normalmente j so criadas para isso. Em suas brincadeiras tpicas e nos brinquedos projetados para elas pela indstria de entretenimento, vo sendo familiarizadas aos poucos com a casinha, comidinha, bebs e mamadeiras. Uma menina DDA muito provavelmente poder passar bem por essa fase, posto ser uma brincadeira. Elas podem dormir, estudar ou brincar de outras coisas, abandonando o brinquedo anterior, pois o beb boneco no ir chorar e nem a comidinha ir queimar. Mas tambm  bastante provvel que j a esta altura demonstrem um interesse maior por diverses mais estimulantes como vdeo game, brincadeiras de pique e disputas em jogos competitivos. As bonecas de vrias delas podem estar com os cabelos artificiais desgrenhados cuja maior utilidade pode ser a de servir como ala para o brinquedo, tal como as orelhas do coelho de pelcia da personagem de quadrinhos Mnica. Diramos ento tratar-se de uma tpica menina DDA. Agora, imagine essa menina crescida, tendo todas aquelas atribuies e quase sempre sem poder falhar, uma vez que dependem delas a vida e o bem-estar de outras pessoas. Quase sempre com a mente voltada para devaneios mais agitados, ela est atada aos seus afazeres cotidianos e que se repetem ad nauseam. No existem sbados, domingos, feriados ou frias para as funes de me e esposa devotada. Uma mente turbinada que precisa adequar-se ao desempenho de um motor 1.0, que deve trafegar com segurana. Como a mulher DDA muitas vezes falhar em meio a tantas exigncias de meticulosidade, certamente sobreviro a culpa e o ressentimento. No s isso, mas tambm o dedo em riste acusador da famlia e da sociedade. Alguns dos ingredientes da receita da depresso e ansiedade.
	Por outro lado, a me e esposa DDA pode ser extremamente ldica, criativa, divertida, amiga e cheia de pique. Seus filhos sabem que ela  incrvel, que sua mame  demais. Que no brinca com eles para entret-los somente, ela est ali brincando mesmo, de corpo e alma nas disputas e pode sair batendo o p se perder uma partida de jogo da memria ou banco imobilirio. O marido sabe que nem sempre pode contar com ela na hora e com perfeio, mas tambm sabe que nunca vai encontrar a mesma mulher todos os dias, que ela  uma companhia divertida para as sadas e aventuras, que seus amigos provavelmente iro gostar muito dela  desta mulher espirituosa. Quando ela no est por perto, seu marido sente que o astral j no  o mesmo. Suas freqentes e sbitas mudanas de humor podem desencadear brigas homricas, mas tambm podem resultar em momentos inesquecveis de companheirismo, sexo, diverso e muitas, muitas risadas.  como estar em uma montanha-russa amorosa, com altos e baixos, mas onde jamais deixar de sentir aquele friozinho na barriga e o corao acelerado. Se esse marido compreende e tenta auxiliar sua mulher em suas dificuldades tpicas, ao mesmo tempo que valoriza suas qualidades muito prprias, a mulher DDA encontrar nessa unio a estabilidade da qual necessita e assim se sentir feliz. Mas se ele exigir, de forma machista, que ela lhe sirva com perfeio e no se dispuser a ajud-la e, pior ainda, no quiser entender suas dificuldades ou mesmo valorizar suas qualidades, ento  o caos que estar ajudando a construir, no s para a esposa, mas tambm para si mesmo. com a diferena de que ele, quase sempre, no ser considerado culpado por isso.
	 mulher DDA cabe compreender que no deve se obrigar a cumprir um papel que no  o seu, embora tenha sido estabelecido para ela, assim como para todas as mulheres. Se conseguir libertar-se de todo peso e ressentimento que desenvolveu ao longo de anos de recriminaes, e tambm tornar-se menos sensvel a crticas, ento poder trilhar o seu caminho sem culpas e sem angstias, por um atalho que poderia ter seguido, desde cedo, e sem muito sofrimento, se pudesse descobrir seus talentos naturais e desenvolv-los, e no adequar-se a um limitado padro, no qual muito dificilmente iria caber sem algum, ou muito, desconforto.
	 Eu vivo sempre no mundo da lua.
	Tenho alma de artista.
	sou um gnio sonhador.
	e romntico.
Pegar carona nessa cauda de cometa.
	Ver a Via-lctea.
	Estrada to bonita.
	Brincar de esconde-esconde.
	Numa nebulosa.
	Voltar pra casa.
	Nosso lindo balo azul CAPTULO 4 - DDA E CRIANAS.
a necessidade de se ajustar s regras: o bode expiatrio da famlia...
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Rafael era o primeiro filho de Sandra. Quando estava grvida, pensou que no demoraria muito at poder voltar a trabalhar. As amigas voltavam a trabalhar, quando seus filhos completavam mais ou menos dois anos de idade, mas Rafael j estava com sete e consumia ainda mais as foras de Sandra como na poca em que ele era bebezinho e precisava acordar de madrugada para amament-lo, dar-lhe banho, enfim, quando a ateno dela deveria ser totalmente direcionada quele pequeno ser indefeso. S que, agora, era diferente. No era mais o fato de ser indefeso que demandava tanto a ateno da me. Ele no parava. Corria, pulava, chutava e quando estava sentado, remexia-se incessantemente, parecia no ouvir nada do que sua me lhe dizia. O pior para Sandra  que ele se metia vez por outra em atividades perigosas. Sandra no sabia dizer se ele realmente gostava de viver perigosamente j assim to novo, ou se ele no avaliava muito bem as situaes em que se metia. Mas, at o momento de entrada na escola, Sandra achava que seu filho tinha esse temperamento difcil por sua incompetncia materna e falta de pulso. Ou que ento ela era realmente muito mole, reclamava muito e se cansava mais facilmente que as outras mes. J tinha ouvido tantos comentrios por parte de parentes, at mesmo do marido, que por fim concordou. Embora sempre permanecesse, l no fundo, a certeza de que eles deveriam passar o dia inteiro com Rafael para que soubessem do que ela tanto reclamava. Mas ento, na escola, ela pde avaliar melhor seu filho, em comparao com as outras crianas. Estas realmente pareciam mais tranqilas, mesmo as consideradas temperamentais pelas outras pessoas... No demorou nada e logo comearam a surgir queixas sobre Rafael. Indisciplinado para os professores, mal-educado para as outras mes e evitado pelos coleguinhas. Seus trabalhinhos eram em grande parte malfeitos e incompletos, embora, em alguns momentos, fossem, impressionantemente, os melhores da classe. Seu desempenho era completamente imprevisvel. Sandra mudou para uma escolinha melhor, na 1a srie. No se passou muito tempo, depois das primeiras confuses, a psico-pedagoga do colgio chamou-a para uma conversa: seu filho tinha todos os sintomas do Distrbio do Dficit de Ateno com hiperatividade/impulsividade e precisava de acompanhamento mdico especializado. Ento, era isso, murmurou Sandra.
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Distinguindo a criana DDA.
Como j foi visto, o DDA  caracterizado por trs principais sintomas: distrao, impulsividade e hiperatividade. Sendo estas trs caractersticas um tanto comuns na populao infantil,, como distinguir uma criana DDA de uma normal? Afinal, so tpicas da infncia a agitao, as correrias, a falta de ateno em atividades encadeadas e um tanto prolongadas, principalmente se no tiverem algum atrativo especial.
	O sinal que pode diferenciar uma criana DDA de outra que no seja  a intensidade, a freqncia e a constncia daquelas trs principais caractersticas. Tudo na criana DDA parece estar a mais. Ainda mais agitada, mais bagunceira e mais impulsiva, se for do tipo de alta atividade e significantemente mais distrada, dispersa e no-perseverante, se for daquele tipo mais desatento (certamente, um personagem fictcio que melhor exemplifica uma criana DDA de tipo desatento  Calvin, das tiras em quadrinhos Calvin e Haroldo). O principal instrumento de um mdico, de um psiclogo ou de outro profissional habilitado que queira avaliar a possibilidade de uma criana ser DDA  pura e simplesmente a observao. Mas, claro, uma observao muito especial. um observador que deve estar treinado a captar as nuances, no s no comportamento manifesto da criana, como tambm deve pescar, nos relatos de pais e/ou cuidadores, professores e de outras pessoas que convivam com a criana, os fatos e acontecimentos que caracterizariam uma criana com DDA. Alm disso, deve saber utilizar critrios de comparao. Uma criana pode ser DDA, se aquela trade de funcionamento for muito mais intensa e freqente, quando comparada com crianas de mesma idade. Portanto, deve-se conhecer profundamente o comportamento e as caractersticas infantis de uma forma geral, e no somente daquelas que apresentam algum tipo de transtorno. E, alm de tudo, precisa desenvolver a fina sensibilidade de um investigador aliada ao pensamento lgico do cientista.
	De forma resumida, seguem algumas dicas ou itens que podem auxiliar, no sentido de dar o primeiro passo rumo ao diagnstico de DDA em uma criana.(um resumo mais especfico das caractersticas j descritas para o DDA em geral):.
1. com freqncia mexe ou sacode ps e mos, se remexe no assento, se levanta da carteira. No consegue manter-se quieta, mesmo em situaes em que se espera que o faa.  o tal bicho-carpinteiro, o prego na carteira, o motorzinho nas pernas etc.
	2.  facilmente distrada por estmulos externos. A criana DDA tem a ateno to dispersa que qualquer estmulo, um barulho, um movimento, a impede de concentrar-se em alguma tarefa por muito tempo. Principalmente se a tarefa for obrigatria e no despertar nenhum interesse especial.  muito difcil para ela fixar a ateno no que o professor diz se pela janela v pessoas passando ou mesmo ouve sons produzidos por seus coleguinhas. Sua mente  um radar girando o tempo todo em busca de novidades. Pode ser apelidada por seus coleguinhas de ouvido tuberculoso.
	3. Tem dificuldade de esperar sua vez em brincadeiras ou em situaes de grupo. Esperar em filas  um suplcio para uma criana DDA, assim como esperar sua vez em brincadeiras; freqentemente interrompe os coleguinhas e fala excessivamente. Por isso,  muito comum ser considerada uma criana encrenqueira por supervisores do colgio (que no conheam o DDA) e ter dificuldades de relacionamento com os coleguinhas. Aqui, ela assume a figura do furo, entro, abelhudo, entre outras.
	4. com freqncia dispara respostas para perguntas que ainda no foram completadas. Isso acontece porque, to logo venha algo  mente de uma criana DDA (e de grande parte dos adultos tambm!), ela coloca em palavras, muitas vezes atropeladamente  afinal, a velocidade de sua lngua no consegue se equiparar  de seu crebro. Isso  uma conseqncia da impulsividade. A criana DDA no consegue parar ou filtrar o fluxo de idias que eclodem em sua mente. E l vai ela ser apelidada de linguaruda ou algo do gnero.
	5. Tem dificuldade em seguir instrues e ordens. A criana DDA no quer se insurgir contra a autoridade, ou seja, no  exatamente rebelde. Faz as coisas ao seu jeitinho e insiste nisso.  quase sempre considerada muito teimosa. A mula empacada da famlia e da turma.  praticamente certo que ela ir levar essa caracterstica para a vida adulta.
	6. Tem dificuldade em manter a ateno em tarefas ou mesmo atividades ldicas. A criana DDA se entedia rapidamente. Sua ateno  fluida e escorregadia. Metaforicamente, muda de estado fsico repentinamente.
	Lembra das aulas no primrio, das mudanas sbitas no estado fsico das substncias? Sua ateno pode ser vaporosa durante atividades prolongadas e encadeadas de carter obrigatrio ou mesmo em brincadeiras de grupo que envolvam regras. No entanto, pode subitamente solidificar-se e tornar-se dura como gelo, se determinada atividade a estimula ou encanta. Assim como pode sublimar-se repentinamente, se algo mais interessante a distrair ou enfastiar-se simplesmente da atividade atual. Um exemplo comum  o vdeo game. Tais jogos unem estmulos de diversos tipos, de forma sincrnica e simultnea, comumente em grande velocidade. So imagens vivas, coloridas e dinmicas acompanhadas por sons vibrantes que correspondem s aes empreendidas pela criana no jogo. Muitos pais e/ ou cuidadores, ao observarem seus filhos entretidos profundamente nesses jogos, sem se lembrar de comer ou de quaisquer outras atividades, seguramente tendero a concluir que seus filhos so preguiosos e irresponsveis. Mas o fato  que as caractersticas desses jogos conseguem ativar o crebro de uma criana DDA de tal forma que atividades rotineiras e encadeadas no podem, pois no possuem as caractersticas dinmicas necessrias. O grande clique seria unir atividades educativas com meios multimdia, e j esto sendo feitos vrios desenvolvimentos nesse sentido.
	7. Freqentemente muda de uma atividade inacabada para outra. Esta caracterstica est intimamente encadeada com a anterior. Quando esto entretidos em uma tarefa ou projeto, crianas DDA acabam pensando em n outras coisas diferentes para fazer. E fazem! Da mesma forma que uma idia que vem  mente dessa criana  imediatamente traduzida em palavras, muitas destas idias tambm so imediatamente postas em prtica. Novamente a impulsividade sobrepuja. Como acabam fazendo e pensando) muitas coisas ao mesmo tempo, deixam passar detalhes e cometem erros pela desateno. E a ansiedade acarretada pelo fato de ter muitas coisas a fazer contribui para diminuir mais ainda sua capacidade de concentrao. Precisam de muito incentivo e estruturao para levar a cabo suas tarefas.
	8. Tem dificuldade em brincar em silncio ou tranqilamente. Imagine uma bola voando entre mveis e peas decorativas da sala. Objetos sendo derrubados durante uma corrida. Gritos e imprecaes. Imaginou?  isso mesmo. Esta assertiva  auto-explicvel.
	9. s vezes fala excessivamente.  bastante comum que uma criana DDA d voltas em torno de um assunto antes de conseguir chegar ao ponto. Ou pode ser que no meio da fala esquea o ponto e acabe falando de outras coisas. Pode ser vista como enrolona por pessoas menos compreensivas. Esta caracterstica est diretamente relacionada ao item 4. Como a criana DDA  assaltada por um fluxo incessante de idias e imagens, ela tem dificuldade de ser concisa e objetiva ao falar.  comum que um assunto puxe outro, que puxa outro e no instante seguinte j no sabe mais por que est falando aquilo ou mesmo o que estava falando antes.  importante que pais e/ou cuidadores e professores tentem ser compreensivos e mesmo aprendam a enxergar o lado divertido dessas caractersticas e brincar com a criana sem faz-la se sentir inadequada, ajudando-a a se concentrar no assunto em questo.
	10. Vive perdendo itens necessrios para tarefas ou atividades escolares. Se a criana  avoadinha e freqentemente esquece de fazer o trabalho de casa ou de levar o lanche para a escola, fique atento. Podem ser sinais de desateno e lapsos de memria tpicos do DDA, e no necessariamente irresponsabilidade ou imaturidade.
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CRIANAS PROBLEMTICAS E CRIANAS COM DDA.
Como j foi visto, a criana DDA  em tudo mais intensa, quando em comparao com as outras. Ela  mais colorida, mesmo que vestida em discretos tons pastis, j que dificilmente passa despercebida. Um aspeto distintivo entre crianas DDAs e no-DDAs  que os sintomas de comportamento DDA independem de problemas emocionais, ambientais e sociais. Algumas crianas podem causar a falsa impresso de serem DDAs se estiverem passando por problemas, constantes ou passageiros, que podem contribuir para deflagrar ou intensificar comportamentos agitados ou falta de concentrao e ateno. Uma criana pode apresentar-se indisciplinada e com baixa tolerncia  frustrao e possivelmente no ser DDA, j que na investigao de sua histria pode ser constatado que ela  oriunda de um ambiente em que caractersticas comportamentais como disciplina e conteno no so valorizadas. Pode tambm no estar recebendo ateno suficiente ou sofrendo maus-tratos. O importante  que todos os fatores que possivelmente possam estar contribuindo para algum comportamento inadequado por parte da criana devem ser cuidadosamente investigados e considerados como fatores de excluso para um diagnstico de DDA ou mesmo fatores que intensifiquem o DDA pr-existente. Como j foi ressaltado,  importante ter em mente que fatores que se constituem em situaes de desconforto, precariedade e sofrimento podem at intensificar o funcionamento DDA pr-existente de uma criana, mas no a caracterizam como DDA se ela apresentar comportamentos semelhantes em funo de suas dificuldades. O DDA simplesmente independe de tais variveis.  um funcionamento de origem biolgica, marcado pela hereditariedade que ir manifestar-se no comportamento infantil j bem cedo, antes dos sete anos de idade, sendo ou no esta criana oriunda de um ambiente hostil e estar passando por problemas. Mesmo no lar mais estruturado e seguro uma criana DDA ir comportar-se como tal.
	A intensidade do desconforto trazido para a famlia pode ser manejada atravs de formas especficas de lidar com essas crianas. A criana DDA pode dar tudo de si e deixar fluir sua criatividade e entusiasmo inatos se for corretamente estimulada. Mais do que nenhuma outra, a criana DDA responde maravilhosamente bem sob o calor do incentivo, e os elogios e recompensas constantes se constituem no melhor aditivo para a j grande quantidade de combustvel com a qual elas foram dotadas. Mas, por outro lado, tambm mais do que nenhuma outra, a criana DDA murcha e se retrai sob o peso das crticas excessivas e da falta de compreenso. Ela pode responder atravs de um cabisbaixo recolhimento ou pela erupo de comportamentos agressivos e impulsivos. Pode virar de pernas para o ar o ambiente, para que fique semelhante  maneira como se sente interiormente: confusa e sem cho.
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DIFICULDADES ESPECFICAS DA CRIANA DDA E CONCLUSES ERRNEAS.
 comum que as pessoas interpretem a tendncia  distrao e impulsividade de uma criana DDA como sinal de parca inteligncia, ou que as considerem simplesmente como tolas, com idade mental inferior s de outras crianas de mesma idade cronolgica. O porqu disso ser examinado a seguir.
	Como conseqncia da hiperatividade/impulsividade, a criana DDA faz primeiro, pensa depois. Reage irrefletidamente  maioria dos estmulos que se apresentam. No porque seja mal-educada, imatura ou pouco dotada intelectualmente. Isso se deve ao fato de o DDA apresentar a rea cerebral responsvel pelo controle dos impulsos e filtragem de estmulos  crtex pr-frontal  no to eficiente. H um substrato orgnico determinando essa caracterstica. A diferena para uma criana pura e simplesmente mal-educada  que a criana DDA sente que isso acarreta prejuzos e reprimendas. O insight problema aumenta no decorrer do desenvolvimento e ela pode ser ensinada sobre o que  certo e errado, e sem dvida aprender (se estiver suficientemente atenta,  claro). Justamente por isso consegue entrever as conseqncias de seu comportamento impulsivo, mas, tendo dificuldades em cont-lo, sofre e absorve todas as crticas que desabam incessantemente sobre ela. Se essa criana no for efetivamente o que se considera uma criana mal-educada (embora a juno dessas duas caractersticas possa ocorrer, de alguma forma sentir essa inadequao, alm de ouvir as constantes reprimendas. Ela sofre. Sendo muito nova para refletir Sobre tais questes ainda to complexas de convivncia social e outras em que o controle de seus impulsos seja necessrio e desejvel, se sentir deslocada e, de alguma forma, defeituosa.
	Tampouco pode ser considerada pouco inteligente por isso. Na verdade, com extrema freqncia, a criana DDA  bastante inteligente e criativa. Pode aparentar imaturidade em relao a outras crianas de mesma idade, no aspeto emocional e no comportamento manifesto, mas no em relao  capacidade cognitiva. com o tratamento adequado, aquela criana Aparentemente imatura equipara-se s demais.
	NO que concerne s caractersticas de desateno, esta criana tambm pode ser considerada tola ou pouco inteligente por quem desconhece o problema. O fato  que a criana DDA  constantemente inundada com estmulos que no consegue filtrar corretamente. A conseqncia mais evidente  que ela parece no conseguir priorizar. Caracterstica que, alis,  levada adiante na vida adulta.  um tanto comum que tenha dificuldades em aprender ou memorizar, isso porque no consegue sustentar  a ateno e se manter concentrada por tempo suficiente, com a intensidade adequada; e no porque no possa, no queira, ou porque seja pouco capaz. Freqentemente no termina as tarefas que comea, porque algum estmulo a atrai irresistivelmente. At que um outro estmulo a atraia e tambm abandone o anterior e assim sucessivamente, at que por fim se sinta sobrecarregada, confusa e no termine o que comeou a fazer l no incio. No que seja exatamente esquecidinha ou cabea-de-vento, mas o turbilho de acontecimentos e coisas por fazer em sua mente acabam lhe trazendo problemas em reter informaes e dar cabo de suas tarefas. com tantos pensamentos e imagens ocupando sua mente, sua memria pode ser mais bem definida como vaga lembrana. Por exemplo,  muito comum que a criana DDA, assim como o adulto, passe por situaes como esta: ela est na sala fazendo algo, d-se conta de que precisa de alguma coisa que est no quarto, e no caminho de um cmodo para outro esquece-se do que ia fazer. Ainda por cima, pode ver alguma coisa neste nterim e tambm esquecer de continuar o que estava fazendo na sala. O que aconteceu no trajeto entre a sala e o quarto? Ela estava caraminholando, como se diz. Pensando em vrias coisas ao mesmo tempo, na alta velocidade do crebro DDA. Por que esquece o que estava fazendo na sala? Porque no conseguiu filtrar o novo estmulo que se apresentou. Foi atrada para ele, em vez de deix-lo para depois, para quando conclusse a primeira tarefa. E assim repetidamente at no conseguir terminar nada do que comeou e nem reter informaes por tempo suficiente. Diferentemente de uma pessoa com dificuldades intelectivas, ela se d conta do prejuzo que isso acarreta, percebe o que est acontecendo de errado e sofre. Em uma criana, esses prejuzos podem ser percebidos mais intuitiva do que racionalmente.
	Assim, o que foi visto at aqui  que crianas DDAs possuem dificuldades muito especficas derivadas de seu tambm muito especfico funcionamento cerebral, e que isso no deve ser confundido obrigatoriamente com tolice, m-educao ou dificuldades intelectuais. S que, como  enorme o desconhecimento do problema,  exatamente isso o que acontece na grande maioria dos casos. No se precisa descrever o enorme rombo causado na auto-estima de crianas que assim so rotuladas, ouvem diariamente esses rtulos que lhes atribuem e dos quais no sabem como podem se defender. Afinal, elas nem sabem que podem se defender. Elas acabam mesmo acreditando em tudo o que se diz delas, sob a forma do olhar desaprovador da reprimenda ou do ar complacente do sentimento da pena.
	Em famlia pode-se observar claramente o desenrolar desse processo. A criana DDA (principalmente a hiperativa/impulsiva) com freqncia  punida com castigos fsicos e  comum que seja julgada pejorativamente como mal-educada, insuportvel e at mesmo m. No so poucos os comentrios que se fazem do carter de uma criana DDA. Ela costuma ouvir sobre o quanto  m e do quanto papai do cu ir castig-la. At mesmo previses de seu futuro acaba ouvindo, de como ser uma pessoa desagradvel e impopular e outros comentrios do tipo se voc morrer hoje, ningum ir ao seu enterro. Como realmente tem dificuldades de controlar seus impulsos e se mete em confuses e desentendimentos em famlia e com outras crianas, acaba acreditando no que lhe dizem. Preocupa-se com castigos divinos e se ir para o inferno. Esse prottipo de pestinha ouve diariamente uma avalanche de nos, pra, sai daqui, fica quieto, muito mais do que qualquer outra criana. No  difcil chegar  concluso de que essa criana sentir que h algo errado e que ela  um estorvo. com freqncia maior que a mdia, crianas DDAs, principalmente as mais hiperativas, expressam seu sofrimento e sentimento de rejeio, ora dizendo que iro fugir de casa, ora que so infelizes e querem se matar.
	Como se no bastasse, a criana DDA tambm pode ocupar o lugar de bode expiatrio da famlia, principalmente entre os irmos. Embora todos reclamem o quanto de aborrecimentos essa criana traz para o meio familiar e o quanto seria melhor se ela no existisse, crises inexplicveis podero surgir em famlia se comear a ser tratada adequadamente e surgirem resultados positivos. Paradoxalmente, o tratamento pode at ser boicotado se a sua melhora ameaar o sistema familiar que encontrou seu ponto de equilbrio nessa criana problemtica. Um exemplo claro  o fato de os irmos se acostumarem na cmoda posio de filhos normais e, engenhosamente, colocarem a criana DDA na posio de culpada e causadora de todas as brigas. Mesmo quando ela no for, dar-se- um jeito e prontamente l estar ela na posio de r novamente. E, como  freqente ela causar confuses mesmo, os pais e/ou cuidadores tendero a pensar dessa forma, sem se preocupar com uma investigao mais detalhada dos conflitos.
	Por outro lado, tambm no parece justo acusar impiedosamente os pais e/ou cuidadores e a famlia por tudo. Imagine o transtorno causado por uma criana que literalmente quica pelas paredes, parece ser incansvel e no tem hora nem lugar para brincar, mesmo que seja bater bola na sala, em meio a todos os mveis e objetos de valor, ou ento que vive literalmente no mundo da lua. Freqentemente, as situaes provocadas pela impulsividade ou distrao da criana DDA detonam brigas entre outros membros da famlia. O pai briga com a me, o irmo com o pai, a me com a av e todos com a criana! Alguns membros da famlia so acusados de serem severos demais e outros, complacentes. E ningum entende nada quando percebem que a mesma criana que no consegue se concentrar nos deveres escolares, passa horas a fio grudada no vdeo game. Ora, para quem no compreende as caractersticas da sndrome, a concluso aparentemente bvia  que ela no quer nada com a hora do Brasil. -.
O mais importante  buscar informaes sobre o comportamento inadequado da criana, antes de se concluir que ela apresenta carter duvidoso ou que  simplesmente grosseira. Quanto mais informaes e educao acerca do transtorno, melhor para a criana e a famlia. No decorrer do tratamento, a famlia recebe algumas orientaes sobre como proceder em situaes especficas. No final desta seo, ser visto mais sobre o tema.
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ESCOLA E AMIZADES.
Enquanto a criana DDA convive apenas em seu meio familiar, muitas de suas caractersticas repousam em estado de latncia. Demonstraes de que ela  algo diferente j foram dadas para a famlia, mas  no incio da vida escolar que essas diferenas podem revelar sua potencialidade problemtica. At ento, a criana contava com a estrutura familiar para se organizar e, alm disso, muitas de suas caractersticas hiperativas e/ou desatentas poderiam no estar acarretando problemas, sendo at consideradas engraadinhas.
	Dificuldades maiores comeam a surgir no mbito escolar quando a criana  solicitada a cumprir metas e seguir rotinas, executar tarefas e ser recompensada ou punida de acordo com a eficincia com que so cumpridas. Os pais e/ou cuidadores e familiares j no esto presentes e no podem cumprir tarefas ou facilitar as coisas para a criana. Ela precisa comear a caminhar com suas prprias perninhas. Perninhas que at este momento cumpriam mais as funes de correr, pular, chutar ou mesmo permanecer em repouso enquanto sua mente divagava. Agora no podem correr a todo momento, como tambm no podem ficar imveis. Devem caminhar em direes determinadas, em tempos estabelecidos e em ritmo compatvel com as demais crianas com quem ir conviver quase que diariamente. As direes, tempos e ritmos sero definidos pelo professor da turma, que  orientado por objetivos at ento diferentes de seus pais e/ou cuidadores, mas cujos propsitos agora interessam sobremaneira a estes.
	A criana DDA, com ou sem hiperatividade, agora precisa ajustar-se s regras e  estrutura de uma educao continuada, em que h cobrana de desempenho. Muitas vezes, experimentar dificuldades em adequar-se a rotinas to esquematizadas. O professor que desconhece o problema pode acabar concluindo que essa criana  irresponsvel ou rebelde, pois em um dia pode estar produtiva e participante, mas no dia seguinte simplesmente no prestar ateno a nada e no levar a cabo os deveres. Acaba por atrair bastante ateno do professor, mas uma ateno um tanto negativa. Isso pode causar desacertos em sala de aula, j que as outras crianas percebero o clima e podero se interessar mais no embate entre professor e aluno problemtico do que em suas tarefas.
	O desempenho escolar da criana com DDA  marcado pela instabilidade. Um exame nos boletins escolares ou nos registros dos professores pode ilustrar bem o problema. Em um momento, ela  brilhante. Em outro, inexplicavelmente, no consegue apreender os contedos ministrados. Tais momentos to dspares, muitas vezes, so bastante prximos no tempo. No  incomum que se alternem de um dia para o outro. A instabilidade de ateno  a causa desse sobe-e-desce no desempenho. Caso a criana seja tambm hiperativa, o problema pode agravar-se, pois, alm da desateno, a incapacidade de manter-se quieta em sua carteira a impedir no s de aprender, como tambm de conquistar e manter amizades.
	A impulsividade dessa criana pode lev-la a falhas no desempenho desejvel para a delicada tarefa de fazer amiguinhos e manter amizades. Em alguns momentos, pode atropelar a atividade do grupinho com freqentes interrupes ou gestos bruscos, querer dominar as brincadeiras e impor regras e insistir indelicadamente na continuidade da brincadeira quando os coleguinhas j esto cansados. Em outros momentos, pode parecer estranha, quando se enjoa rapidamente das brincadeiras e abandona um timinho j formado para fazer outras coisas, depois de ter insistido tanto para entrar. Ou, ento, quando fala demais, s vezes sem pensar, ofende algum ou deixa escapar algum segredo do coleguinha.
	H controvrsias entre pesquisadores sobre o fato de ser a impulsividade responsvel por essas falhas em habilidades sociais ou se o dficit em habilidades ou inteligncia social ser um fator em si, caracterstico do DDA, independente da impulsividade. O fato  que as crianas DDAs (e adultos) parecem no ler corretamente os sinais sociais emitidos pelas outras pessoas. Elas podem continuar alongando-se em um assunto que est desagradando a um amigo sem ter a menor noo desse constrangimento. Elas podem parecer grosseiras ou mal-educadas, mas a verdade  que lhes falta o estalo para perceberem as indicaes das outras pessoas. Quando  advertida, sofre e vislumbra o erro, no entende como pde deixar passar despercebido, j que realmente se importa com o que os outros pensam e sentem. Ela se sente inadequada e sua auto-estima despenca mais um pouco.
	A desateno tambm pode trazer problemas. Imagine uma menininha contando o seu passeio de final de semana para a coleguinha que parece no estar nem a e ainda atravessa o samba com um assunto que no tem nada a ver. Ou ento fazer um trabalhinho em dupla com uma coleguinha que deixou passar um erro bobo, porque, aparentemente, no foi cuidadosa.
	Por outro lado, em muitos momentos nada ser mais emocionante do que estar brincando com essa coleguinha. Afinal, com ela no tem tempo ruim. Mesmo em um local entediante e na ausncia de brinquedos, d um jeito de inventar vrias brincadeiras. De dentro daquela cacholinha surgiro as mais diferentes idias e sugestes; ou ento as historinhas mais doidas. Um pouco mais velha, essa menininha inventiva daria uma excelente master de um role playing game.
	Essa inventividade tambm pode manifestar-se na forma de resoluo de problemas escolares. Uma criana DDA pode sair-se com um jeito completamente diferente de resolver uma continha matemtica, por exemplo. D o resultado esperado ou no, a criana certamente ser repreendida por no fazer os deveres na forma-padro. E como prefere fazer as coisas ao seu modo, pode ser considerada pelo professor pouco inteligente ou teimosa, ou mesmo desobediente. Embora seja necessrio que se aprenda a fazer as tarefas da maneira como esto consolidadas, a criatividade da criana DDA pode ser estimulada em vrios campos. Ela deve ser incentivada a aprender da forma consensual, mas tambm no precisa ser desestimulada a nunca mais tentar formas diferentes de resolver os mesmos problemas.
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O QUE OS PAIS E/OU CUIDADORES PODEM FAZER?.
Existem meios de melhorar a convivncia e estimular bons comportamentos nas crianas DDAs, especialmente se elas forem do tipo mais hiperativo/impulsivo. As dicas a seguir so fruto de pesquisas do psiclogo Sam Goldstein e do neurologista Michael Goldstein, ambos especializados em crianas hiperativas e desatentas.
	O passo inicial para todos os pais e/ou cuidadores  o conhecimento. Quanto mais eles estudarem, se informarem e se educarem sobre o problema de seus filhos, mais estaro preparados para lidar com ele da forma mais apropriada. Afinal, conhecer profundamente o problema capacitar os pais e/ou cuidadores a enxergarem o mundo atravs dos olhos de seus filhos. Conhecer como eles se comportam, por que e quando, saber principalmente o que muitas vezes deflagra comportamentos indesejveis e ter em mente que muitas vezes a criana no tem a inteno ou conscincia da inconvenincia de seus comportamentos, possibilitar aos pais e/ou cuidadores agirem de forma preventiva e tambm a controlarem seus prprios acessos de raiva em relao  criana (o que  bastante comum).  importante que os pais e/ou cuidadores tambm se auto-avaliem e identifiquem em si mesmos caractersticas de impulsividade e desateno (lembre-se, o DDA possui forte componente gentico) que podem atrapalhar a convivncia e causar falhas no processo de educao das crianas. A sabedoria popular tem algo a nos dizer sobre isto: dois bicudos no se beijam (ou trs, quatro, cinco...).
	O passo seguinte  conseqncia do primeiro: saber diferenciar desobedincia e inabilidade. Uma vez que os pais e/ou cuidadores conheam suficientemente bem o problema, eles estaro atos a distinguir quando a criana est sendo desobediente e rebelde, ou quando, simplesmente, no est conseguindo controlar seus impulsos e fazer o que eles ou outras pessoas responsveis esto pedindo. Para o primeiro caso, os pais e/ou cuidadores podem sinalizar com as conseqncias desagradveis de a criana no fazer o que se pede, e, em ltimo caso, lanar mo de punio (principalmente fsica). Um exemplo  o menino que no quer fazer o dever de casa. Se a me portar-se de certa forma indiferente e disser: muito bem, mas a voc  que vai explicar para a professora, certo?, o problema deixa de ser da me e passa a ser da criana. Certamente, esta pensar duas vezes antes de realmente deixar o dever de lado. E, em caso de no fazer o dever, ter alguma reprimenda em sala de aula. Mas, se essa criana no est conseguindo fazer o dever porque simplesmente no consegue permanecer sentada ou prestar ateno, precisar ser auxiliada a desenvolver essas habilidades e ser recompensada a cada pequeno passo que conseguir dar. A criana DDA est freqentemente recebendo punies e verbalizaes negativas por atos que ainda no aprendeu a controlar, sem muitas vezes ter a inteno de ser desobediente ou opositora. Obviamente, essa criana aprender a enxergar o mundo como um lugar punitivo, restritivo e controlador. Da, sim, poder desenvolver comportamentos rebeldes e desobedientes em reao a um ambiente hostil. Ela ouve centenas de vezes frases como deixa disso, pare com isso, no faa isso, tire a mo da, no mexa nisso, saia daqui etc. Ouve vrias vezes sobre o que no deve fazer, mas tambm no sabe o porqu de no poder fazer aquilo e o que deveria estar fazendo em seu lugar. Resumindo,  punida por algo de errado que no sabe bem o que , ao passo que ningum lhe diz  que ela ento deveria estar fazendo! Assim,  extremamente importante que os pais e/ou cuidadores aprendam a dar ordens positivas, que ser visto um pouquinho mais adiante.
	Punir uma criana por um ato impulsivo, provavelmente, ir surtir efeito por algum tempo. Mas, certamente, devido  natureza impulsiva do ato, no se passar muito tempo at que ela volte a incorrer no mesmo erro, e assim estar deflagrada a desagradvel situao familiar em que os pais e/ou cuidadores tornam-se ralhadores e a criana, temerosa ou mal humorada.
	Para saber diferenciar quando seu filho est sendo desobediente ou quando, simplesmente, no est conseguindo obedecer adequadamente,  preciso que se observe atentamente o comportamento dele. Se, por exemplo, tende a largar a porta de seu armrio aberta e, ao ser advertido por voc, fech-la,  porque est fazendo um esforo para obedecer, embora sua distrao o tenha prejudicado na hora de lembrar-se, por conta prpria, de que deveria fechar a porta.  bem possvel que volte a largar o armrio aberto em outras ocasies por conta de sua distratibilidade, mas tentar atender ao seu pedido, mesmo que v resmungando e de m vontade. Por outro lado, se voc pedir-lhe que feche a porta do armrio e, aps certificar-se de ele estar atento, ouvindo e compreendendo o que voc lhe pediu e, ainda assim, no atender, ento, pode-se concluir que ele estar sendo desobediente.
	O prximo passo  saber dar ordens positivas. Isso vai um pouco contra o que se aprende a fazer, de forma no espontnea, levando um pouco de tempo e prtica at que se acostume. Em geral, destaca-se no ambiente o que desagrada, em detrimento das situaes agradveis. Se o filho faz algo errado, isto imediatamente salta aos olhos, ao passo que, quando est se comportando do modo como se deseja,  adotada uma postura indiferente, ou seja, porque ser comportado no chama a ateno, ou porque parte-se da pressuposio errnea de que fazer o certo  natural, obrigatrio e devido, e, portanto, no h necessidade de incentivo nem de reforo especial. Assim, uma criana  constantemente repreendida, quando no faz o que se espera que faa, ao mesmo tempo que no  elogiada, quando faz o que dela se espera. Da, voc pode imaginar a confuso que comea a se avolumar nessa pequena mente: Tudo que fao  errado, mas o que ser o certo?.
Essa cabecinha poderia comear a ser desanuviada se os pais e/ou cuidadores invertessem o procedimento-padro: ignorar os comportamentos indesejados (punir  devido e eficaz, quando for adequado e coerente) e destacar o comportamento desejado.
	Se, por exemplo, seu filho est num entra-e-sai de casa, justo no momento em que o quintal est sendo lavado e deixa um rastro molhado sempre que irrompe porta adentro, a reao mais provvel ser ralhar com ele, ordenando que pare de molhar a casa ou que pare de correr. Est sendo dada uma ordem negativa.  bem provvel que a criana DDA obedea por um tempo, at que se distraia e sua impulsividade d novamente partida para outros entra-e-sai. Ento se ralha de novo, e assim sucessivamente, at criar-se um clima desagradvel. Como ordem positiva, poderia instru-lo sobre secar os ps em um pano, antes de entrar, ou escolher brincar somente do lado de fora ou apenas do lado de dentro, de uma forma serena e no ameaadora. Uma vez que se tenha estabelecido o que se quer da criana e tenha sido dito a ela, em forma de instruo positiva,  extremamente importante que a recompense imediatamente aps fazer o que se quer. Essa recompensa pode ser social (elogios, beijos, dizer o quanto ela o deixa feliz etc.) ou no-social (como balas, bombons ou mesmo um sistema de pontos que, acumulados, valero alguma coisa importante para a criana). A recompensa mais positiva para a auto-estima da criana  a de cunho social. No entanto, quando se est tentando modificar algum comportamento inconveniente,  importante que no incio do processo as recompensas sejam no-sociais, por causa de seu carter concreto e imediato. Ou, melhor ainda, venham acompanhadas por recompensas sociais. O ponto nevrlgico aqui, e que no pode ser esquecido,  que a criana deve ser imediatamente recompensada, logo aps comportar-se adequadamente. Se isso no acontecer e os pais e/ou cuidadores esquecerem esse importante detalhe, a criana no conseguir distinguir o que deve e o que no deve fazer, apenas temer pelo que sabe que desagrada aos pais e/ou cuidadores. Outro aspeto imprescindvel  que a criana dever ser recompensada a cada avano que fizer. Se, no exemplo citado anteriormente, ela entrar correndo molhando a cozinha e parar antes de chegar  sala, os Pais e/ou cuidadores devem recompens-la por j ter dado um primeiro passo: Estou muito contente que voc dessa vez tenha parado aqui pela cozinha, espere aqui que vou pegar um biscoito pra voc. E assim sucessivamente. No adianta esperar que a criana v conseguir de uma s vez comportar-se perfeitamente, se suas caractersticas de desateno e impulsividade estiverem atrapalhando. No se pode exigir de uma criana que, em um nico salto, chegue ao topo da escada. Ela poder sentir-se incapaz, assoberbada e, pior, passar a ser propositadamente desobediente para lutar contra exigncias, que no momento parecem-lhe difceis ou impossveis. O importante aqui  festejar com ela cada degrau que for conseguindo subir, estimulando-a a ir adiante. Jamais se deve esquecer de que, para a criana DDA, elogios, incentivos e demonstraes de amor so o aditivo mais eficaz para a grande quantidade de combustvel que ela tem, mas que eram queimados inadequadamente ou sub-utilizados, seja pelas caractersticas especficas do comportamento DDA, seja pela grande quantidade de repreenses que ela ouve e abalos que so imputados em sua auto-estima. Mais tarde, as recompensas pelos bons comportamentos podero ser espaadas. No entanto, como se sabe que as crianas DDAs no conseguem protelar por muito tempo a satisfao de seus desejos, o sistema de recompensas somente ser positivo se for imediatamente fornecido aps o bom comportamento. com o tempo e a repetio, a criana comear a internalizar os comportamentos adequados e no precisar ser reforada sempre e imediatamente. Mas lembre-se de que, no comeo, no adianta dizer que ela ter uma recompensa daqui a uma semana. Para um pequeno DDA, uma semana  muito tempo!.
O ltimo passo  a continuidade dos anteriores e seu objetivo principal  sempre promover o sucesso da criana. Hbitos arraigados so difceis de mudar, mas no impossveis. Trata-se de abandonar o padro antigo de valorizar mais as atitudes negativas da criana (ela percebe perfeitamente que chama mais ateno quando faz algo errado) e mudar para um padro de sempre incentivar, reforar e promover o sucesso dela. D mais ateno aos bons momentos. No deixe passar a oportunidade de recompensar imediatamente sua criana, quando ela estiver se comportando adequadamente, alis, recompense-a sempre pelos pequenos passos que conseguir dar em direo ao objetivo. Acostume-a a querer o sucesso, a perseguir o bom resultado. Mostre sempre o quanto voc a ama e o quanto fica feliz, diante de cada pequena coisa que ela consegue fazer, Ela se esforar por agradar aos pais e/ou cuidadores, e aos poucos ir recuperando sua autoconfiana ou construindo a que nunca teve.
	Por que se deve tentar ignorar os maus momentos e valorizar os bons? O fato  que, quando se faz o contrrio, pode-se, acidentalmente, reforar as crianas a se comportarem mal, embora a inteno no seja esta. s vezes, os filhos esto sendo ensinados a perpetuarem aspetos desagradveis, o que nem sempre  percebido pelos pais. Por exemplo, se uma criana est aos berros e se jogando para trs porque quer alguma coisa  um bombom  e sua me, compreensivelmente exasperada, lhe d o bombom para que pare de importun-la, estar, sem querer, ensinando esta criana a fazer birras outras vezes, pois, agindo assim a criana conseguiu o que queria. O certo aqui  esforar-se por ignorar o show da criana, de forma tranqilamente indiferente, mas firme, at que perceba que nada ir conseguir. E, quando parar com a birra, recompens-la por estar quieta e ento dar-lhe o bombom, dizendo que da prxima vez ela poder conseguir o que quiser se souber pedir educadamente e esperar com pacincia. E lembre-se sempre: parabenize-a pelo sucesso sempre que conseguir dar algum pequeno passo em controlar seus acessos de impulsividade.
	Voc tambm pode tentar modificar o ambiente de forma preventiva para evitar alguns acontecimentos desagradveis, tais como manter trancada a porta do armrio que seu filho gosta de futucar e pegar coisas que no deveria. Caso a porta esteja aberta e a criana esteja mexendo, ento voc precisar agir de forma reativa. D uma instruo positiva, esta porta tem que ficar fechada por tal e tal motivo e recompense a criana quando afastar-se dali. Lembre-se sempre, a repreenso  necessria em caso de desobedincia, quando a criana sabe que no deveria estar fazendo aquilo. E no deve ser banalizada. Reprimendas e palmadas constantes e por qualquer motivo perdem seu efeito e fazem com que a criana passe a considerar que  voc que est errado e  rabugento, no aceitando mais sua prpria parcela de responsabilidade.
	Estimule tambm a prtica positiva. Se seu filho tem o rabo comprido e deixa a porta aberta atrs de si, em vez de dar a instruo negativa, no deixe a porta aberta, diga a ele por que  necessrio que a porta seja fechada, pegue-o pela mo e pea para repetir novamente a ao, acompanhe-o e estimule-o a fechar a porta. Nunca se esquea de recompens-lo e estimul-lo. Repita a operao algumas vezes, de forma tranqila e evitando ralhar. Se repetir insistentemente esse comportamento, sempre que a criana esquecer de fechar a porta, aps algum tempo ela ir internalizar o ato de fechar a porta e ir faz-lo naturalmente.  necessrio ser paciente e esperar o tempo da criana. Algumas aprendem mais rapidamente, outras mais lentamente. Seja sempre coerente e constante. Diga sempre o porqu de a criana estar agindo errado e diga-lhe o que e como fazer, ao invs de dizer somente o que no fazer. Seja constante e aja sempre da mesma forma, no desista ou perca a pacincia. E, claro, isto voc j sabe: recompense-a a cada pequeno passo! Promova o sucesso de seu pequeno DDA.
	Quando for necessrio o castigo, pela evidente desobedincia, tambm seja coerente e constante: se disser que ir castig-lo, realmente o faa. Dizer e no fazer ser interpretado pela criana como sinal de que nada acontecer. E faa o que realmente disse que faria. Por exemplo, uma semana de castigo deve durar uma semana. Encurtar o perodo porque a criana est fazendo birra, cara de choro ou sendo propositadamente um anjinho ter o efeito de mostrar para a criana que ela pode control-lo e manipul-lo. Ento, ela ir aprender de forma nefasta a manipular em vez de aprender que h conseqncias desagradveis para seu inadequado comportamento. E, aps cada repreenso, d a chance  sua criana de novamente repetir aquele comportamento at acertar. Ela precisa saber por que est sendo repreendida e o que  o correto fazer.
	Mostre a ela que novas chances de acertar sero sempre dadas de bom grado e incentive-a a aproveit-las sempre! CAPTULO 5 - DDA E VIDA AFETIVA.
os ltimos romnticos: emoo em excesso e escassez de razo...
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Como dizia o poeta: Amar s se aprende amando. E  exatamente isso que se deve aprender ao amar ou ser amado por algum com DDA.
	 verdade que tal citao vale para qualquer tipo de relao amorosa, no entanto amar uma pessoa com comportamento DDA pode exigir maestria e grande habilidade na arte de amar, uma vez que as relaes amorosas, nestes casos, costumam ter a mesma intensidade dos loopings das montanhas-russas americanas. A imagem figurativa  exatamente esta, pois tudo pode acontecer nessas relaes num espao de tempo to curto que os amantes podem chegar ao ponto de duvidar da realidade dos fatos. Amar um DDA pode significar ter sua vida virada de ponta-cabea em poucos minutos.
	Como foi visto anteriormente, as trs principais caractersticas do comportamento DDA so a desateno, hiperatividade e impulsividade.
	A forma de amar tambm ser influenciada por essa trade de intensidade varivel. Mas uma coisa  certa: em todos os casos sobra emoo e quase sempre falta razo. Mentes inquietas parecem no possuir nenhum pequeno espao que seja para abrigar a velha e cansada amiga RAZO.
	Um DDA com hiperatividade fsica e impulsividade assemelha-se a um grande tornado apaixonado.  capaz de conhecer algum, apaixonar-se perdidamente, casar, brigar, odiar, separar, divorciar e tornar a casar-se; tudo em menos de um ms. Exagero? , talvez estas pessoas sejam os ltimos romnticos do litoral atlntico (Lulu Santos) ou ainda os exagerados que se jogam a seus ps com mil rosas roubadas ( la Cazuza). Eles tendem a sentir todas as emoes de modo muito mais intenso do que a maioria sequer pode imaginar. Quando se apaixonam, esto realmente apaixonados, toda sua ateno volta-se para esse sentimento sem que possam controlar tal impulso, ficam literalmente cegos de paixo. Esse estado de cegueira  descrito por Fbio, comerciante de automveis, 35 anos:.
...como um estado de estresse permanente. Muita gente fica estressada com seus problemas de trabalho, responsabilidades, contas a pagar, essas coisas... mas referem-se ao amor como o porto seguro onde recarregam as baterias. Pra mim sempre foi muito diferente. Eu me estresso com tudo isso que citei e tambm com meus relacionamentos amorosos! No consigo controlar o impulso, a necessidade mesmo, de me fundir com a mulher que amo. E se ela no entende isso, e geralmente no entende, o problema  grande. Eu no recarrego as baterias com a mulher que amo... Quando estou com ela, minhas baterias entram em curto e soltam fascas... Sabe aquela recomendao: no jogue pilhas no fogo? bom, eu simplesmente no consigo tir-las de l..
J os DDAs que no possuem tanta hiperatividade fsica e impulsividade tendem a apaixonar-se  moda antiga, transformam o objeto da paixo em um ser idealizado. So capazes de gastar horas e horas de seus dias pensando no ser amado, em poesias nas quais dir a ele como e o quanto a vida ser perfeita ao seu lado. Amam intensamente, no interior de suas mentes, mas no conseguem colocar em prtica todas as coisas que vivem em seus pensamentos. Muitas vezes seus parceiros nem sequer sabem ou imaginam que so objetos de to nobres sentimentos. Felizmente, toda essa emoo tende a transformar-se em poesias, obras literrias ou msicas. Clssico exemplo dessa forma de amar, de uma pessoa com comportamento DDA (predominantemente desatentivo), pode ser aferida nos versos imortais de Fernando Pessoa:.
Quem tem dois coraes.
Me faa presente de um.
Que eu j fui dono de dois.
E j no tenho nenhum.
D-me beijos d-me tantos Que enleado em teus encantos.
Preso nos abraos teus Eu no sinta a prpria vida Nem minhalma ave perdida No azul amor dos teus cus.
Boto de rosa menina.
Carinhosa, pequenina.
Corpinho de tentao.
Vem morar na minha vida D em ti terna guarida.
Ao meu pobre corao.
Quando passo um dia inteiro.
Sem ver o meu amorzinho.
Cobre-me um frio de janeiro.
No junho do meu carinho.
	(Fernando Pessoa).
Na realidade, os problemas no relacionamento afetivo de pessoas com DDA comeam a aparecer e causar grandes desconfortos aps a fase da paixo.  muito fcil apaixonar-se por um DDA, o grande desafio  ultrapassar a exploso inicial e estabelecer uma relao afetiva duradoura de crescimento e respeito mtuo.
	As caractersticas do comportamento DDA que podem trazer maiores dificuldades dentro de um relacionamento ntimo so:.
 Esquecimentos, distrao e desorganizao: .
A instabilidade de ateno  o sintoma mais importante e marcante na vida dessas pessoas.  claro que isso traz para eles muitos problemas pessoais e cotidianos, como atrasos freqentes, perda de papis importantes, chaves etc. Quando esses problemas comeam a acontecer dentro da relao afetiva, srios conflitos podem aparecer, pois a desateno do DDA pode tornar-se muito irritante para seu parceiro. A esposa de um DDA pode ficar muito desapontada ao ver seu marido esquecer datas especiais ou encontros marcados com antecedncia, ou mesmo revoltada por no ser ouvida durante um jantar ou sobre decises de sua vida profissional.  claro que isso gera, a longo prazo, raivas e mgoas que iro contribuir para uma atitude depreciativa do parceiro no-DDA para com este, e uma atitude de retraimento do DDA que tender a fugir dessa relao. Essa situao pode tornar-se um crculo vicioso em que a relao se tornar insuportvel para ambos.
	Falta de controle de impulsos: .
Os impulsos nos DDAs podem apresentar-se de vrias formas: por meio de exploses afetivas, no comer, falar, trabalhar, jogar, fazer sexo, comprar ou usar drogas. Seja qual for a forma em que tais impulsos possam se manifestar, traro sempre situaes de desconfortos pessoais e grandes embaraos conjugais.
	J se imaginou casado com algum que estoura todos os limites do cheque especial e dos cartes de crdito, ou que trabalha no mnimo 14 horas por dia e, ao chegar em casa, continua a fazer os trabalhos da firma?.
Tais atos impulsivos costumam despertar no parceiro uma tendncia a interpret-los como gestos egostas, narcisistas ou mesmo infantis. Em grande parte, esses adjetivos estariam corretos se no se soubesse que o DDA age assim em funo de uma alterao neuro-bioqumica que tambm no est sob seu controle. A ele geralmente cabem a culpa e o arrependimento de ter mais uma vez falhado na tarefa de pensar antes de agir e, como conseqncia, ter criado novos problemas para si e mgoas e raivas para seu parceiro.
	 Necessidade de estimulao constante: .
A maior parte dos indivduos com DDA tem fascnio em buscar novos e fortes estmulos.  como se suas vivncias cotidianas tivessem que acompanhar o ritmo acelerado e inquieto de seu crebro, que j foi chamado por John Ratey  um especialista norte-americano em DDA  de crebro ruidoso.
	A busca de estmulos fortes pode dar-se de vrias maneiras: praticar esportes radicais, realizar negcios arriscados, criar discusses exaltadas, participar de vrios projetos simultaneamente, dirigir em alta velocidade, ter fascnio por motocicletas, sair s trs horas da madrugada para comprar um livro ou tomar um caf. Vale tudo para fugir do tdio e manter a vida em um ritmo acelerado e excitante.
	Como nos relacionamentos afetivos, muita ao pode ser sinnimo de confuso. Vrias vezes os cnjuges se sentiro trados, rejeitados ou mesmo esgotados com tanta emoo.
	 Dificuldades de se comunicar afetivamente: .
De um modo geral, pessoas com funcionamento DDA tm dificuldades de se expressar. Isso ocorre, em parte, pela velocidade com que seu crebro processa os pensamentos, em funo da sua hiper-reatividade ao mundo externo e interno. Crebros com DDA atentam-se a diversos estmulos externos ao mesmo tempo que criam histrias no seu mundo interno. Essa enxurrada de pensamentos acaba por criar uma disparidade entre o seu modo de pensar e a sua maneira de se expressar. Sabe-se que a linguagem falada e a escrita so a forma de expressar o que se pensa. Assim sendo, a pessoa com DDA sempre apresentar dificuldades em uma dessas expresses, ou em ambas. No caso da escrita, poder haver palavras, slabas ou letras repetidas, omitidas ou mesmo trocadas.
	com relao  linguagem falada, a situao pode tornar-se um pouco mais complicada, pois sabe-se que a comunicao verbal  a base de todo processo de socializao do ser humano. A grande dificuldade do adulto com DDA nos seus relacionamentos afetivos  conseguir falar de maneira organizada aquilo que sente para seu parceiro. Muitas vezes, a velocidade de seus pensamentos o impede de falar o que  fundamental para se fazer compreender. Quando pensa no que vai falar, outro pensamento sucede o anterior em uma velocidade to expressiva que acaba por esquecer o que de fato importava dizer.
	Outro aspeto que torna a comunicao afetiva to difcil  a baixa auto-estima que quase sempre acaba traindo-o, impedindo que fale o que sente de verdade, sob pena de sentir-se rejeitado e no amado. Talvez seja esse o seu maior temor afetivo.
	Esses problemas de comunicao decorrentes da sua j citada baixa auto-estima tm incio na sua vida infantil. So crianas mal-interpretadas e geralmente rotuladas de forma pejorativa como rebeldes, esquisitas, preguiosas, burras ou ms. A partir da, as relaes afetivas primrias (com familiares e cuidadores) comeam a apresentar muitas desavenas, culpas, acusaes e agresses. Na vida adulta, todas essas dificuldades iro influenciar a comunicao verbal nas relaes afetivas: muitos adultos com DDA tendero a calar-se com medo de provocar conflitos e/ou tendero a dizer tudo que lhes vm  cabea com uma grande dose de agressividade. De qualquer forma, ambas as maneiras de reagir a um dilogo afetivo tero como conseqncia a no-resoluo dos conflitos essenciais da relao.
	A esta altura, voc deve estar pensando: Farei de tudo para no me apaixonar por um DDA. Ou se voc acha que  um deles, deve estar apavorado pensando: Onde encontrar um parceiro que possa compreender-me e ajudar-me nessa que parece ser uma batalha de tits, que  fazer algum com DDA ter uma relao afetiva razoavelmente estvel e feliz? Pois bem, aos primeiros respondemos: no  nada fcil ficar imune aos encantos sedutores dos DDAs. Aos prprios devemos prevenir que a tarefa no  fcil, mas est longe de ser impossvel. A dica fundamental  escolher uma pessoa muito especial que goste de gente, com suas virtudes e suas limitaes.
	Ao casal peo que leia com muita ateno e carinho a pequena lista de dicas que fizemos ao longo de todos esses anos atendendo DDAs e seus parceiros. Sugerimos que cada um leia individualmente e depois releiam juntos com muita calma. O objetivo principal das dicas  contribuir para o estabelecimento de uma forma melhor de comunicao nos relacionamentos afetivos com os DDAs.
	Discorde, debata, reflita, pense, repense, mas no deixe de tentar praticar, pelo menos algumas delas.
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EI-LAS:.
1. Informe-se o mximo que puder sobre o seu funcionamento DDA. S assim voc poder compreender que muitas atitudes suas no so provocadas intencionalmente por seu parceiro e sim pela prpria instabilidade de seu funcionamento. Isso ajuda muito o DDA a no ficar culpando o parceiro por seus erros ou insatisfaes. s vezes voc estar de mau humor ou angustiado pela sua maneira de ser, mas sabe que isso passa, se voc buscar algo til e interessante para fazer. No caia na armadilha fcil e previsvel de colocar suas motivaes, angstias, alegrias, tristezas ou fracassos sob a responsabilidade de sua relao afetiva, pois ningum no mundo tem o poder de sozinho fazer voc feliz ou infeliz.
	2. Tente colocar-se na posio do seu parceiro. Lembre-se de que cada pessoa tem sua maneira de ser. Respeite o jeito dele para que ele possa fazer o mesmo em relao a voc.
	3. Seja sincero na sua relao. Oua com ateno. s vezes, sua viso dos fatos pode estar distorcida por sua hipersensibilidade.
	4. Reserve um tempo por dia para ficar sozinho com seus pensamentos e no se esquea de explicar ao seu parceiro que isso  muito importante para seu equilbrio. Isso ir fortalecer sua estrutura interna.
	5. No tenha medo de ser rejeitado por ser sincero. Para um DDA, uma relao afetiva s tem chance de dar certo se ele sentir-se amado de fato, com suas qualidades e limitaes.
	6. Procure ter um mnimo de organizao na sua relao. Pequenas coisas traro ao seu parceiro a segurana de que ele precisa para saber que voc est atento a ele. Um telefonema durante o dia, o jantar combinado, a leitura compartilhada de um jornal de domingo etc. com o tempo, o hbito trar bons resultados.
	7. No diga sim, quando quiser dizer no. Se no tiver vontade de ir a uma festa do trabalho dele(a), no v, pois seu impulso reprimido poder acabar por tornar o compromisso bastante desagradvel para ambos.
	8. No crie brigas s para ter motivos de sair com amigos ou dar um rol por a. Seja sincero e explique que isso, s vezes, acontece com voc em perodos de muita inquietao, e que essas sadas acalmam a agitao da sua mente.
	9. Siga seu tratamento mdico e estimule seu parceiro a participar dele, criando cumplicidade e melhorando o entendimento.
	10. Tente entender que sendo DDA, muitas vezes, voc se ver envolvido por impulsos sedutores, que, na realidade, s representam a busca imediata de um novo estmulo; por isso mesmo, pense no mnimo trs vezes antes de partir para um jogo de seduo.
	11. Tenha a humildade de permitir que o mais organizado dos dois tome a frente das responsabilidades financeiras do casal. Se voc no consegue controlar tales de cheque, cartes de crdito, contas de luz, gs, telefone etc., deixe que seu parceiro administre tudo at que voc sinta-se capaz de comear a contribuir.
	12. Crie o hbito de fazer elogios a seu parceiro. Isso far com que se sinta presente em seus pensamentos e o estimular a fazer o mesmo. Voc sabe o quanto um elogio pode levantar o astral de um DDA? Muitssimo!.
13. Cuidado para no se contagiar com problemas afetivos de casais amigos. Concentre-se em resolver os conflitos da sua relao e no tome parmetros externos para esse fim.
	14. Nunca utilize o fato de ser DDA como desculpa para fracassos afetivos, pois o conhecimento desse comportamento, aliado a uma vontade verdadeira de melhorar como pessoa e a dois, podem render-lhe muita capacidade de compreenso em um relacionamento.
	Algumas dicas bem valiosas tambm podem ser observadas pelos parceiros dos DDAs. Aqui, vale destacar que, segundo estatsticas, os homens so mais propensos a terem DDA do que as mulheres. Sendo assim, o cnjuge de um DDA ser mais provavelmente uma mulher. Uma sobrecarregada e solitria mulher. No entanto, as sugestes fornecidas abaixo so vlidas para ambos os sexos.
	1. No se culpe pelo DDA dele. Voc pode ajudar seu parceiro a buscar ajuda, auxili-lo em sua organizao particular, tentar fazer a vida mais fcil para ele. No entanto, no  sua misso resgat-lo. No seja onipotente, por mais frustrante que isso possa parecer, voc no pode fazer o comportamento DDA dele desaparecer, assim como no se pode fazer o diabetes ou hipertenso arterial de uma pessoa sumir como em um passe de mgica. Voc no  responsvel pelo transtorno dele, nem ele pelos seus. Se voc est sentindo-se culpada pelas tristezas ou frustraes dele, no v por esse caminho e no permita que os outros tentem lev-la com frases ou pedidos do tipo: seja mais tolerante, no custa dar uma forcinha, se voc o ajudasse mais....
	2. No acoberte as falhas do DDA. Os parceiros dos DDAs tendem a assumir o papel de zeladores da famlia, principalmente se forem mulheres, uma vez que culturalmente estas so bem mais tolerantes com maridos e filhos. Elas pegam papis pelo cho, meias perdidas, documentos esquecidos, lembram todas as datas importantes na famlia, pagam todas as contas e limpam os cafs, sorvetes e sucos derramados. Lembre-se de que nenhum ser humano  incompetente, temos uma natureza que nos permite aprender tudo com a experincia da vida. No caia no erro fcil de achar que controlar e assumir todas as responsabilidades de seu parceiro lhe d poder sobre ele. Viver integralmente para administrar a vida do outro pode trazer-lhe a sensao de ser escravo particular de algum e isso traz ressentimentos e acaba por no beneficiar ningum. Tenha sua vida prpria, tire as tarefas dele de seus ombros. Escolha suas responsabilidades de acordo com as conseqncias. Assim, voc pode escolher pagar a conta do telefone, pois, caso contrrio, isso trar problemas para ambos. No mande cartes de aniversrios para os parentes dele. Se quiser, mande voc os seus em seu nome. Resista  tentao de recolher as roupas dele do cho. Agindo assim, voc ficar menos ressentida e dar a ele oportunidade de aprender com a experincia da vida cotidiana.
	3. D mais ateno a voc. Parceiros afetivos de DDAs sempre reclamam sobre o egosmo ou o narcisismo deles. Em verdade, isso, muitas vezes, no  mais do que uma auto-concentrao, ou seja, freqentemente esto to absortos em pensamentos, idias e imagens que bombardeiam suas mentes, que esquecem do mundo ao seu redor. Essa desateno  muito difcil de ser aceita pelos parceiros dos DDAs. Lembre-se de que isso no  contra voc, afinal, ele tem dficit, ou melhor, uma instabilidade de ateno. D-se mais ateno e tente colocar-se em primeiro lugar, pelo menos em sua vida profissional e pessoal. Sem rancor, mgoas ou culpas. Isso ser sadio para ambos.
	4. No permita abusos. Como foi visto, alguns DDAs podem ter grandes dificuldades em controlar seus impulsos verbais e s vezes fsicos. Abuso verbal ou fsico no  para ser tolerado em nenhum relacionamento. DDA no pode ser desculpa para isso. Como um adulto, seu parceiro DDA deve aprender a lidar com a raiva e a frustrao de uma maneira aceitvel. Se ele no consegue conter seus impulsos, precisa da ajuda de um profissional. Insista para que procure ajuda mdica.
	5. Procure apoio. Os parceiros dos DDAs muitas vezes tendem a se sentir isolados e solitrios, em face do tempo que a vida deles toma da sua. Se voc tem dificuldade em mudar essa engrenagem vital, procure apoio. Os locais especializados em tratamentos de DDAs contam em suas equipes com pessoas que orientam seus parceiros nesse sentido e os ajudam a reconduzirem sua vida pessoal, social, afetiva e profissional de uma maneira mais agradvel e saudvel para ambos.
	6. Valorize e reafirme as pequenas vitrias. No esquea: seu parceiro no  s o transtorno dele. Mesmo dentro de seu comportamento DDA, tem qualidades que no devem ser esquecidas. Ser parceiro de um DDA pode ser muito desgastante, como j foi visto; no entanto, no deixe o desgaste encobrir as coisas boas que ele faz ou tenta fazer por voc. Converse com ele e explique que voc tambm aprecia elogios e agrados. Uma conversa carinhosa com um DDA pode surtir grandes efeitos positivos. No se esquea de que a hipersensibilidade  uma das caractersticas deles. Nesse aspeto, algo que merece destaque  o que se chama de concentrao equivocada. Um bom exemplo disso  quando seu marido DDA faz uma surpresa e lhe d de presente uma roupa da moda, mas que voc s poderia usar se fosse vinte anos mais nova, ou seja, no tempo que vocs eram namorados. Ou ainda a presenteia com uma linda cesta de chocolate, esquecendo-se de que seu colesterol est altssimo. Quando isso ocorrer, e ocorrer vrias vezes, no perca o humor, afinal poucas pessoas no mundo cometem gafes to engraadas. Mas no se esquea de que ele pensou em lhe agradar; entretanto, sua concentrao estava no lugar errado (equivocadas).
	Tente rir da situao, no fique magoada. Estimule-o a tentar outras vezes. com o tempo ele acabar acertando.
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DDA E DEPENDNCIA DE PESSOAS.
Os DDAs tm uma tendncia a dependncias em geral. Essa dependncia muitas vezes pode manifestar-se em uso de drogas e remdios. Em tais casos, verifica-se que quase sempre o consumo de certas substncias costuma ocorrer, como conseqncia, de um crebro que busca, de maneira incessante, acalmar-se, organizar-se ou mesmo manifestar-se de maneira mais efetiva ou estruturada, na relao consigo mesmo ou com os outros. E  nesse aspeto do relacionar-se com o(s) outro(s) que se inicia, desde muito cedo, o desenvolvimento de relacionamentos que tero como tnica a dependncia de pessoas, j que desenvolver uma relao de dependncia com algum , geralmente, um fator de estrutura para o DDA. E se for considerado que qualquer relao baseada na dependncia no traz boas conseqncias  afetivas ou profissionais,  possvel entender que a grande dificuldade dos DDAs  a de se relacionar.  claro que para todas as pessoas, DDAs ou no, estabelecer relaes saudveis e independentes  importante, no entanto, para o DDA esse fator  primordial para sua estabilidade pessoal, que sempre ir manifestar-se em maior aproveitamento de seu potencial produtivo.
	Se for lembrado que a hipersensibilidade e a hiper-reatividade so caractersticas do comportamento DDA, pode-se logo imaginar ou mesmo constatar o grande estrago que relaes desse tipo podem causar.
	As relaes de dependncia de pessoas DDAs podem ser classificadas de trs maneiras genricas:.
 Dependncia Ativa.
 Dependncia Passiva.
 Dependncia Mascarada.
Essa classificao  emprica e fruto da nossa observao clnica diria, em contato com o sofrimento afetivo dos DDAs. Sofrimento que sempre traz intensos e angustiantes problemas cotidianos. A classificao baseia-se na origem da formao emocional desses indivduos, que comea na infncia, pois  justamente a que se inicia todo o alicerce de nossa estrutura interna que, por sua vez, ser o terreno sobre o qual nossa auto-estima ir assentar-se, seja para crescer saudvel, seja para manter-se frgil e dependente de referncias externas, que, por serem externas, estaro sempre sujeitas a variaes imprevisveis. Para que fique mais claro, imagine que a auto-estima seja uma aplicao financeira que est totalmente vinculada a variaes das bolsas de valores mundiais. Logo se constata que, como um investimento financeiro de grande porte, nesse tipo de aplicao, nossa auto-estima sofre grande risco de se ver quebrada e aniquilada de maneira temporria ou, quem sabe, para o resto da vida.
	Assim sendo, a estruturao interna ir determinar a auto-estima de cada um de ns. Esta, por sua vez, determinar a capacidade individual de cada um reagir s dificuldades da vida, principalmente, na rea emocional.
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DEPENDENTES ATIVOS.
O adulto DDA, que ir desenvolver esse tipo de dependncia de pessoas, teria sido uma criana que teve sua estruturao emocional iniciada em um ambiente (famlia, escola e comunidade) de insegurana, que acabou por despertar-lhe medos racionais ou irracionais contra os quais se viu impelido a enfrentar. Partiu da premissa de que poderia cuidar de si e das pessoas mais frgeis ao seu redor, ao seu jeito e, quando necessrio, se valeria de seu impulso, at mesmo de forma agressiva, para defender os fracos e oprimidos, inclusive ele prprio. Na realidade, vestiu-se de super-heri e acabou por acreditar que sua fora estava em sua roupa e no dentro de si.
	 claro que essa criana cresceu e suas atribuies aumentaram na mesma proporo de seu corpo. Quanto  sua roupa, fez de tudo para estic-la, mas  claro que j no era suficiente para esconder todos os seus medos e inseguranas.  a que cai em outra cilada, tenta substituir a roupa velha e apertada por objetos externos (carros importados, relgios e canetas de grife) ou relacionamentos. Tudo tem que estar sob seu controle: os objetos e, principalmente, as pessoas.
	Quanto s relaes, o heri ser visto relacionando-se com pessoas com as quais ele possa controlar. A regra bsica : deixe-me controlar tudo, pois assim me sinto seguro. So geralmente os DDAs que alcanam grande sucesso no trabalho (empresrios, executivos e polticos), mas tendem a centralizar tudo na sua pessoa e com isso acabam por se sobrecarregar. O estresse, seguido de exausto fsica e mental,  inevitvel.
	com esse funcionamento, o DDA pode produzir relacionamentos afetivos e profissionais desastrosos para ambos os lados. Principalmente para ele prprio, pois a sobrecarga, muitas vezes, pode gerar-lhe estados depressivos nos quais se ver como uma pessoa explorada pelos outros e pensar que essas pessoas s esto ao seu lado pelo que ele pode oferecer e no por ele mesmo. Isso ir abalar sua j fragilizada auto-estima, fechando um crculo vicioso de auto-depreciao e insegurana. Seus parceiros (afetivos ou profissionais), por sua vez, atravessaro momentos de raiva; afinal, todo controlado costuma nutrir sentimentos hostis por seus controladores, acabando por gerar ressentimentos, acomodaes e muitas manipulaes na relao. Em determinado tempo o controlado pode no saber mais se ama, depende ou precisa do controlador. O resultado final ser quase sempre a falncia dessa relao, que s poder ser salva se ambas as partes tiverem compreenso e vontade verdadeira de reverter esse jogo de cartas marcadas.
	Fabiana, veterinria, 37 anos, foi uma menina DDA hiperativa, criada em um ambiente que no lhe proporcionou segurana. Sentia que o pai, embora extremamente amoroso e cuidadoso, carecia de seriedade. Estava sempre brincando, tentando desviar o foco dos assuntos srios e assim minimiz-los. Embora ainda no soubesse definir muito bem, sentia que o pai no enfrentava os problemas e, portanto, se acomodava, no indo  frente, apesar do enorme potencial que todos sentiam nele. Hoje se tortura com isso, pois absorveu do pai a mesma disposio despreocupada e bem-humorada e cr que isso a desvia do enfrentamento de situaes mais srias. O que no sabia, e comeou a elaborar em seu processo de terapia,  que, na verdade, sempre esteve dolorosamente consciente de todos os problemas pelos quais passou e est passando, mas busca ativamente esquec-los atravs de passatempos pueris que s fazem aumentar o seu sentimento de culpa e comparar-se com seu pai, o z-ningum bonacho. A me  vista por ela como uma pessoa melindrosa, um tanto infantil, que no se furta a teatralizar e lanar mo de mal-disfaradas chantagens emocionais para conseguir ateno ou quando  frustrada em algo. Muito embora mime sua me  afinal,  uma forma de amar que no deixa de ser controladora, Fabiana se exaspera quando esta se descontrola porque quer falar ao telefone e outro membro da famlia est ocupando a linha. Por causa disso diz que est passando mal, joga vrios objetos no cho e ameaa se desfazer no s do telefone, mas tambm de outros bens da famlia.  uma ameaa de represlia,  absolutamente infantil e eu no consigo deixar de sentir raiva. Sei que no posso contar com ela, nem com meu pai. Eles  que precisam de mim. E, assim, assumindo a posio de cuidadora e ponto de equilbrio da famlia, vai adiando o momento em que poderia deixar a casa de seus pais e viver sua prpria vida, prejudicando assim sua privacidade, independncia e at mesmo seus relacionamentos amorosos. O que Fabiana ainda no consegue admitir conscientemente  que ela  dependente desse ambiente e dessa relao familiar. Assumir a posio de racional em sua famlia proporciona-lhe a estrutura que precisa para organizar-se e sentir-se no controle de algo. A estimulao constante proporcionada por seus familiares, as brigas, os problemas, sempre a deixam na posio de timoneiro de um navio em mar revolto. Isso a concentra e preenche quase todo seu tempo, desviando-a de pensar longamente em seus prprios problemas e questes, em traar objetivos para si mesma e lutar por eles. Se essa demanda surge em um relacionamento amoroso, imediatamente sente-se ameaada. Antes disso acontecer, luta para assumir o controle da relao, forando sutilmente seu companheiro a desenvolver uma relao de delicada dependncia, conseguindo, assim, decidir desde a freqncia com que se vero, at o que faro, criando uma estrutura que reproduz, nos seus relacionamentos amorosos, a sua dinmica familiar, e ao mesmo tempo no se sentir ameaada por exigncias desse relacionamento amoroso. Quando no est s voltas com um (famlia), est com outro (namorado); jamais, com ela mesma. Se por acaso sobra-lhe algum tempo, volta-se aos passatempos sem contedo. Afinal, depois de tantos aborrecimentos, em casa, no trabalho, no namoro, eu preciso ficar um tempo sem pensar em nada srio. O que tenta impedir o tempo todo  a sensao de estar sendo, talvez, acomodada como o pai, e a impresso de que deveria estar estruturando sua prpria vida e no a de sua famlia ou a de seu namorado. Assim, se poupa de lanar-se ao fogo e  dvida sobre se seria capaz ou no de organizar-se em torno de objetivos q no tem tempo de traar para si mesma.
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DEPENDENTES PASSIVOS.
O DDA que desenvolve dependncia passiva com as pessoas foi uma criana que, provavelmente, teve sua estruturao emocional iniciada num ambiente em que seus cuidadores tinham tendncia a superproteg-la. Assim, sempre que surgia um problema, este era resolvido de pronto, sem que ela pudesse agir por iniciativa prpria. Nas poucas vezes que essa criana tentou agir sozinha, sem que seus cuidadores soubessem, teve sua iniciativa severamente criticada.
	com o passar dos anos, isso fez com que essa criana criasse o hbito de no ter iniciativas e, consequentemente, se acomodasse, seja pelo hbito, seja mesmo pelo medo e desconforto que sentia, quando recebia duras crticas. Assim, acabou optando por calar-se e esperar que os outros fizessem por ela tudo aquilo de que viesse a precisar. Vestiu a pele do patinho feio e acreditou que essa roupagem era eficaz contra suas inseguranas, medos e crticas. Evidentemente a criana cresceu e agora sua roupa de patinho feio no  mais aceita perante as cobranas da vida. Trata-se, agora, de um adulto sem qualquer estrutura interna e auto-estima para fazer frente s adversidades. Sua segurana est novamente fora de si, precisa de parceiros afetivos e profissionais que lhe digam onde e como fazer suas atribuies. A insegurana, que j era grande, agora  maior que a esttua do Cristo Redentor que ele v todos os dias no caminho para o seu trabalho. Ento, esses DDAs acabam por se tornar pessoas de sucesso limitado, pois so incapazes de exercer todo o seu potencial. No trabalho, na famlia, no contato social, necessitam de algum que lhes d as instrues corretas. Suas relaes tornam-se muito desgastantes para ambos os lados, pois pessoas passivas precisaro de pessoas ativas que lhes mostrem o caminho, mas tero muito medo de perder essas pessoas e tendero a escolher parceiros no por afeto, mas por necessidade de direo. Quanto aos parceiros, no incio podem gostar da idia de darem as cartas, mas, aps algum tempo, iro sentir-se sobrecarregados e usados pelo dependente passivo. O resultado tambm ser a falncia dessa relao ou a permanncia nesse pato de infelicidade.
	Luana  professora de Portugus, tem 34 anos, mas ningum lhe d essa idade. No s porque o tempo e a gentica a favoreceram, mas tambm porque seu jeito extremamente frgil faz com que as pessoas atribuam-lhe no mnimo 10 anos menos. Sua fala  baixa, o tom  agudo e infantil. Quando est s, divaga e sonha acordada, como uma tpica DDA sonhadora. Quando algum se apresenta para conversar, Luana, invariavelmente, inicia um discurso em que, at sem querer, ou por j estar condicionada, d demonstraes de sua fragilidade e dependncia. Pega um gancho em qualquer assunto e diz indiretamente o quanto quer ser cuidada. Se o tempo est lindo e se fala em praia ou piscina, ela fala sobre o seu resfriado: Infelizmente, no ia poder entrar em piscina... e no quanto est sentindo-se enfraquecida. Pede conselhos sobre qualquer coisa, com perguntas do tipo ai, o que eu fao, hein? e o seu discurso  pontuado de diminutivos: oizinho, estou tristinha hoje etc.
	Aps algum tempo, cria um desconforto na pessoa com quem est conversando, que passa a sentir-se sobrecarregada, alm de sentir-se culpada por ter vontade de terminar a conversa. Luana contou em terapia que uma das amigas teve coragem de dizer-lhe abertamente isso, numa ocasio em que perguntou a essa amiga por que nunca conseguia firmar-se na vida amorosa. Sua amiga disse-lhe que poderia assustar as pessoas, na medida em que quase ningum se sentia capaz de dar conta de tanta dependncia. Infantilmente, Luana tomou essa observao como bronca e passou a achar que sua amiga no gostava mais dela. Em terapia, comeou a elaborar mais seus sentimentos e foi percebendo como, muitas vezes, reagia como uma criana amuada e no aprendia com os conselhos que ela mesma pedia repetidamente aos amigos.
	Obviamente, tende a se interessar e apaixonar por pessoas controladoras, a quem admira, mas sem tentar absorver algo delas. S que, mesmo os homens mais controladores, no se sentem confortveis no papel de cuidadores full-time. Eles acabam fugindo.
	Sua vida profissional  apenas um arremedo. Leciona em uma escola particular e ganha pouco. Seu ltimo namorado perguntou-lhe por que nunca tinha feito concurso pblico para magistrio, ou mesmo para qualquer outra rea que exigisse nvel superior. Ela pergunta-se, hoje, surpresa:  mesmo, por que no? Aparentemente, Luana nunca pensou em outra sada. Principalmente nas sadas que exigissem iniciativa e escolha. Continuava atravessando os dias em movimento inercial. Mas agora est preparando-se para vrios concursos.
	No pode sair da casa dos pais e at hoje  tratada como adolescente, inclusive sendo proibida de fazer alguns programas ou chegar aps certo horrio. Hoje, considera seu ambiente familiar como sendo, ao mesmo tempo, causa e conseqncia desse seu funcionamento afetivo. Cresceu sendo controlada, mas como no reagia, mesmo depois de adulta, abriu a porta para que seus pais e irmos fossem tornando-se cada vez mais diretivos. Hoje em dia, v a conquista da independncia financeira como a sada mais lgica para esse impasse, e est fazendo por onde. A questo mais importante a trabalhar em terapia  o fato de, uma vez conquistado o seu objetivo, conseguir desvencilhar-se de sua dependncia afetiva tambm. Sem precisar de outras pessoas que apontem a direo, ou melhor, que a levem pelas mos.
	Uma observao muito importante  que a dependncia passiva ou ativa no  um funcionamento estanque. No dia-a-dia da nossa prtica clnica, pudemos observar que a grande maioria das pessoas alterna entre esses dois estilos, dependendo do contexto ou das pessoas com quem se est lidando. Um DDA que desenvolva relao de dependncia afetiva ativa com sua famlia pode funcionar em um estilo de dependncia passiva em seu trabalho ou na convivncia com amigos, por exemplo. Os nicos tipos menos flexveis que pudemos identificar, e que so minoria, sero descritos no prximo tpico.
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DEPENDENTES MASCARADOS (EGOSTAS).
Este  um tipo disfarado de dependente. Quando criana, apresentou histria de viver em um ambiente que no lhe dava segurana. Sentia-se desamparada, principalmente por ver em seus cuidadores comportamentos no s omissos, como tambm de desajustes patolgicos (vcios, doenas mentais, como Esquizofrenia, Psicose Manaco Depressiva etc.). Os comportamentos dos cuidadores eram vistos por essa criana como incapazes e hostis. Por isso resolve tomar as rdeas de sua prpria vida buscando realizaes externas para lhe conferirem segurana. No entanto, no alimenta o sentimento de se responsabilizar por seus familiares, uma vez que as alteraes de comportamento destes no foram vistas como fragilidade ou doena. Para ela, eram somente adultos fracos e hostis. Vestiu ento a pior de todas as roupas: a da indiferena. Pensou que assim seguiria sua vida, teria sucesso profissional e no teria vida afetiva. Afinal, quem precisa de pessoas problemticas por perto?.
Desse tipo so os adultos que alcanam grande sucesso em suas vidas profissionais, desde que possam exercer suas tarefas de forma solitria. Se so obrigados a desenvolver convvio em grupo, acabam por fracassar por total impossibilidade de se relacionar com equipes de trabalho.
	Quanto s relaes afetivas, no h o que falar, pois nem chegam a existir de fato. O que pode haver  um rudimento de relao em que regras rgidas so estabelecidas pelo mascarado, para que a convivncia com algum nunca se torne uma relao verdadeira.  muito difcil encontrar um parceiro que aceite tais limites. Se isso ocorre, estabelece-se uma convivncia formal e com poucas chances de ocorrer trocas que possam contribuir para a segurana emocional de ambos.
	Jlio  um tpico representante desse grupo. DDA hiperativo/impulsivo. Advogado bem sucedido,  um workaholic confesso aos 29 anos. Nascido em uma famlia de classe mdia baixa, a qual ele define como desestruturada. Provavelmente, a desestruturao vista por ele era a doena de seu pai, que sofria de Transtorno Bipolar do Humor (anteriormente chamada de Psicose Manaco-Depressiva). Sua me tinha freqentes crises depressivas e era bastante queixosa. Para ele, no passava de uma fraca. O pai, um incapaz. Os dois se escondiam atrs de suas doenas, em sua opinio. Muito cedo, aprendeu a engolir o choro e a resolver seus prprios problemas. Sentia que no podia contar com os pais para nada, muito embora j comece a admitir que lhes deu poucas chances. No perdoou as primeiras falhas dos pais e no quis pagar para ver se haveria outras.
	Autodidata, galgou posies e adquiriu conhecimentos sozinho, estudando em bons colgios pblicos, vencendo as disputas acirradas das perversas relaes candidato-vaga, muitas vezes estudando na garagem, j que seus familiares no respeitavam ou no compreendiam sua necessidade de isolamento. Foi favorecido com uma capacidade fantstica de hiperfoco.
	Hoje, mantm uma distncia da famlia definida por ele como segura. Faz questo de no auxiliar os pais ou irmos mais novos. No posso carregar em meus ombros o resultado da indolncia deles, frisa. Justifica-se dizendo que ...estaria perpetuando a pachorrice da famlia. Ouo por a que no se deve dar o peixe, mas sim ensinar a pescar. Mas nem isso tenho vontade de fazer. Nem isso tive, algum que me ensinasse a pescar! Est noivo h sete anos, mas no v com bons olhos a perspetiva de casar. Poderia considerar tal possibilidade, mas s se sua noiva concordasse em morar em casas separadas. Sua noiva faz parte de seu estilo de vida, mas no de sua vida, afetivamente falando. Faz questo que ela seja independente e incomoda-o a perspetiva de algum contar com ele ou precisar dele para alguma coisa. As despesas do casal so divididas na metade exata. Filhos, nem pensar. Procurou tratamento porque tem sentido uma incmoda falta de concentrao. Est ansioso com a proximidade dos concursos pblicos na rea jurdica. Em sua opinio, esse  o seu nico problema no momento. Sente-se infeliz, mas no sabe o porqu.
	Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo.
	e com cinco ou seis retas  fcil fazer um castelo.
	Corro o lpis em torno da mo e me dou uma luva.
	e se fao chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.
	Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel.
	num instante imagino uma linda gaivota a voar no cu.
	Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul. vou com ela viajando Hava, Pequim ou Istambul.
Aquarela (Toquinho).
	CAPTULO 6 - O QUE OS DDAS TM QUE OS OUTROS NO TM?.
idias, sensaes e emoes que no podem ser quantificadas: a questo da criatividade...
	.
Quando se pensa em DDA, logo vem  mente a imagem de um crebro em estado de caos, que ocasiona na vida de seus portadores uma existncia marcada por distraes, bombardeio constante de estmulos vindos de todas as direes, incapacidade de distinguir fatos relevantes frente aos irrelevantes, inquietao intensa e impulsividade fora de controle. Diante dessa viso restrita, pode-se ter a idia errnea de que todo DDA estaria fadado ao fracasso e insucesso na vida, principalmente na rea social e profissional.
	Mas  justamente a que surge uma questo, no mnimo, intrigante: como explicar ento o fato de DDAs brilhantes estarem presentes nas mais diversas reas profissionais? E, mais ainda, o que dizer sobre a genialidade inquestionvel de Mozart, Einstein, Henry Ford, Leonardo da Vinci, Van Gogh e muitos outros que apresentavam e apresentam um funcionamento DDA inegvel?.
Muitas teorias tm sido elaboradas com o intuito de elucidar a aparente inexplicabilidade do sucesso obtido por personalidades com comportamento DDA nos mais diversos setores do conhecimento humano. Infelizmente, a cincia no tem uma explicao exata para esse fato; at porque o funcionamento cerebral humano no segue nenhuma lgica aritmtica previsvel. Afinal, idias, sensaes e emoes no podem ser quantificadas, sob a pena de deixarem de ser caractersticas humanas imensurveis.
	Neste territrio to emprico, uma coisa  certa, o funcionamento cerebral DDA favorece o exerccio da atividade humana mais transcendente que existe: a criatividade. Se entendermos criatividade como a capacidade individual de ver os mais diversos aspetos da vida sob um novo prisma e ento dar forma e corpo a novas idias, ser notado que a mente DDA, em meio  confuso resultante do intenso bombardeio de idias,  capaz de entender o mundo sob ngulos habitualmente no explorados. Assim, quando um DDA pensa, por exemplo, na palavra azul, ele  capaz de acionar um sistema visual derivativo que, a partir da, torna possvel ver o mar, cu, lazer, calma, descanso, paz, natureza, romance, msica tranqila, sol, calor, e assim por diante. Esse pensamento derivativo de aspeto visual muitas vezes  responsvel por estados confusos e desatentivos, mas, por outro lado,  capaz de intensificar, de maneira bastante favorvel, o processo de criatividade.
	No  s a hiperatividade mental que favorece o processo criativo nos DDAs. Outros aspetos desse funcionamento cerebral devem ser destacados: a impulsividade, o hiperfoco e a hiper-reatividade.
	A impulsividade  responsvel pela escolha de uma idia entre milhares que circulam pelo crebro dessas pessoas. Sem o impulso, uma idia no poderia se corporificar em uma ao criativa. O que seria do automvel se Henry Ford no tivesse tido o impulso de transformar sua idia em uma criao de fato? Dessa maneira, pode-se entender o impulso como o meio de transporte mais eficaz para as idias comearem a sair do plano virtual para o real.
	O hiperfoco pode ser definido como a capacidade que um DDA possui de se hiper-concentrar em determinadas idias ou aes. Parece estranho falar em hiper-concentrao para pessoas que so designadas como portadoras de dficit de ateno, mas, como j havamos mencionado anteriormente, preferimos usar o termo instabilidade de ateno e no dficit. Isso porque um DDA pode alternar estados atencionais de maneira radicalmente intensa em funo do tema ou assunto em questo. Movidos por um impulso passional, os DDAs so capazes de permanecer horas e dias hiperconcentrados em uma determinada idia, possibilitando, dessa maneira, a realizao de um processo criativo at o seu ponto final  a obra criativa , a materializao da idia criativa inicial.
	A hiper-reatividade  responsvel pela capacidade da mente DDA em no parar nunca. Trata-se de uma hipersensibilidade que essas mentes possuem em se ligar a tudo ao mesmo tempo. Dessa forma, o crebro DDA funciona como uma antena parablica que gira todo o tempo, captando simultaneamente os mais diversos estmulos do mundo externo.  como se o mundo lhe fosse interessante e instigante todo o tempo. Por isso  to comum observar DDAs em situaes do tipo: lendo um livro enquanto assiste  TV e fazendo observaes coerentes sobre uma conversa familiar que est acontecendo ao seu redor.
	O grande poeta Fernando Pessoa ilustra de maneira irreparvel esse fato em um de seus poemas, ao afirmar: O mundo de to interessante que , chega a doer, a ranger, a enjoar, a cortar, a roar... talvez eu sinta demais....
A hiper-reatividade externa (em relao ao mundo) pode ser aliviada quando o DDA tenta colocar-se em ambientes mais calmos e, por isso mesmo, menos excitantes. No entanto, existe uma outra hiper-reatividade, a interna, que parece no ter fim.
	Esta, como o prprio nome indica, ocorre no interior do universo mental do DDA. Uma vez que sua mente est sempre reagindo a si mesma, ela pensa e repensa todo o tempo. Tal qual um vulco fora de atividade, um DDA pode apresentar-se calmo e tranqilo externamente mas, por dentro, mantm-se agitado e inquieto.
	Tanto a hiper-reatividade externa como a interna so responsveis por um estado de inquietao mental permanente, que acaba por manter toda uma rede de pensamentos e imagens em atividade intensa, propiciando assim o processo criativo dos DDAs.
	Antes de prosseguirmos  fundamental que sejam estabelecidos alguns conceitos. Quando se destaca que o funcionamento DDA propicia a criatividade, est se inferindo que estas pessoas, em sua grande maioria, so seres criativos. No entanto, nem todos sero criadores. O que pretendemos enfatizar aqui  a importncia do processo criativo ser concludo, ou seja, iniciar-se na idia ou pensamento criativo e finalizar-se na obra criativa. Como exemplo do exposto, destacamos o feito de Graham Bell. Ele partiu de uma idia criativa: tornar possvel a comunicao de pessoas que se encontravam distantes umas das outras. E seguiu at o ponto final desse processo, que se constituiu em sua obra criativa: o telefone. Atravs desse enfoque, pode-se afirmar que Graham Bell foi mais do que um ser criativo. Cabe-lhe o status merecido de criador.
	Exatamente nesta dialtica criativo X criador encontra-se o maior de todos os desafios para um DDA. A mgica est em tornar produtivo e completo todo esse mecanismo. A maioria dos DDAs se perde no meio desse caminho, dissipando sua energia em vrias frentes, em vez de canaliz-la para um nico objetivo de cada vez. Ser visto mais adiante que o cerne do tratamento dessas pessoas consiste em descobrir e organizar um processo de transformar idias em fatos, tal qual sair da inrcia para a ao. Afinal,  isso que distingue os indivduos criativos dos criadores.
	DDA, CRIATIVIDADE E HEMISFRIO DIREITO.
Em 1990, Alan Zametkin (do National Institute of Mental Health) constatou que havia uma ciranda bioqumica diferente nos crebros de pessoas DDAs, Seus estudos abriram as portas para um entendimento mais acertado, cientfico e, principalmente, justo, para milhares de pessoas que, em vez de serem corretamente identificadas e tratadas, eram discriminadas pela desinformao do comportamento DDA. Atravs de um exame chamado PET-SCAN  uma espcie de tomografia cerebral sofisticada que utiliza material radioativo , Zametkin pde avaliar o metabolismo cerebral, durante a realizao de tarefas que testavam a ateno e a vigilncia em indivduos com comportamento DDA. Ele observou uma reduo na captao de glicose radioativa no crebro dessas pessoas. Sabendo-se que a glicose (acar vindo dos alimentos)  a principal fonte de energia das clulas cerebrais, tem-se que a reduo de seu aproveitamento significa uma diminuio na atividade energtica dos crebros DDAs. O dado mais importante nesse estudo foi a constatao de que a reduo metablica era maior na regio frontal do crebro  a parte do crebro a que os leigos chamam fronte. Considerando-se que o lobo frontal  o grande filtro inibidor do crebro humano, pode-se entender que muitos dos sintomas DDAs surgem por uma reduo parcial do lobo frontal em bloquear e filtrar estmulos ou respostas imprprias vindas das diversas partes do crebro com o objetivo de elaborar uma ao apropriada no comportamento humano. Assim, se o filtro falha, a ao final ser mais intensa ou precipitada do que deveria ser. Da a impulsividade e/ou a hiperatividade no funcionamento desse crebro to sem freio quanto veloz.
	com relao  ateno ocorre o mesmo processo: sem um filtro eficiente, a mente DDA  invadida por uma avalanche de estmulos que acabam por desviar seu foco atentivo a todo instante. Por isso tudo  que costumamos dizer que os crebros DDA andam a 200 km/h, enquanto os demais mantm-se nos permitidos 80 km/h.
	Em estudos posteriores realizados por H. C. Lou, este chegou s mesmas concluses de Zametkin sobre a diminuio do fluxo sangneo (marcado com glicose) nas regies frontais dos crebros DDAs. No entanto, os estudos de H. C. Lou acrescentaram um pequeno e fundamental detalhe, demonstrando que a reduo da captao da glicose radioativa transportada pelo fluxo sangneo era maior e mais bem definida no hemisfrio direito do que no hemisfrio esquerdo do crebro.
	Essa pequena diferena pode ser decisiva para explicar o funcionamento DDA como um todo, tanto nos seus aspetos mais difceis quanto nos seus aspetos mais prodigiosos e criativos, como veremos adiante.
	Atualmente, muitos pesquisadores chegam a afirmar que o PETSCAN s possui valor complementar no processo diagnstico de um indivduo com histria pessoal de DDA, se a reduo do fluxo sangneo estiver restrita  regio frontal do hemisfrio direito do crebro. Confessamos ter muita simpatia por esses estudos, at porque em nossa prtica clnica temos solicitado como rotina o exame denominado SPET (exame muito semelhante ao PET-SCAN, j que este , ainda, de restrita disponibilidade no Brasil) em pacientes com histria clnica positiva para DDA e pudemos observar, ento, que os pacientes que apresentavam correlao mais fidedigna entre a histria pessoal de DDA e o resultado do SPET eram justamente aqueles em cujo exame era evidenciado um dficit de fluxo sangneo na regio frontal do hemisfrio direito do crebro.
	A correlao recente entre DDA e regio frontal direita evidenciada por tomografias sofisticadas cria um territrio favorvel a que se pense na existncia de uma assimetria funcional entre os hemisfrios direito e esquerdo no crebro dessas pessoas. Isso aconteceria pelo fato de o lobo frontal direito apresentar uma reduo em suas atividades inibitrias, possibilitando, dessa forma, uma atividade aumentada em todo o lado direito do crebro ou, pelo menos, em todas as reas do hemisfrio direito que tm conexo direta ou indireta com a regio frontal deste mesmo lado. Atravs dessas duas possibilidades tentaremos justificar algumas vertentes do comportamento DDA, enfatizando sua capacidade criativa a partir do raciocnio e suas tomadas de decises, ambos os mecanismos alimentados e endossados pelo combustvel da intensa rede emocional da mente DDA.
	Antes de prosseguir, gostaramos de deixar claro que as hipteses sobre o hiper funcionamento cerebral dos DDAs, a partir do lobo frontal direito, responsvel por sua capacidade criativa de base emocional, so abordagens exploratrias de base emprica, advindas de nossa prtica mdica diria e, por isso mesmo, longe de constituir-se certeza absoluta sobre to desafiante tema.  claro que alimentamos a esperana de que possam tornar-se verdades comprovadas com as descobertas cientficas, que viro com o tempo. No momento, no podemos impedir que nosso impulso mdico-cientfico selecione tais idias, com o intuito de compreender e explicar, pelo menos em parte, a to fascinante criatividade irracional do mundo DDA.
	.
HEMISFRIO DIREITO A VISO DO CONTEXTO NO TEXTO DA VIDA.
O crebro humano, como se sabe,  composto por duas grandes partes chamadas de hemisfrio direito e hemisfrio esquerdo, separados por uma estrutura neurolgica chamada corpo caloso, que seria uma espcie de ponte, tornando possvel a comunicao entre os dois lados cerebrais.
	Desde os primeiros estudos realizados, a partir da seo do corpo caloso, analisando assim o funcionamento em separado dos dois hemisfrios, at as pesquisas atuais sobre o crebro como um todo funcional, a partir da integrao harmoniosa dos dois lados, os cientistas vm esclarecendo, cada vez mais, as funes que cabem, preferencialmente, a cada um dos hemisfrios e a participao de ambos na manuteno da eficcia cerebral.
	O hemisfrio direito apresenta algumas capacidades que levam a conceitu-lo como o hemisfrio do contexto, ou seja, ele possibilita se ter uma viso geral do mundo. J o hemisfrio esquerdo oferece uma viso mais detalhista. Dessa maneira, pode-se inferir que o lado esquerdo do crebro escreve o texto de nossas vidas e o lado direito se encarrega do contexto dessa histria.
	Em seu livro A mente certa, Robert Ornstein nos diz: A viso geral do hemisfrio direito pode incluir a compreenso do objetivo de uma discusso; a compreenso das associaes necessrias para entender uma piada; a reunio de expresso facial, tom de voz e informao textual para entender o que a outra pessoa quer dizer; ou criatividade e gosto pela literatura. Assim, quando ocorrem distrbios nesse hemisfrio, a viso global do indivduo tambm ser alterada, chegando em alguns casos a abalar profundamente os alicerces de sua vida mental. Quando ocorrem leses adquiridas (acidentes, isquemia por falta de circulao sangnea, traumatismos cerebrais etc.) no hemisfrio direito, a capacidade de inferir, de entender com rapidez e de atualizar o entendimento de uma situao, de compreender o que se passa ao redor e o que se deve fazer  alterada, podendo ocasionar graves modificaes no raciocnio.
	Por outro lado, caso haja um excesso de ativao do hemisfrio direito, ocorrer toda uma exacerbao dos processos citados acima. Isso pode ser exatamente o que ocorre com os crebros DDAs. Seguindo essa linha hipottica, observamos que, por terem uma viso contextual (global) exacerbada, os DDAs teriam toda uma gama de pensamentos alternativos que os levariam a ver a vida sob um novo foco, criando, assim, o terreno ideal para o exerccio da criatividade.  como imaginar o mundo sob uma viso mope. Tiram-se os culos e tudo muda de foco. Talvez tenha sido assim que pintores impressionistas, como Monet, revolucionaram o mundo da pintura colocando-a sob uma nova tica de traos, cores e sentimentos.
	Cabe aqui uma pequena observao sobre o sistema educacional que, no Ocidente, carece de uma abordagem contextual. O mais clssico exemplo dessa abordagem  o ensino de Matemtica. Grande parte da informao fornecida nessa disciplina  totalmente desconectada do contexto de nossas vidas cotidianas. Quando no h essa conexo, a informao aprendida perde-se rapidamente, tornando-se apenas uma memorizao temporria e intil. Esse fato no ocorre apenas na Matemtica, mas praticamente em todas as disciplinas do currculo estudantil. Tal explicao pode levar  compreenso do fato de mentes DDAs brilhantes terem apresentado uma vida acadmica no limiar da mediocridade.
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LOBO FRONTAL: O PORTAL DA MENTE.
Quando era criana, ouvia os adultos dizerem que So Pedro era o porteiro do cu. Ficava horas imaginando aquele senhor alto de barbas brancas que olhava para cada um de ns por algum tempo e, logo aps, emitia seu veredicto: Vais para o cu ou Vais para o inferno. Muitas vezes tentava descobrir o que So Pedro pensava sobre meu comportamento. Afinal, tem que se ir para algum lugar um dia, e  bvio que queria seu carimbo de visto liberando meu acesso ao cu. Sonhei, acordada, vrias vezes com seu sorriso largo abrindo-me a porta do paraso e isso me fazia sentir muito bem.
	J se vo muitos anos, mas confesso que aquela imagem sempre me vem  cabea em momentos de decises. Sorrio e tenho saudades do tempo em que So Pedro me ajudava a organizar todo o meu aparato mental na busca de solues que acalmariam meu corao.
	 claro que tive uma educao catlica que acabou por influenciar bastante minhas tomadas de deciso. No entanto, o que isso tudo tem a ver com os DDAs e seu complexo comportamento?.
Atravs dos anos fui desenvolvendo um interesse quase obsessivo sobre o comportamento humano e acabei por deparar-me com o lobo frontal. Este foi considerado uma regio cerebral sem muita importncia no passado, chegando mesmo a receber denominaes depreciativas como o lobo do nada. Isso porque leses ocorridas em seu interior no se manifestavam em perdas corporais visveis. Leses no lobo frontal freqentemente no eram acompanhadas de perdas motoras (paralisias ou hemiplegias) que tanto chamavam a ateno nos pacientes que sofriam leses no lobo parietal.
	Hoje, no entanto, a histria comea a mudar de maneira radical. O interesse pelo lobo frontal nunca foi to grande como agora, e tudo isso porque pesquisas o apontam como a estrela maior do comportamento humano. Tento conter o entusiasmo que as revelaes de estudos sobre ele tm me causado. Arrisco dizer que o lobo frontal  o portal da mente humana e, como tal,  o grande maestro do comportamento de cada um de ns. O So Pedro do universo mental, caso eu queira dar uma satisfao ao meu universo infantil.
	Primeiramente,  importante entender que a mente  algo muito maior e mais complexo que a estrutura cerebral em si. A mente  constituda por um imenso banco de imagens distribudas por todo o crebro. Explicaremos melhor: um organismo s  detentor de uma mente quando possui a capacidade de gerar imagens internas e de as utilizar de maneira organizada para a formao dos pensamentos. Os pensamentos, por sua vez, tm a capacidade de se unir na busca de um objetivo comum. Da se obter, ento, um raciocnio que passar por um processo de seleo, cujo resultado ser uma tomada de deciso refletida em um comportamento.
	Ter comportamentos ou aes inteligentes no significa ter mente. Somente os organismos que apresentam o processamento cognitivo (baseado na capacidade de pensar) possuem uma mente.
	 importante frisar que mesmo os pensamentos relativos a palavras ou outros smbolos (como notas musicais) tambm se constituem em imagens representativas, uma vez que palavras, frases, textos e sons existem sob a forma de imagens em nossa mente.
	As aes individuais e sociais tero sempre como objetivo a sobrevivncia, seja ela no plano literal (vida e morte), seja no metafrico (aspeto emocional). Sempre estamos buscando tomar decises que possam ser benficas a cada um de ns individualmente. Para isso,  necessrio um imenso repertrio de conhecimento sobre o mundo externo e sobre o que acontece em nosso mundo interno (nosso corpo e crebro). Esse conhecimento vem do processamento organizado das imagens mentais. No entanto, o crebro humano retm todo o seu conhecimento de forma fragmentada, isto , as diversas partes que compem o conhecimento encontram-se espacialmente distribudas em vrias reas do crebro. Assim, para que a engrenagem do raciocnio e a tomada de aes funcionem a contento,  necessrio que a ateno e a memria selecionem e armazenem informaes para que o conhecimento adquirido na forma de imagens seja utilizado ao longo do tempo e possa auxiliar na previso de fatos futuros e planejamento de aes a partir dessas suposies.
	Outro aspeto fundamental na tomada de decises nos seres humanos  a participao das emoes e dos sentimentos nesse processo. As emoes despertam reaes fsicas em todo o corpo (taquicardia, reaes viscerais, contrao muscular etc.) que so transmitidas ao crebro e levam  elaborao de imagens mentais na forma de sentimentos. Esses sentimentos elaborados no crebro podero despertar boas ou ms lembranas que resultaro em reaes especficas em cada ser humano, frente a uma determinada situao.
	As emoes desencadeiam, assim, reaes instintivas vindas do corpo e reaes cognitivas no crebro, atravs do sentimento que nada mais  do que o pensamento em forma de imagem, iniciado no processo emocional. Assim deve ser considerada a enorme influncia que as emoes exercem sobre o comportamento humano.
	Por conseguinte, podemos afirmar que as aes humanas so fortemente influenciadas tanto pelas emoes quanto pela razo.
	.
LOBO FRONTAL: EMOO E RAZO.
O lobo frontal apresenta-se como uma regio muito especial na modulao do comportamento humano, isto porque nessa rea cruzam-se sistemas neurais responsveis pela razo e pela emoo.
	FRONTAL ventromediano.
dorsolateral.
somatossensorial.
ESQUERDO.
DIREITO.
OCCIPITAL.
Segundo estudos realizados por Antnio R. Damasio (Universidade de lowa), haveria trs regies no lobo frontal que estariam comprometidas direta e indiretamente com o processo de raciocnio, tomada de decises, emoes e sentimentos. A regio frontal ventromediana, quando danificada, alteraria tanto o raciocnio para tomadas de deciso quanto as emoes e sentimentos, especialmente nos campos social e pessoal. Nessa regio ocorreria, ento, um cruzamento entre razo e emoo.
	A regio somatossensorial, localizada no hemisfrio direito, quando danificada, comprometeria tambm o raciocnio e tomada de decises, e as emoes e sentimentos. No entanto, algo mais se altera com o dano desta regio: os processos de sinalizao bsica do corpo (os sinais vindos do nosso corpo, como taquicardia, tremores, sudorese, contrao muscular etc.).
	E, por fim, a regio dorso-lateral, cujo dano tambm ir acarretar comprometimento do raciocnio e tomada de decises, sendo, no entanto, de outra forma. A alterao observada com o dano dessa rea seria um comprometimento de operaes cognitivas gerais ou especficas (fala, nmeros, objetos ou espao).
	No caso especfico do DDA, as duas primeiras regies exercem uma influncia maior. Discorreremos um pouco mais detalhadamente sobre elas.
	Se considerarmos o lobo frontal direito, regio de maior interesse no funcionamento DDA, veremos que essa rea recebe, na sua parte chamada ventromediana, sinais vindos do crebro de contedos racionais (pensamentos) e sentimentais (parte racional das emoes) e na sua parte chamada somatossensorial, contedo emocional (instintivo) vindo dos sinais corporais.
	Se partirmos da hiptese de o lobo frontal direito ser hipofuncionante nos DDAs, poderemos considerar as seguintes situaes:.
1. A quantidade de pensamentos e sentimentos vindos das diversas reas cerebrais chega em maior nmero e com maior intensidade nessa regio, em funo da ao filtrante (moduladora) do lobo frontal direito estar diminuda. Assim, tem-se o cognitivo e o emocional exacerbados na tomada de decises dos DDAs.
	2. Os processos cognitivos aumentados criam um leque maior de possibilidades de raciocnio que pode ser responsvel pelo grande potencial criativo dos DDAs. com isso, ampliam-se as possibilidades de solues para um determinado problema.
	3. Os processos emocionais aumentados podem constituir-se em um fator favorvel para a tomada de decises, apesar de existir uma crena predominante sobre o fato de as emoes atrapalharem na tomada de decises acertadas. A influncia positiva das emoes nas aes dos DDAs pode se dar, a nosso ver, de trs maneiras:.
3.1. No processo imaginativo - como se Ao imaginar, situaes no existentes de fato, os DDAs ativam todo um processo no lobo frontal que conduzir a um conhecimento virtual ou simulado, que poder servir-lhe em situaes reais futuras.
	3.2. No uso da intuio. Muitas vezes, a ateno dos DDAs desperta emoes e sentimentos sem que eles tenham conscincia disto. Por isso, repetimos que o termo dficit de ateno , no mnimo, imprprio. Os DDAs so capazes de atentarem para vrias coisas ao mesmo tempo, mas s se do conta disso quando fazem uma hipe-concentrao, que chamamos de hiperfoco. Os sinais vindos dessa ateno dispersa dos DDAs so registrados pelo corpo e crebro e acabam por constituir uma influncia oculta (na forma de memria inconsciente) nas aes dos DDAs. Essa influncia pode manifestar-se de forma atrativa ou aversiva. Nesse sentido, muitas decises intuitivas dos DDAs podem conduzi-los por caminhos certos ou afast-los de caminhos errados sem que tenham controle consciente desses fatos. Hoje, sabemos que a capacidade de tomar decises intuitivas  um ingrediente essencial no processo da criatividade humana.
	Einstein se constitui em um exemplo tpico dessas duas caractersticas DDA (como se e intuio). Certa vez ele chegou a afirmar: Meu sucesso se deve muito mais  minha imaginao e  minha intuio do que ao meu conhecimento tcnico..
3.3. E, por fim, observa-se que as emoes positivas na forma de paixo podem levar os DDAs a uma hiper-concentrao instintiva (hiperfoco) sobre determinado conhecimento. E  justamente esta capacidade de hiperfoco que cria no DDA a persistncia necessria para que sua criatividade se expresse em criao.
	Como se constata, razo e emoo exacerbadas no lobo frontal direito dos DDAs podem constituir o grande diferencial positivo desses indivduos no exerccio de sua capacidade criativa original.
	Eu dou a volta, pulo o muro. Mergulho no escuro.
	Sarto de banda.
	Na minha vida ningum manda no. Eu vo alm desse sonho.
De repente Califrnia .
	(Lulu Santos e Nelson Motta).
	CAPTULO 7 - POR ONDE O IMPULSO ME LEVAR...
	os desbravadores, os acionistas, os artsticos e os performticos...
	.
Como j foi visto, existem trs tipos bsicos de DDAs: DDAs predominantemente hiperativos e impulsivos, DDAs com desateno predominante e os DDAs combinados (desateno e hiperatividade/impulsividade). Ao longo dos anos, outras incontveis distines no-oficiais foram feitas com o intuito de entender variaes pessoais dentro deste vasto universo formado por milhares de pessoas que apresentam o comportamento DDA,.
Quando veio-nos  mente a possibilidade de criar mais uma classificao para as pessoas com DDA, tivemos receio de estar contribuindo para que mais rtulos fossem incorporados  vida desses indivduos. O problema com os rtulos  que, na maioria das vezes, eles tendem a simplificar toda a complexidade existente nos comportamentos humanos.
	Em um esforo explcito para entendermos a maneira pela qual os impulsos dos DDAs podem influenciar na descoberta de seu talento essencial e na maneira pela qual podem chegar a uma produtividade pessoal, por meio de sua correta utilizao, permitimo-nos subdividir este grande grupo em quatro subtipos, segundo suas variaes impulso-vocacionais.
	Como em toda classificao existente, as pessoas podero encontrar simultaneidade e permutabilidade entre os subtipos apresentados. Por isso deve-se optar pela avaliao das principais caractersticas em um dado momento na vida de um DDA. Assim, apresentaremos os subtipos da nossa classificao:.
Classificao Impulso-Vocacional:.
 Subtipo Desbravador;.
 Subtipo Acionista;.
 Subtipo Artstico e.
 Subtipo Performtico.
	Ao final da descrio de cada subtipo, teceremos alguns comentrios sobre as possveis aes que devem ser adotadas com o objetivo de estabelecer-se o caminho mais curto e eficaz entre o impulso criativo de um DDA e a sua materializao na forma de descobertas, aes audaciosas, obras artsticas ou representaes artsticas.
	Devemos salientar que, ao nosso ver, todos os DDAs possuem, em maior ou menor intensidade, um impulso criativo em funo da maneira diferenciada atravs da qual vem o mundo. E, como j visto, o impulso acaba por selecionar a rea na qual a criatividade ir manifestar-se. Foi a partir da que pudemos identificar os subtipos citados.
	Mais que uma nova classificao, a descrio desses subtipos tem o objetivo principal de estabelecer a orientao e direcionamento produtivo de todo o processo.
	.
 O DESBRAVADOR.
Sem dvida, a caracterstica mais marcante deste subtipo  a sua capacidade em abandonar velhos hbitos e abrir novos caminhos. O impulso criativo localiza-se na busca mental incessante por novas idias, projetos, descobertas, invenes e empreendimentos. Os desbravadores esto sempre centrados no que est por vir. Para eles, o melhor da festa no est nos preparativos nem na festa em si e sim na prxima, que j fervilha em sua mente.
	Provavelmente, foram os ventos impulsivos da busca que conduziram os grandes navegadores rumo ao Novo Mundo. Nesse sentido, a Amrica  o exemplo ideal de uma descoberta visionria que teve seu incio nas mentes frteis de homens DDAs que materializaram produtivamente seus impulsos num encontro real e previamente imaginado.
	O DDA desbravador  uma pessoa com muita energia mental e que possui um grande poder de idealizar novos caminhos e possibilidades. Entre eles encontram-se grandes arquitetos, cientistas, engenheiros, fsicos, mdicos e muitos outros profissionais envolvidos na incessante busca de novas e futuras perspetivas.
	O grande problema para esses desbravadores  o fato de tenderem a uma insatisfao constante. Para eles h sempre algo mais interessante na prxima curva da estrada. Por isso mesmo acabam, com freqncia, desviando-se de seus propsitos originais antes que possam ser concludos.
	Em funo disso, o desbravador deve sempre ter em mente as seguintes dicas:.
1- Suas idias precisam materializar-se, sob pena de no cumprirem sua funo.
	com esse objetivo, tente dividir seu projeto inicial em etapas, isso ir ajud-lo no rduo processo de concluso. Pense tambm na possibilidade de contar com a ajuda de outras pessoas que podem no ser to boas em ter grandes idias, mas podem ser bastante eficazes em conclu-las.
	2. Tente relaxar de vez em quando e aproveite esses momentos para analisar o que j construiu.
	Buscar sempre  emocionante, mas pode criar uma desagradvel sensao de que ainda h muito caminho a percorrer. Por isso mesmo, o desnimo pode tomar conta de voc. Pare, veja tudo o que voc j realizou, orgulhe-se disso e continue sua construo, evitando entrar no ciclo contnuo de reinventar-se o tempo todo.
	.
 O ACIONISTA.
Ao! Esta  a palavra de ordem de um acionista. Seu impulso criativo est localizado no ato de agir todo o tempo e grande parte de sua energia est colocada em seu corpo, que reluta de forma implacvel contra qualquer tipo de inrcia. Diferentemente do desbravador, o acionista vive fixado nos detalhes existentes no caminho da concluso.
	Neste subtipo encontram-se os profissionais chamados de workaholic, os desportistas obcecados por sua auto-superao e os apaixonados em correr riscos, principalmente fsicos, em suas vidas cotidianas.
	O acionista vive hiper-focado em agir dentro da rea de atuao que seu impulso elegeu. Quando esse hiperfoco  exercido na forma de uma atividade laborativa, tende a ter uma grande aceitao social, uma vez que seu funcionamento costuma ser associado a nveis de produtividade fora do comum.
	Isso pode gerar uma idia errnea sobre a capacidade produtiva dos demais DDAs.
	O viciado em trabalho (workaholic)  to obcecado em agir no trabalho que ele pode, na verdade, estender suas tarefas retardando a concluso das mesmas. Alm disso, tende a atrofiar todos os demais setores de sua vida (pessoal, afetiva, social e familiar), o que pode lhe render muita culpa e remorso.
	Por isso, o acionista no deve se esquecer de: 1. Administrar melhor seus horrios no trabalho de maneira a produzir mais com menos tempo e gasto energtico.
	Tente ser menos controlador. Ao trabalhar em equipe, deixe que cada um assuma suas responsabilidades. Fazer diferente no significa fazer pior, o importante  o resultado final do trabalho. Dessa maneira,  possvel dividir o sucesso e tambm o fracasso, ajudando muito a lidar com as situaes difceis.
	Lembre-se: Sonho que se sonha s,  s um sonho, sonho que se sonha junto  realidade..
2. Impor-se limites.
	Reserve tempo em sua agenda para o lazer, a famlia e os amigos. Faa disso um compromisso e cumpra-o com o mesmo empenho dedicado em seu trabalho.
	3. Todo excesso tem conseqncias.
	Se voc  um workaholic, pense na falta de identidade que voc poder vivenciar, quando seu trabalho acabar ou for interrompido por alguma razo.
	Se voc  um desportista profissional, lembre-se de que sua vida  muito mais longa que sua carreira. Reflita no que fazer aps esse perodo, pois sua identidade pessoal no pode terminar com o declnio de sua pujana fsica.
	Se voc gosta de viver perigosamente, envolvendo-se em situaes de grande risco, lembre-se de que viver bem  viver com sade e liberdade de ir e vir. Voc pode ter sua vida abreviada por um acidente ou viver muitos anos com o desconforto de alguma seqela fsica ou mental (como paralisia, grandes queimaduras, falta de sensibilidade, depresses, dores crnicas etc.).
	.
 O ARTSTICO.
O DDA artstico  aquele cujo impulso criativo ir concentrar-se em seus sentimentos e sensaes. A expresso ou a transmisso desses sentimentos e sensaes ganhar carter de concretude na obra de arte manifestada nas mais diversas maneiras: msica, pintura, escultura, poesia, dramaturgia, entre outras.
	Por serem hiper-focados em seus sentimentos, tendem a vivenci-los de forma bem intensa, o que pode exacerbar a instabilidade de humor to tpica de todos os DDAs. O artstico apresenta grande dificuldade em estabelecer relaes de intimidade com as pessoas, em funo do medo gerado pelos sentimentos despertados nesse tipo de relao. Escondem o seu eu mais ntimo nas vivncias cotidianas e, tal qual uma roupa de camuflagem, se expressam externamente nas obras de arte que produzem. Se voc  um DDA artstico, lembre-se:.
1. A vida  intensa, mas no engole criancinhas.
	Tente ter em mente que seus sentimentos e sensaes funcionam acima da mdia, assim, em momentos difceis, sofra. Mas no se desespere, pois tudo passa. Sentimentos intensos so o seu meio de criar e no de ser infeliz.
	2. Intimidade requer sinceridade.
	Para ficarmos ntimos de algum temos que estar capacitados a ser ns mesmos, s assim ser possvel confiar no amor dos outros. Assim, mostrando-se como voc , ao ser amado, o ser de verdade. Isso gera autoconfiana e condio de enfrentar os eventuais problemas surgidos em uma relao afetiva.
	3. Atrs de sua obra est voc.
	Voc  a sua arte tambm. Existe dentro de voc a capacidade infinita de gerar muitas outras obras de arte. Afinal, a fonte destas  a sua essncia mais verdadeira. Valorize-se.
	.
 O PERFORMTICO.
Na realidade, o performtico  uma variao do artstico, uma vez que seus inmeros personagens no deixam de ser uma expresso de seus sentimentos mais ntimos.
	A diferena bsica e sutil entre o artstico e o performtico est na maneira e na finalidade com que este ltimo utiliza seus diversos personagens. Em geral, so vrios, simultneos e todos acabam participando do cotidiano dessas pessoas. Dessa maneira, acabam por expressar facetas do seu complexo comportamento. Na maioria das vezes essa atuao visa agradar ou distrair os outros, ou ainda encobrir algo que o performtico julga estar faltando-lhe ou incapacitando-o, em determinadas situaes.
	O performtico tende a falar muito em pblico, dominando conversas com seu humor refinado e requintado.  muito divertido estar perto deles, com suas reaes rpidas e pensamentos surpreendentes, transformando situaes embaraosas em momentos de diverso contagiante.
	Sua habilidade de performance (capacidade de atuar) no s cria sadas brilhantes para situaes escabrosas, como tambm costuma compensar dificuldades sociais e encobrir uma auto-estima baixa.
	Por isso mesmo, apresentam-se muito bem na frente de platias ou mesmo multides, no entanto mostram-se bastante embaraadas em situaes ntimas do tipo cara a cara afetivo.
	Nesse subtipo de DDA encontram-se os grandes comediantes do circo, cinema, televiso e teatro. Todos apresentam em comum o grande glamour de contagiar multides, fazendo rir ou chorar. Por outro lado,  comum que se apresentem tmidos e recatados em situaes de intimidade pessoal.
	Se voc  um performtico, no se esquea:.
1. Desencadear emoes nas pessoas  um talento especial.
	Orgulhe-se disso e tente organizar-se para fazer desse dom algo no somente bom para os outros, mas para voc tambm.
	Utilize seu talento para proporcionar alvio emocional para aqueles que precisam e lhe procuram. Voc  realmente bom nisso.
	Evite utiliz-lo para encobrir suas fragilidades ou simplesmente ser aprovado pelos outros. Aceite seus pontos fracos, s assim aprender a lidar com eles sem desviar o rumo certo de seu talento.
	2. Pergunte a si mesmo o porqu de suas vrias performances.
	Isso ser fundamental para o seu autoconhecimento e seu aprendizado em direo  utilizao apropriada de seu dom e a conseqente melhoria de sua auto-estima advinda dessa nova viso de si mesmo: voc  possuidor de um talento especial que o capacita a ajudar milhares de pessoas e no um inseguro disfarado de vrios personagens em fuga constante.
	3. Reserve momentos de intimidade com voc mesmo ou com algum especial.
	Fazer um show  muito bom, mas viver no palco  muito exaustivo e solitrio. Procure algum com quem voc possa se abrir e exercitar a difcil arte de ser feliz, sendo voc mesmo.
	CAPTULO 8 - PERSONALIDADES COM SUPOSTO FUNCIONAMENTO DDA.
	de Einstein a Marlon Brando: um museu de grandes novidades...
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Um museu de grandes novidades. Essa metfora de Cazuza  a porta de entrada deste CAPTULO. Durante sua leitura, lembre-se do seguinte: em momento algum afirmamos que pessoas  que se destacaram em diversos ramos das atividades humanas  so DDAs, mas sim que apresentaram ou apresentam comportamento com caractersticas bastante sugestivas de um funcionamento mental DDA. Como se suas vidas, tornadas pblicas, pudessem suscitar a formao de um determinado tipo de personagem fictcio com perfil de DDA tpico.
	A escolha desses personagens conhecidos teve como objetivo facilitar a compreenso do DDA, embora no seja um funcionamento mental exclusivo de personalidades famosas. Alm disso, a quantidade de informao sobre a vida das personalidades citadas  bastante ampla e facilitou a identificao do comportamento DDA. E, finalmente, a convivncia com algumas dessas pessoas ajudou em muito na viabilizao deste CAPTULO.
	Albert Einstein  Uma intuio nada relativa..
Quem no conhece aquele retrato do velhinho com a lngua para fora? Einstein  sinnimo de genialidade, irreverncia e simpatia.
	Desde cedo rebelou-se contra o tradicional sistema educacional.
	Questionava muito os dogmas e detestava ter que decorar matrias. Porm, mais tarde, Einstein apresentou um sintoma que freqentemente  encontrado no comportamento DDA: o da hiper-concentrao. Passava horas, s vezes dias, concentrado em um problema. Entretanto, isso somente acontecia com temas de seu interesse. Sua aguada intuio sugeria que sua mente inquieta fazia inmeros registros inconscientes dos acontecimentos cotidianos, que acabavam por conduzir seus estudos por caminhos inesperados, porm sempre assertivos. Sua descoberta mais significativa, a Teoria da Relatividade, foi elaborada de forma intuitiva, quando era ainda bastante jovem. Posteriormente, ele e outros cientistas comprovaram a veracidade da fortuita descoberta.
	Einstein tinha um perfil visionrio nato. Possua uma habilidade incomum para visualizar os fenmenos que se tornavam foco do seu interesse. Sobre esse aspeto peculiar, temos as seguintes afirmaes: Quando me examino e a meus mtodos de pensamento, chego  concluso de que o dom da fantasia significou muito mais para mim do que meu talento para absorver conhecimento positivo.
	Os homens ainda, vo levar muito tempo para perceber que pessoas como Gandhi sero presenas raras na histria da humanidade.
	A bomba atmica no  a pior de todas as bombas. A maior delas ainda est por vir, e ser acionada pela desintegrao das relaes humanas, que ir ocorrer no futuro.
	Ao explicar como chegou  Teoria da Relatividade, o brilhante cientista deu o seguinte depoimento:.
Como foi que aconteceu que fui eu a pessoa a desenvolver a Teoria da Relatividade? A razo, penso eu,  que um adulto normal nunca pra para pensar sobre problemas de espao e tempo. Essas so coisas nas quais ele pensou quando criana. Mas o meu desenvolvimento intelectual foi retardado, em resultado de eu ter comeado a me perguntar sobre espao e tempo somente quando j tinha crescido. Naturalmente, eu pude ir mais fundo no problema do que uma criana com capacidades normais.
	Impaciente e inquieto, desprezava aqueles que tinham medo de quebrar protocolos e conceitos tradicionais:.
Eu no tenho pacincia com cientistas que pegam uma tbua de madeira, procuram sua parte mais fina, e a perfuram onde  mais fcil, fazendo muitos buracos.
	Polmico, amado, odiado, invejado... uma das figuras mais importantes do sculo XX, Einstein, o velhinho simptico das caretas e da alegria, foi uma eterna criana que soube transformar a ilimitada imaginao infantil em uma grande contribuio para toda a humanidade.
	Fernando Pessoa  Um navegador de vrias almas. Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa sinaliza em sua obra traos de uma mente com funcionamento DDA: inquietao, contradio, desorganizao, devaneios, hiper-concentrao, criatividade, intolerncia ao tdio, dificuldade em seguir regras...
	Criou vrios eus, os famosos heternimos, para descrever o mundo sob diversos ngulos: Criei em mim vrias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu  imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonh-lo, e eu no..
Lendo sua obra, observam-se exemplos indicativos de um comportamento DDA. Como no poema Liberdade, no qual fustiga o tdio e desafia conceitos estabelecidos:.
Ai, que prazer/no cumprir um dever/ter um livro para ler/e no o fazer!/ Ler  maada/estudar  nada./O sol doira sem literatura/O rio corre bem ou mal,/sem edio original/E a brisa, essa, de to naturalmente matinal/ como tem tempo, no tem pressa.../Livros so papis pintados com tinta/ Estudar  uma coisa em que est indistinta/A distino entre nada e coisa nenhuma/Quanto melhor  quando h bruma/Esperar por D. Sebastio,/ quer venha ou no!/Grande  a poesia, a bondade e as danas.../Mas o melhor do mundo so as crianas/flores, msica, o luar, e o sol que peca/ s quando, em vez de criar, seca/E mais do que isto/ Jesus Cristo,/que no sabia nada de finanas,/nem consta que tivesse biblioteca...
	A contradio, a viso imprecisa sobre si mesmo e a baixa auto-estima tambm aparecem de maneira clara no poema Tabacaria, do heternimo lvaro de Campos. Um momento de inspirao de Fernando Pessoa, que se autodenominava o Poeta da Natureza:.
No sou nada/Nunca serei nada/No posso querer ser nada/ parte isso/ Tenho em mim todos os sonhos do mundo...
	Ia da tristeza  alegria em curtos espaos de tempo, indicando ser uma personalidade inquieta e de humor instvel. Embora muitos o acusem de ser um poeta melanclico e pessimista, a esperana e o desejo de melhorar as pessoas tambm aparecem em sua obra, como no poema Para ser grande, de um dos seus mais importantes heternimos, Ricardo Reis:.
Para ser grande, s inteiro: nada teu exagera ou exclui. S todo em cada coisa. Pe quanto s no mnimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.
	Henry Ford  Um desbravador abrindo a estrada do futuro. Henry Ford  considerado o pai da indstria automobilstica. Nasceu em 1863 e faleceu em 1947, aos 83 anos. Foi o homem que revolucionou o mtodo de produo das empresas com a chamada linha de montagem em srie, que consistia em organizar as pessoas no sistema de produo em tarefas especializadas e repetitivas, de forma a economizar tempo na fabricao de seus automveis. Esse mtodo poupava quase metade do tempo de produo, o que permitiu a Ford pagar US$ 5 por hora a seus trabalhadores em vez de US$ 3, como era comum na poca.
	Rompeu com as concepes do seu tempo e mergulhou fundo no projeto de construir carros para todos e fez grande parte do mundo adotar esse meio de locomoo.
	Vocs, meus seguidores, e outros que observam a minha mensagem, vero que no futuro o sistema de produo no ser como foi at hoje. No ser um sistema de destruio macia, mas um sistema de produo macia.
	Crescei e multiplicai-vos. Esta frase da Bblia era um dos argumentos que usava para defender sua teoria da produo macia.
	Sua inquietao contra o velho sistema fez com que, posteriormente, voltasse a romper com as regras do mercado ao aumentar os salrios dos seus funcionrios e diminuir a carga de trabalho. com essa medida conseguiu aumentar a produo e conquistar seus funcionrios, fazendo com que vestissem a camisa da empresa.
	Ford, que sempre sofreu ataques da sociedade da poca, respondeu com uma surpreendente frase a uma crtica aos seus modelos: O consumidor pode escolher a cor que ele quiser para seu carro, desde que seja preto..
Porm, mais tarde, aps a Primeira Guerra Mundial e a conseqente crise, Ford lanou novos modelos com outras cores, mudando a prpria norma.
	Um provvel DDA desbravador que deu uma carona para o desenvolvimento da humanidade.
	James Dean  Um astro em velocidade mxima..
Nasceu em Marion, Estados Unidos, no dia 8 de fevereiro de 1931.  at hoje um dos grandes mitos do cinema americano e mundial. Sua curta existncia foi intensa e marcante. Foi o grande rebelde da juventude dos anos 50. Sua permanente inquietao e atrao impulsiva em correr riscos sugerem um comportamento DDA com perfil acionista. Tal qual Ayrton Sena, James Dean estabeleceu um hiperfoco em sua vida: viver sempre no limite.
	Morreu aos 24 anos, dirigindo seu Porsche em alta velocidade, justamente quando ia participar de uma corrida de carros. Curiosamente, em um de seus filmes, aposta corrida com outro personagem que morre acidentado. A vida imitou a arte, mas substituiu a vtima.
	James Dean fez pontas em vrias produes antes de ser o protagonista dos seus trs nicos filmes.
	Rebelde sem causa  um marco do cinema e influenciou o comportamento dos jovens em todo o mundo.
	James foi uma pessoa inquieta, rebelde, avessa s normas e convenes, e extremamente impulsiva. Um talento desperdiado pela atrao incontrolvel de desafiar a morte para se sentir vivo e forte.
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Leonardo da Vinci  Imaginao sem fronteiras..
Da Vinci nasceu em 15 de abril de 1452. Para muitos, o maior gnio de todos os tempos. Uma mente movida por uma inquietao inacreditavelmente desbravadora.
	Alm de grande mestre da pintura, foi tambm arquiteto, botnico, urbanista, cengrafo, cozinheiro, inventor, gegrafo, fsico e at msico. Da Vinci deixou uma infinidade de obras inacabadas, pois comeava vrios projetos ao mesmo tempo, uma caracterstica bem comum em mentes com funcionamento DDA. Muitos o julgavam fracassado por deixar tantas obras incompletas.
	Leonardo ia para feiras de animais, comprava muitos passarinhos s para libert-los em seguida. A liberdade era o alicerce de sua criao. Grande era sua sensibilidade. Dizia: Quanto maior a sensibilidade, maior o sofrimento... Muito sofrimento..
Tinha uma percepo apurada do mundo e dos acontecimentos e uma maneira diferente de ver as coisas, uma das caractersticas das mentes com funcionamento DDA. Leonardo da Vinci dizia: Muitos vem, mas no enxergam..
	Ludwig van Beethoven  O maestro que transformou o silncio em msica..
Sexto filho de uma famlia de cinco irmos deficientes, Beethoven teve um incio de vida muito parecido com o de Mozart: tambm foi explorado pelo pai, que julgava-o um virtuose e forava-o a estudar msica. Porm, Beethoven tocou timidamente diante dos nobres e foi considerado uma farsa. Seu professor de composio, Albrechtsberger, dizia que era um indisciplinado e nunca aprenderia nada de msica. Dizia que Beethoven era um caso perdido como compositor. O tempo passou e o genial maestro, inquieto, polmico e incompreendido  semelhante a uma mente com funcionamento DDA, presenteou o mundo com seu talento.
	Freqentemente Beethoven era acometido de devaneios e distraes, como seus amigos afirmavam. Mais um indcio de um possvel comportamento DDA.
	Foi um homem de vrias paixes, como mostrado no filme Minha amada imortal. Pour Elise  um hino romntico da msica clssica. Qualquer ouvido dotado de sensibilidade mergulha nessa viagem fantstica de poesia em forma de msica.
	Enfrentando problemas de surdez, chegou a ser considerado acabado. Melanclico e deprimido, at mesmo pensou em suicdio, mas desistiu e disse o porqu em uma carta: Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Aaah! Parecia-me impossvel deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim..
Produziu obras geniais mesmo sem escut-las. Elas brotavam de sua mente irrequieta, imune a sua surdez.
	Beethoven viveu at o seu ltimo dia conversando com o silncio, enquanto a platia escutava perplexa sua msica imortal.
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Marlon Brando  Luz, comera e emoo..
No dia 3 de abril de 1924, Marlon Brando nasceu em Omaha, pequena cidade americana. Filho de pais alcolatras, foi criado sob rgidos padres que o levaram  Academia Militar de Shattuck. Marlon rebelou-se contra as severas regras, os movimentos padronizados e o tdio daquele lugar. Aprontou tanto na Academia que acabou sendo expulso por indisciplina. Na hora da despedida, Marlon ouviu a seguinte frase do seu melhor amigo, Duke: No se incomode, Marlon, vai dar tudo certo. Eu sei que o mundo ainda vai ouvir falar de voc..
Depois disso, Brando foi para Nova York morar com a irm. L deu seus primeiros passos no teatro, at entrar na famosa pea Um bonde chamado desejo, de Tenessee Williams. Nesta poca comeou a improvisar as falas dos seus personagens, melhorando o texto original, para assombro e raiva de muitos diretores que trabalharam com ele. Sua intuio, ousadia e capacidade criativa so indcios fortes de uma mente DDA de perfil desbravador e artstico.
	Nessa poca, recebeu uma visita rpida de sua me. Quando ela partiu, comeou a ter crises de ansiedade e depresso. E a explicao  dada pelo prprio Marlon: Seriam necessrios muitos anos para que eu deixasse de aceitar o que me foi ensinado, durante a minha infncia: que eu era um intil. Para livrar-se de tal fardo, procurou fazer anlise, mas no obteve resultado.
	Marlon sofria de baixa auto-estima e, alm disso, era compulsivo por sexo. Teve incontveis mulheres na vida, mas afirmava que no sentia amor por elas, apenas dizia o que queriam ouvir.
	Bastante interessante  a reflexo que fez sobre o funcionamento do crebro humano:_.
Nenhum de ns jamais compreendeu as foras psicolgicas que nos motivam, nem conseguimos entender as reaes bioqumicas que se passam em nosso crebro e nos orientam a fazer uma escolha e no outra, a seguir um caminho e rejeitar outros. No entanto, uma coisa  certa: tudo que fazemos  produto dessas reaes bioqumicas.
	Depois  a histria que todos j conhecem: Marlon Brando fez sucesso em incontveis filmes e foi o smbolo sexual de uma gerao. Uma figura marcante, que se engajou em inmeras causas sociais, defendendo as minorias, os injustiados, os negros e os ndios. Como ele mesmo disse, tentou melhorar um mundo de guerras, dios e desamores.
	Vincent van Gogh  xis tintas impressionantes da sensibilidade..
Um gnio  incompreendido no seu tempo. Essa mxima encaixa-se perfeitamente na vida desse sofrido artista. Um homem que nasceu e morreu pobre, mesmo com o imenso talento que possua. No fosse a ajuda de seu irmo Theo, Van Gogh talvez no tivesse nem chegado aos 37 anos de idade, quando veio a falecer.
	Inicialmente, teve um grande apego  religio. Estudou muito e passava seus ensinamentos para os mineiros, alm de ajud-los com roupas e cobertores. Certa vez disse para o seu irmo Theo: A misria me atrai. Porm, sofreu tantas decepes que acabou por deixar a religio de lado, dedicando-se  pintura.
	Indcios de um comportamento DDA so vistos em vrios aspetos de sua personalidade. Inquieto, polmico, com instabilidade de humor, baixa auto-estima e principalmente uma sensibilidade extrema, Van Gogh entrava facilmente em tristeza profunda quando se via rejeitado.
	Passou por vrias fases at chegar ao Impressionismo. Van Gogh transcendeu e imprimiu seu estilo prprio com cores muito fortes. Seus quadros so como um grito desesperado de socorro de um homem angustiado com o mundo. A emoo foi sua tinta. Pintava o que via, o que acontecia em torno dele, mas com os olhos de uma alma extremamente sensvel. Foi o pintor da tristeza, da revolta, da solido e da incompreenso, chegando a um desespero que o levou ao suicdio.
	Van Gogh pintou 879 quadros e s vendeu um. Quanto a isso, declarou:.
Tenho uma estranha lucidez quando a natureza  excepcionalmente bela. No sou mais eu, perco a conscincia, e as imagens vm a mim como num sonho.
	 to fcil pintar um bom quadro como encontrar um diamante ou uma prola. Significa obstculos e voc arrisca sua vida por isso.
	No posso evitar o fato de que meus quadros no sejam vendveis. Mas vir o tempo em que as pessoas vero que eles valem mais que o preo da tinta.
	Retrato do Doutor Gachet, um dos seus quadros mais famosos, foi vendido em 15 de maio de 1990, em apenas trs minutos de leilo, por US$ 82,5 milhes.
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Wolfgang Amadeus Mozart  Uma tempestade musical..
Como disse, no auge do entusiasmo, o compositor Salieri no filme Amadeus sobre a vida e a obra deste genial compositor, a msica de Mozart era como a voz de Deus. com quatro anos, Mozart j compunha e era explorado pelo seu prprio pai que via nele um talento extraordinrio, mas que acabaria roubando-lhe a infncia.
	Aos 17 anos, Mozart j era dono de 22 composies sacras, 21 sinfonias, 6 quartetos, 18 sonatas para violino e cravo, alm de serenatas, divertimentos, danas e uma infinidade de peas menores.
	O seu comportamento durante sua curta e brilhante existncia apresentou sinais de um DDA com perfil desbravador e artstico. Mozart era inquieto, impulsivo e mostrava-se resistente s normas estabelecidas. Considerava enfadonhas as peras antigas e por isso inovou com as inesquecveis Dom Giovani e A flauta mgica.
	Sua mente era como uma fonte a jorrar sons de raras combinaes harmnicas. Sua organizao era praticamente inexistente, o que no o impediu de criar algumas das mais belas composies da msica clssica.
	Vivia em dificuldades financeiras, bebendo muito e com a sade debilitada. Alm disso, sofreu com a perda prematura de vrios dos seus filhos.
	Certa vez perguntaram a Mozart como se dava o seu processo criativo e ele respondeu:.
Como  que eu trabalho e como executo grandes composies musicais? No posso na realidade lhe dizer seno isso: quando me sinto bem disposto, seja em carruagem quando viajo, seja de noite quando durmo, acodem-me idias aos jorros, soberbamente. Como e donde, eu no sei...
	Meu fumo e minha yoga. Voc  minha droga.
	Paixo e carnaval. Meu zen, meu bem, meu mal.
Meu bem, meu mal .
(Caetano Veloso).
	CAPTULO 9 - DDA E OUTROS TRANSTORNOS.
	desenvolvendo quadros associados: as parcerias nada recomendveis...
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Fazia um lindo pr-do-sol l fora, era final de tarde e c estvamos ns, um grupo de pessoas que passava pelos mesmos problemas e mais alguns outros diferentes. Reunamo-nos todas as semanas e sentamo-nos muito bem quando isso acontecia. Como era bom poder ouvir as pessoas relatarem problemas to semelhantes aos nossos. Voc se sente menos anormal, menos inadequado e, aos poucos, vai se livrando da incmoda sensao de ser diferente. Fazamos terapia em grupo.
	Eu tinha acabado de desabafar sobre coisas pelas quais eu tinha passado. Havia lutado anos contra uma depresso que insistia manter-se escondida pelos cantos de minha mente, e que me atacava pelas costas, quando eu simplesmente pensava que j a tinha superado. Quase sempre o que me arrastava de novo para o lodo era a borrada impresso que tinha de mim mesmo: eu era um incompetente, um completo incapaz. Enrolava-me todo no trabalho,  claro que eu tinha timas idias, mas para execut-las era um horror... da, vez por outra, era repreendido. Brigava em casa com a famlia porque me esquecia de datas importantes ou de coisas cotidianas, como as contas do ms. E l ia eu arcar com juros... Parecia que estava sempre fazendo a coisa errada o tempo inteiro. Ento, eu sentava e ruminava... ser que sempre ser assim? Como posso construir um futuro slido se levo meu presente a passos trpegos de bbado? No sou capaz de dar segurana a meus filhos.... Da vinha ela novamente: a depresso. Qual no foi minha surpresa e alvio ao descobrir que todo o meu jeito enrolado de ser no era devido a uma incapacidade bsica que eu tinha para lidar com a vida, e sim a algo chamado Distrbio do Dficit de Ateno. E era por isso que ficava to deprimido, por no saber o que era aquilo, por achar que jamais teria soluo. Agora, estou aqui, compartilhando minhas experincias.  minha esquerda, ouvia uma jovem contar seu caso. Ela falava....
Quando estava entrando na adolescncia, comecei a incomodar-me demais com aqueles meus esquecimentos, minha desorganizao, coisas por fazer que eu nunca fazia, ora porque esquecia ora porque protelava... eu estava me enrolando mais e mais porque a cada srie os contedos iam tornando-se mais complexos e as responsabilidades bem maiores. Passei a recorrer a agendas, bilhetes e vrios meios para lembrar-me de lembrar. E tinha que me forar a ter tudo organizado. Cada coisa em seu lugar, segundo critrios de tamanho, cor, utilidade e por a foi... Mas, com o tempo, estes meus mtodos de organizao e checagem comearam a tomar uma proporo enorme... eles serviam para me auxiliar, mas aos poucos, insidiosamente, se tornaram centrais em minha vida. Passei a gastar mais e mais horas nesses processos de checagem e arrumao. Mas ou era isso ou era aquele estado anterior catico de confuso. Eu tinha o diagnstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo e s bem mais tarde  que foi descoberto que eu tambm tinha o DDA, e no sei se estou viajando, mas de repente tive que desenvolver todos esses meus rituais de organizao para combater minha distrao de DDA. Da, eu sempre dizia uma coisa irnica, meio hertica, que a Bblia devia ser mudada. Ela deveria comear assim: e no incio era o DDA... Se eu tivesse sido diagnosticada antes, talvez pudesse evitar tudo isso. Talvez. Sei que no  algo assim comprovado, mas, quem sabe? Hoje em dia, sei que perdoei a menina bagunada que fui. E no deveria ter sido to dura com ela!.
Em seguida falava um rapaz  minha frente. Ele dizia ter sido sempre muito perfeccionista e preocupado com tudo. Tambm no se perdoava por ser desorganizado e agora estava contando sobre seu primeiro ataque de pnico...
	L fora, estrelas j cintilavam s primeiras horas de uma noite clara. Quando nos demos conta, a sesso j estava terminando.
	Em grande parte dos casos, o DDA no vem sozinho. Ele pode vir em dupla, em trio e o que felizmente no  comum, at em bando. O que significa isso? Estamos falando de algo que, em Psiquiatria, chama-se comorbidades. Ou seja, um ou mais transtornos psiquitricos em coexistncia com um transtorno primrio (de base). Obviamente, isso contribui em muito para agravar o quadro, obrigando o mdico a atacar em vrias frentes. Comumente, esses transtornos acessrios (que no so nada opcionais, como os acessrios de um automvel, por exemplo!) desenvolvem-se secundariamente como conseqncia do transtorno primrio, pois o desconforto e o sofrimento causados por este atingem de tal forma a vida de uma pessoa, que outras sndromes vm somar-se  pr-existente.
	No caso do DDA, a distrao, os freqentes esquecimentos, a desorganizao, a perene sensao de que algo est errado, a costumeira protelao de tarefas que causam muita ansiedade. So caractersticas que podem fazer com que a pessoa DDA acabe por desenvolver transtornos associados, como ansiedade generalizada, depresso, pnico, fobias etc.
	No entanto, ainda h outros transtornos especficos que acompanham o DDA, no porque so conseqncias dele, mas porque parece haver uma ntima relao em suas origens biolgicas. As mesmas alteraes bioqumicas e/ou funcionais parecem estar envolvidas em transtornos como o DDA e a Dislexia, por exemplo.
	Entretanto, neste livro, procuramos esmiuar somente os transtornos comrbidos mais freqentes e com os quais temos deparado incontveis vezes, em nossa atuao profissional, acompanhando o sofrimento de pessoas que no s tm o comportamento DDA, como tambm outros problemas fortemente relacionados.
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DDA COM ANSIEDADE GENERALIZADA:.
Ansiedade Generalizada  o transtorno da preocupao interminvel e ruminante. So aquelas pessoas que se organizam em torno da antecipao de problemas e ficam perscrutando o ambiente  caa de perigos e complicaes. To logo o indivduo ansioso consiga resolver algo que o aflige, imediatamente parte  busca de outra aflio. Como no consegue relaxar, permanece pairando em um mal-estar indefinvel e subjetivo, que, por vezes, se manifesta nos mais variados problemas somticos, quase sempre causados pela sobrecarga imposta ao organismo pela alta quantidade de adrenalina constantemente despendida. Observe o que acontece quando algum tem, ao mesmo tempo, DDA e Transtorno de Ansiedade Generalizada.
	Imagine aquela DDA distrada, que vive esquecendo suas coisas pelos cantos, inclusive documentos importantes de trabalho. Conhecendo bem esta sua incmoda caracterstica, que j a colocou em vrias saias justas, ela pe-se em alerta todo o tempo. Fareja o ambiente, mexe e remexe nas gavetas, vasculha constantemente a bolsa. Se, por uma frao de segundo, pensa que algo est faltando ou fora do lugar, sente imediatamente a batida do corao acelerar e o sangue fugir-lhe do rosto. No era nada de mais outra vez, o memorando que procurava estava ali entre outros papis da pasta. Mas o mal j estava feito, sente-se ansiosa e com um ligeiro mal-estar que demorar algum tempo para se dissipar. A tenso ir acompanh-la pelo resto do dia.
	Bem, pode-se pensar: j que ela  assim to distrada, talvez seja bom que tenha esse jeito preocupado.
	O fato  que muitos DDAs organizam-se em torno da prpria ansiedade. A ansiedade , por vezes, tremendamente estruturadora. E um DDA busca estrutura o tempo todo, que pode vir na forma de pessoas com as quais desenvolve algum tipo de dependncia, na forma de atividades extremamente interessantes e estimulantes e, s vezes, infelizmente, na forma do uso de substncias ilcitas. E tambm na forma de ansiedade generalizada. A ansiedade envolvida na sensao de que algo est sempre errado direciona a ateno do DDA. Ele foca-se na procura de tais problemas potenciais. E se no houver um,  capaz de arrumar. Ou, ento, transforma algo simples em um problema. Essa preocupao infindvel aumenta a acuidade de seu sistema atentivo, fora sua rea pr-frontal a monitorar os estmulos e o ambiente, como os olhos de uma guia  procura de presas. Ante a incmoda alternativa de sentir-se invadido por estmulos incessantes, variados e irrelevantes, o DDA ansioso prefere a igualmente incmoda sensao de ver-se bombardeado por estmulos variados catalisadores de preocupao, mas que, pelo menos, no considera irrelevantes. Claro que essa preferncia no  intencional, ou mesmo ativamente consciente. Mas o sentir-se mal e alerta parece-lhe menos pior que se sentir assoberbado e confuso.
	Logo,  necessrio voltar quela suposio: seria melhor ter este jeito preocupado do que ser desorganizado?.
No. H outros modos mais saudveis e produtivos para um DDA organizar-se, que no impliquem tanta sobrecarga. Responder sim a esta pergunta seria permitir a substituio de uma sobrecarga pela outra, o forno Pela frigideira. A ansiedade generalizada, quando cronificada, arrasta o sujeito de volta ao ponto inicial que aflige um DDA: que  ter dificuldades em concentrar-se, falhas de memria e muito, muito mal-estar.  como a pessoa que est com sede e bebe gua do mar. Ao final, estar desidratada, e no apenas com sede. Seu organismo estar desequilibrado e em perigo.
	Ou  como correr em crculos: ao final voc est exausto e no saiu do mesmo ponto, s estava correndo atrs da prpria sombra.
	O desconforto chega a ponto de o indivduo parar no consultrio mdico, pedindo ajuda. E, assim, temos descoberto vrios DDAs. Eles costumam procurar ajuda, obviamente para a ansiedade generalizada. No entanto, aps criteriosa garimpagem diagnstica,  possvel encontrar o Distrbio do Dficit de Ateno em meio ao cascalho difuso da ansiedade.
	Muitas vezes, tratando-se o comportamento DDA, os sintomas de ansiedade decrescem acentuadamente.
	Por fim,  importante saber diferenciar o Transtorno de Ansiedade Generalizada da ansiedade difusa e oscilante que normalmente acompanha o DDA. Um critrio bastante slido para distinguir uma de outra  a constncia desse estado de ansiedade. Um DDA, com freqncia, atravessa seus picos de ansiedade, mas se esta perdura por, no mnimo, seis meses e traz desconforto significativo, pode-se comear a levantar a suspeita de comorbidade.
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DDA COM PNICO:.
Dos casos mais sofridos que temos acompanhado, este  certamente um dos que mais nos mobilizam. O Transtorno do Pnico, por si s, causa um tormento inenarrvel.  uma das faces mais representativas do sofrimento humano.
	Um ataque de pnico caracteriza-se por um pico de ansiedade aguda e intensa, e dura de vinte a trinta minutos, em mdia. Mas essas dezenas de minutos parecem estender-se pela eternidade para quem as experimenta. Nesse espao de tempo, o indivduo  engolido por uma espiral de sensaes aterradoras: taquicardia, sudorese, nuseas, sensao de falta de ar, tremores e outras reaes fisiolgicas acompanhadas da angustiante impresso de que ir morrer ali naquele momento, ou perder o controle e enlouquecer. Muitos relatam a ntida sensao de desrealizao e de forte estranhamento de si mesmo e do ambiente. Freqentemente, o medo de vir a sofrer novamente um ataque ocupa de tal modo a mente de uma pessoa, que ela acaba por desenvolver Transtorno de Pnico. O transtorno se caracteriza pela ocorrncia repetida de ataques de pnico. Como j foi dito, quem sofre desse transtorno preocupa-se de tal modo em ter outros ataques, que desenvolve uma srie de formas de auto-monitorao. A pessoa j acorda atenta para sinais de que algo errado pode estar germinando em seu organismo. Sente a batida do corao, pode mesmo escut-la; monitora sua freqncia respiratria, a tenso de seus msculos, a firmeza de suas mos. Enfim, torna-se super-consciente de seu estado interno e qualquer mnima alterao sentida pode desencadear apreenso antecipatria. Por vezes, essa expectativa ansiosa pode desencadear mais um ataque, visto que a mais nfima modificao (real ou no) no organismo  percebida com intensa preocupao, a qual, por sua vez, pode desencadear mais ansiedade, que  percebida com mais apreenso ainda e sintomas, que se fundem em uma crescente expetativa cada vez mais catastrfica. Culmina-se, por fim, na experincia vertiginosa do ataque de pnico.
	 um crculo vicioso que se alarga e contrai-se repetidamente.  preciso romp-lo!.
Tais ligeiras variaes em nossos processos fisiolgicos passam completamente despercebidas por quem no sofre desse transtorno. E, mesmo que sejam percebidas, no so interpretadas como sinal de que algo est indo mal em nosso corpo. Assim, no  desencadeada a apreenso ansiosa que caracteriza o Transtorno do Pnico.
	Voc pode estar se perguntando: como um DDA distrado pode ater-se a estmulos to sutis como alteraes na freqncia cardaca, por exemplo? No  mais coerente que a disperso o impea, ou mesmo o impossibilite de conseguir essa proeza?.
J responderemos a esta pergunta. Por ora,  importante trazer  mente o poder organizador que a ansiedade representa para um DDA. Ele pode debater-se com sua ansiedade em um nvel basal. Mas esta pode, eventualmente, atingir um pico caracterstico de um ataque de pnico. Se ele tiver a predisposio biolgica (alteraes serotoninrgicas), poder desenvolver o Transtorno do Pnico. A porta estar aberta. E, em acrscimo, se tiver a suscetibilidade psicolgica, isto , tendncia a preocupar-se com doenas e morte (seja por ter crescido em ambiente familiar e social em que as pessoas constantemente se referiam a isso, ou por ter associado a um evento traumtico  como um ataque cardaco ou derrame sofrido por pessoas prximas), a receita est formada. A porta no s est aberta, como tambm, escancarada.
	 importante tambm lembrar o fato de o termo Dficit de Ateno estar sendo considerado, atualmente, errneo ou incompleto, bem como relembrar que o que ocorre de fato  a inconstncia de ateno, variando da incapacidade em mant-la  sua intensa e prolongada focalizao em algum estmulo.
	Assim sendo, a questo pode ser esclarecida. Um DDA que se organize em torno de sua ansiedade, predisposto biologicamente, vulnervel psicologicamente e hiperfocando intensamente em seu corpo e em suas respetivas reaes, rene, em um infeliz somatrio, todos os requisitos para desenvolver o Transtorno do Pnico.
	A capacidade de hiperfocar, to til na grande maioria das situaes, pode tambm atrapalhar, e muito, quando inadequadamente direcionada. Esse hiperfoco precisa ser desviado. Se o DDA no for detectado tambm, em detrimento dos sintomas do pnico, que realmente se sobressaem muito mais, a capacidade de desviar esse hiperfoco pode estar comprometida. Ou pior, pode mesmo nem chegar a constituir-se em um dos objetivos do tratamento.
	DDA COM FOBIAS:.
Como j foi possvel perceber,  comum a comorbidade entre transtornos de ansiedade e DDA. Dentro desse grupo, tenho deparado com vrios casos de DDAs fbicos.
	Pode-se entender por fobias um medo acentuado e persistente de determinados objetos e situaes (fobia simples) ou situaes sociais e de desempenho (fobia social).
	No caso da chamada fobia especfica, esse medo  circunscrito e claramente relacionado ao objeto ou  situao. So bastante comuns as fobias a animais; fobias a sangue e ferimentos; fobias a fenmenos naturais, como tempestades; fobias situacionais, tais como medo de elevadores e avies etc.
	No caso da chamada fobia social, o medo est relacionado a situaes de interao social ou de desempenho na frente de outras pessoas. O indivduo teme contatos sociais porque tem receio de ser ridicularizado e malvisto, assim como tem expetativas bastante irrealistas do que  ser bem-sucedido socialmente.
	Assim como na depresso e no pnico, os transtornos relacionados  fobia esto associados a disfunes serotoninrgicas. Tais disfunes tambm cumprem seu papel no DDA, embora de forma secundria.
	O DDA pode tambm ser relacionado a fobias, principalmente  social, sob outro enfoque. No  muito difcil imaginar o porqu. Se uma pessoa que tenha DDA e, ao mesmo tempo, tenha vulnerabilidade biolgica  fobia social, tiver crescido em um ambiente crtico e punitivo, certamente ser temerosa em relao a situaes de interao social. Crianas e adolescentes DDAs so muito suscetveis a receberem reprimendas sociais por variados motivos. Pela impulsividade que, muitas vezes, os expe em situaes difceis, fazendo-os cometer gafes. A distrao que os coloca alheios a detalhes importantes, em interaes sociais, contribui igualmente para as freqentes gafes. As eventuais dificuldades com linguagem, que provocam situaes difceis, quando trocam ordens de slabas em palavras e destas em uma frase, isso quando no acontecem aqueles constrangedores brancos totais, que os deixam sem saber o que dizer, quando a palavra parecia estar na ponta da lngua...
	Enfim, crianas e adolescentes DDAs podem receber uma srie de sinais sociais negativos que os levam a desenvolver uma auto-imagem debilitada. Alguns tentam tornar-se os palhaos do grupo para serem populares e lidarem melhor com isso, mas outros podem buscar no comportamento de fuga e evitao de contatos sociais o meio de no se expor ao escrutnio de outras pessoas.
	A adolescncia  um perodo crtico na vida de uma pessoa e forma o caldo de cultura perfeito para o desenvolvimento da fobia social. Nesse perodo  que se iniciam tipicamente os sintomas desse transtorno de ansiedade. com a predisposio biolgica e o empurrozinho de fatores sociais tpicos dessa fase, um jovem DDA, j corrodo por uma baixa auto-estima e desalentado por crticas externas, pode acabar desenvolvendo um medo intenso de situaes de interao social, que podem ser circunscritas e limitadas a algumas situaes, como segurar copos em pblico e apresentar-se para uma platia, como podem estar generalizadas para toda e qualquer situao e causar intenso sofrimento e limitaes.
	Um DDA que sofra tambm de fobia social pode acabar jogando todo o seu talento pela janela, j que deixar de expressar sua criatividade e inventividade, porque no se julga capaz de defend-las e sustent-las.
	Certamente ter um desempenho acadmico e laboral bem abaixo de suas capacidades, porque no pode nem pensar na possibilidade de se expor e mostrar o que tem de melhor. No trabalho, principalmente, pode ter poucas chances de ascenso, uma vez que reluta em aceitar responsabilidades maiores e recolhe-se s penumbras de sua potencialidade. Pode estar escondido ali um talento desperdiado, como pudemos confirmar em alguns casos que acompanhamos. A boa notcia  que, com o tratamento adequado, talentos ocultos podem ganhar o mundo externo ao invs de permanecerem cerrados em si mesmos.
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DDA COM TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO:.
No tem sido incomum em nossa clnica nos depararmos com DDAs que tambm tm Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Quem conhece algo a respeito do transtorno deve estar se perguntando: Mas como? O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)  justamente aquele que nada tem a ver com o DDA. Realmente, tais condies possuem caractersticas to dspares que, curiosamente, podem acabar sendo complementares. Antes de nos determos neste ponto, primeiro, falaremos um pouco sobre o TOC para quem no o conhece.
	O TOC  um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos, imagens ou idias intrusivas (obsesses) e que causam desconforto e sofrimento, considerados difceis de controlar. Para diminuir a ansiedade e o desconforto ocasionados por tais pensamentos, as pessoas que sofrem de TOC lanam mo de rituais comportamentais ou mentais (compulses) com o intuito de neutralizar ou prevenir as imaginrias conseqncias nefastas associadas aos pensamentos e assim reduzir a ansiedade e o sofrimento. Na grande maioria dos casos, o indivduo reconhece que os pensamentos obsessivos so destitudos de sentido ou no possuem embasamento real, alm de admitir que so produtos de sua prpria mente. Em alguns indivduos essa percepo  falha, ou seja, o insight  bastante pobre. No caso de crianas, tambm no se espera que elas reconheam o carter de estranheza e ausncia de sentido desses pensamentos, uma vez que ainda no desenvolveram esse nvel de autopercepo.
	Como exemplo, pode-se citar aquela pessoa que mantm objetos e utenslios ordenados em rgida seqncia e que experimenta acentuada sensao de incmodo se encontrar algo fora do lugar; a pessoa que lava as mos repetidamente porque  assaltada por pensamentos desconfortveis acerca de estar contaminada por germes, ou aquela pessoa que checa repetidamente os trincos e fechaduras porque no consegue se desvencilhar da preocupante idia de que elas podem ter sido esquecidas abertas. O tempo perdido com a realizao dessas compulses  significativo (mais de uma hora por dia) e freqentemente causa prejuzo ao desempenho no trabalho ou na escola, j que a ocorrncia das idias ou imagens obsessivas prejudica a concentrao necessria  realizao de tarefas, e o cumprimento dos rituais compulsivos implicam gasto de tempo e energia. Alm disso, o sofrimento relacionado s obsesses e  conseqente ritualizao pode ser de tal forma incmodo ao indivduo, que ele pode passar a isolar-se e a evitar locais e situaes que possam evocar as obsesses e compulses. Em alguns casos extremos, a pessoa deixa de sair de casa. Assim, fatalmente sucumbir  depresso. Alis, o TOC tem uma alterao bioqumica em comum com a depresso: disfunes serotoninrgicas. Como ser visto no CAPTULO referente  Etiologia (origem da questo), a serotonina tambm cumpre seu papel no DDA, embora sem a mesma preponderncia que a dopamina e a noradrenalina. De qualquer forma, h mais em comum entre o DDA e o TOC do que a sigla de trs letras.
	Pessoas com DDA que tenham a vulnerabilidade biolgica e gentica para o TOC podem acabar sendo mais suscetveis a desenvolv-lo do que pessoas que no tenham DDA. Como o DDA  assaltado por estmulos, idias e imagens que no consegue filtrar eficientemente, a probabilidade de ter pensamentos considerados desagradveis e desencadeadores de ansiedade aumenta dramaticamente.
	Mas, alm do fluxo aumentado de idias e imagens, as dificuldades de organizao, as constantes distraes e esquecimentos do DDA podem causar desconforto adicional. Se o indivduo passa a ser assaltado por pensamentos de que esqueceu algum objeto, de que alguma coisa pode estar fora do lugar, de que algo pode dar errado por conta de sua distrao e passar a desenvolver, ento, comportamentos ritualsticos de verificao ou contagem para prevenir tais situaes, ento, infelizmente, o TOC pode desenvolver-se como quadro associado.
	O diagnstico, desnecessrio dizer, tambm deve ser bastante cuidadoso, em funo de os sintomas de TOC serem muito mais aparentes e causarem desconforto mais significativo, podendo assim mascarar o DDA.
	Uma condio muito mais comum e que, felizmente, no causa sofrimento to acentuado,  o do DDA que acaba desenvolvendo traos obsessivos para conseguir lidar melhor com suas distraes, freqentes esquecimentos, desorganizao e rompantes impulsivos. Ele engendra seus esquemas de organizao e acaba tornando-se bastante meticuloso e crtico em seu trabalho. Como sabe que tende a cometer erros por causa de detalhes bobos, checa constantemente seus afazeres com cuidado redobrado. Este tipo perfeccionista materializa-se perfeitamente na figura do DDA bem sucedido, que utiliza bem as vantagens de seu funcionamento, ao mesmo tempo que minimiza as desvantagens, desenvolvendo esses pequenos traos obsessivos. O problema aqui pode ser a ansiedade que inevitavelmente experimentar em funo de seu perfeccionismo. Como foi visto no CAPTULO sobre tipos talentosos de DDA, este indivduo iria encaixar-se bem na figura de um DDA acionista.
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DDA COM DEPRESSO:.
Em uma pessoa com DDA, a Depresso pode desenvolver-se de forma secundria ao desconforto provocado pelo comportamento DDA, como tambm pode surgir primariamente em funo de alteraes neuroqumicas e/ou funcionais semelhantes. Primeiramente, falaremos um pouco da primeira condio.
	No  muito difcil se imaginar a relao do DDA com estados depressivos. Como temos realado, repetidamente neste livro, a pessoa com DDA, na grande maioria das vezes, tem baixa auto-estima. Ela desenvolve um baixo conceito de si mesma, no s pelas referncias externas que recebeu, mas tambm pelas crticas, repreenses, castigos, comentrios depreciativos acerca de suas caractersticas e tantos outros sinais sociais negativos, como tambm se pauta em seus referenciais internos, o que sente em si mesma: suas dificuldades cotidianas de organizao, a tendncia a protelar tarefas, a desateno, os erros bobos, a impulsividade e as inmeras gafes conseqentes desta, a inquietao, os esquecimentos e a penetrante sensao de baixo rendimento. Ela poderia definir-se na frase: eu sou inadequada. Acaba mergulhando no pessimismo persistente que a acompanha, embora seja teimosa o bastante para continuar insistindo. Um DDA dificilmente desiste. Tal como a figura mitolgica de Atlas, ela no pode permitir que seu mundo desabe, mesmo que sofra sob um peso esmagador que, muitas vezes, no sabe identificar de onde vem ou de que  feito.
	Assim, resumidamente, um DDA no tem uma opinio favorvel de si mesmo, e nem do mundo e das pessoas que o cercam; afinal, por vrias vezes e em fases crticas de sua vida, no recebeu reforos sociais. E caso tenha recebido, no percebe ou, simplesmente, desconsidera e minimiza. Ele j no avalia muito bem o impacto que causa nas pessoas e no ambiente.
	Sua vibrao contagiante, criatividade e carisma podem ser percebidos por todos, menos por ele mesmo. Igual a quem est perdido em uma sala de espelhos modificados de um parque de diverses, vendo imagens distorcidas de si mesmo.
	A partir da, no fica difcil concluir que essa pessoa seja tremendamente desesperanada em relao ao futuro e  sua capacidade de enfrent-lo. O futuro  um monstro  espreita na esquina e, ainda que muitas vezes essa pessoa dobre muitas esquinas da vida com eficincia, ainda acredita que foi por sorte e no por sua capacidade. Para ela, o monstro pode saltar a qualquer momento.
	Essa situao muito comum de se sentir remando contra a mar predispe o DDA a um estado de depresso que, ao nosso ver, representa muito mais um estado de exausto em funo da grande quantidade de energia dissipada pelo prprio comportamento DDA e suas conseqncias cotidianas nos mais diversos mbitos de suas vidas (profissional, social, afetivo e familiar).
	Por outro ngulo, temos o fato de que, provavelmente, DDA e Depresso compartilhem alteraes semelhantes (ver CAPTULO sobre origem do DDA). Estudos sugerem tal possibilidade, j que alguns medicamentos anti-depressivos revelam-se eficazes no tratamento do Distrbio do Dficit de Ateno, quando prescritos em baixas doses. Assim,  bastante provvel que as duas condies coexistam em quem seja biolgicamente vulnervel. E os sintomas de uma acabem por agravar os da outra e vice-versa.
	De fato, j nos deparamos com vrios casos de Depresso em que, aps criteriosa investigao, revelou-se tambm o Distrbio do Dficit de Ateno, at ento oculto pelos sintomas mais evidentes das alteraes no humor. Alis,  necessrio que o mdico seja bastante cuidadoso com a questo da instabilidade humoral. Normalmente, o indivduo que tem DDA j apresenta oscilaes de humor bastante acentuadas; s vezes, em curtos espaos de tempo. Diferenciar esse sobe e desce afetivo, caracterstico do DDA de um quadro realmente depressivo,  de importncia vital, pois implica alterar inclusive a conduta medicamentosa. Para diagnosticar-se a Depresso, deve-se observar a consistncia do quadro clnico, em contraposio  labilidade dos estados de humor de um indivduo com DDA.
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DDA COM TRANSTORNO BIPOLAR DO HUMOR:.
O Transtorno Bipolar s vezes pode ser confundido com o DDA porque ambos os transtornos envolvem um alto nvel de energia e atividade. A caracterstica mais marcante do Transtorno Bipolar  a intensa variao de humor, indo do poo mais fundo da depresso aos pncaros da exaltao e do entusiasmo desarrazoados. No entanto, embora o DDA tambm possua mudanas de humor sbitas, o que diferencia as duas sndromes  a intensidade. O bipolar sempre desce mais fundo e ala vo mais alto. A amplitude entre os estados de humor extremos  bem maior que no DDA. Um DDA pode ser visto como agitado, entusiasmado e eltrico, e ter justamente seus pontos fortes em caractersticas tais como essas, sendo admirado por isso com freqncia. Na pessoa com Transtorno Bipolar e que esteja em fase eufrica, dificilmente ser vista da mesma forma. As outras pessoas logo percebem que algo est over ali e, freqentemente, consideram bastante desagradvel. A pessoa em crise eufrica fala aos jorros, sem pausas e salta de um tpico a outro sem nenhuma conexo aparente ou plausvel entre os assuntos, assim como costuma discursar sobre a importncia de si mesma. Pode tornar-se irritadia e at agressiva. Perde completamente as estribeiras, esbanja somas de dinheiro que muitas vezes no tem, coloca-se em empreitadas arriscadas, perde a noo do perigo. Ela no tem limites.
	Quando entra na fase depressiva, cai no fundo do poo e um pouco mais ainda. No parece a mesma pessoa. Mas ; s que murcha e desbotada.
	O DDA, embora tambm tenha alguma oscilao de humor, no chega a despencar para um estado depressivo, a no ser que realmente entre em Depresso, como j foi visto h pouco no tpico DDA e Depresso.
	Diferenciar os dois transtornos  determinante para o bem-estar do paciente, visto que a teraputica psico-farmacolgica  completamente diferente, e o que  eficaz para um  incua para o outro.
	Saber diferenci-los tambm  importante na medida em que h a possibilidade de uma pessoa apresentar os dois quadros. Muitas vezes, o DDA passar completamente despercebido por entre os sintomas muito mais floridos do Transtorno Bipolar. Mas o DDA pode estar presente e no ser adequadamente tratado. O mdico perceber que o tratamento no estar sendo to eficiente como costuma e poder ter dificuldades, se no perceber os rastros deixados pelo DDA no solo catico do Transtorno Bipolar. Saber identificar esses rastros  uma tarefa desafiadora que requer observao cuidadosa e dedicada.
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DDA COM TRANSTORNOS ALIMENTARES:.
Como j se sabe, comportamentos compulsivos so um tanto comuns em quem tem DDA. As compulses podem tanto apresentar-se na forma da dedicao exagerada ao trabalho (o workaholic), como no uso compulsivo de cigarro, bebida ou outras substncias ilcitas, sexo ou ainda comida.
	Por vezes, essas compulses podem ultrapassar a condio de comportamentos caractersticos do DDA e tornarem-se transtornos  parte. Um exemplo muito comum  a dependncia qumica.
	Muitos DDAs podem comportar-se como grandes comiles e apresentarem dificuldades em controlar o impulso de comer as popularmente chamadas, besteirinhas. Como no caso das drogas, pode ser uma tentativa errada de auto-medicao. O indivduo pode experimentar alvio em seus sintomas de inquietao e desconforto subjetivo quando est roendo alguma coisa. O problema comea quando isso acarreta algum prejuzo e desconforto  vida dessa pessoa, interferindo em seu funcionamento no ambiente familiar, acadmico, de trabalho ou social. Em alguns casos, pode realmente existir comorbidade com algum transtorno alimentar, tais como o transtorno do comer compulsivo, a Bulimia e a Anorexia Nervosas. Os dois ltimos no so to comuns como comorbidades associadas ao DDA, pelo menos no a ponto de despertarem nossa ateno teraputica. Diramos que, dentre os transtornos alimentares que j observamos em alguns dos nossos pacientes DDAs, o transtorno do comer compulsivo  o mais comum, seguidos de longe pela Bulimia e Anorexia Nervosas.
	Quando o DDA deixa de atacar a geladeira para comer suas besteirinhas para assim apaziguar sua tendncia  compulso e passa a ingerir grandes quantidades de alimentos, muitas vezes organizando-se em torno disso, pode estar apresentando o que se chama de Transtorno do Comer Compulsivo. A pessoa simplesmente no consegue controlar seus desejos de ingerir alimentos, esteja com fome ou no. Alis, no se d tempo de sentir fome. Seu organismo est constantemente sobrecarregado com a funo digestiva e isso pode acarretar problemas no aparelho gastrintestinal bem como em outros rgos.
	O Transtorno do Comer Compulsivo costuma levar o indivduo a procurar ajuda em funo dos prejuzos mais visveis em seu aspeto fsico, com conseqente comprometimento de sua auto-estima. No  incomum esses pacientes procurarem, como primeiro tratamento, mdicos especializados nos mais diversos tipos de dietas, antes de terem seus problemas relacionados aos sintomas de DDA. Portanto,  bastante til questionar esses pacientes acerca de sintomas caractersticos de DDA, bem como de outros transtornos.
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DDA COM TRANSTORNO DE CONDUTA E/OU TRANSTORNO DESAFIADOR OPOSITIVO:.
Transtorno de Conduta e Transtorno Desafiador Opositivo so dois distrbios infantis bastante perturbadores e que causam muita consternao. Crianas com esses distrbios so mais do que rebeldes ou problemticas.
	A criana com Transtorno de Conduta apresenta comportamentos desajustados, tais como violaes de regras, agresses, podendo chegar  crueldade fsica, atos delinqentes, precocidade sexual e um padro consistente de desrespeito ou desconsiderao aos direitos e sentimentos alheios, entre outros. Alm disso, essas crianas apresentam um risco maior de desenvolver na idade adulta o Transtorno de Personalidade Anti-social.
	O Transtorno Desafiador Opositivo no  to grave quanto o Transtorno de Conduta. Crianas com esse transtorno apresentam um padro de desafio e desrespeito a figuras de autoridade e a regras estabelecidas, mas o prognstico no  to preocupante quanto o primeiro e no apresentam o mesmo nvel de agresso, delinqncia e crueldade (com outras pessoas ou animais).
	Se uma criana apresenta sintomas tanto de Transtorno de Conduta como Transtorno Desafiador Opositivo, considera-se o primeiro como prevalente e diagnostica-se somente o Transtorno de Conduta, j que este engloba os comportamentos disruptivos do Transtorno Desafiador Opositivo, sendo, no entanto, de gravidade muito maior. Alm disso, normalmente o Transtorno Desafiador Opositivo  considerado como um antecedente do Transtorno de Conduta.
	Em algumas crianas com esses transtornos observam-se tambm sintomas do Distrbio do Dficit de Ateno. Assim, uma criana com Transtorno de Conduta ou Desafiador Opositivo tambm pode apresentar Distrbio do Dficit de Ateno com hiperatividade/impulsividade (na maioria absoluta dos casos, j que tais transtornos so muito mais freqentes em crianas do sexo masculino) em concomitncia.
	O DDA pode manifestar alguns comportamentos que lembrem os sintomas dos Transtornos de Conduta e Desafiador Opositivo. No entanto, a criana, que  apenas DDA, pode apresentar comportamentos problemticos muito mais em funo da hiperatividade, impulsividade e desateno do que comportamentos com a inteno clara de causar prejuzos ou burlar regras. Uma criana DDA, por exemplo, pode deixar de seguir uma ordem porque no est atenta o suficiente ou porque tem dificuldades em realizar a tarefa at o final, mas jamais porque realmente seja sua inteno principal desafiar a pessoa que fez o pedido ou ento desrespeitar alguma regra. H uma distino clara de temperamento.
	A criana DDA pode cometer alguns erros graves porque foi desastrada, imprudente e impulsiva e no motivada por sentimentos de rancor, vingana ou sadismo.  necessrio fazer cuidadosamente essa distino, porque a criana que apresenta Transtorno de Conduta ou Desafiador Opositivo pode tambm ter as caractersticas de impulsividade e hiperatividade do DDA, mas o temperamento primrio  bastante diferente, assim como a motivao para os comportamentos problemticos. Um detalhe que jamais deve ser esquecido  que a criana DDA sofre com seus problemas, ao passo que as crianas com Transtorno de Conduta e Desafiador Opositivo, principalmente a primeira, normalmente no apresentam sentimentos de culpa ou arrependimento. J a criana DDA tem remorso at pelo que no fez, mas pelo qual se atribui culpa por ter a experincia de ser bastante criticada e ter baixa auto-estima.
	DDA COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL:.
Em alguns trabalhos, pode-se observar que  citada a ocorrncia de problemas de conduta e traos anti-sociais entre pessoas que tenham DDA. A partir desses referenciais, entende-se que  possvel a comorbidade entre Distrbio do Dficit de Ateno e Transtorno de Personalidade anti-social.
	Em nosso entendimento e pelo que temos observado, no concordamos com a concomitncia do DDA com este transtorno de personalidade.
	Antes de nos determos mais nesta questo, tentaremos descrever brevemente o Transtorno de Personalidade anti-social. Primeiramente,  necessrio explicar o que  um transtorno de personalidade. Esses transtornos consistem em um padro inflexvel e consistente de comportamentos e na forma de interpretar os acontecimentos. Alm disso, desviam-se acentuadamente dos padres de comportamento que se esperam dos indivduos no sistema sociocultural no qual esto inseridos e cujo o incio se d, normalmente, na adolescncia ou no comeo da idade adulta. A persistncia e inflexibilidade desses padres de pensamento e comportamento  que os definem como caractersticas de personalidade, e o sofrimento e prejuzos que causam a seu portador e, indiretamente, tambm a outras pessoas de sua convivncia,  o que os insere na categoria de transtornos.
	O Transtorno de Personalidade anti-social caracteriza-se por padres de comportamento de violao e desrespeito aos direitos de outras pessoas. A pessoa portadora desse transtorno tambm  conhecida como psicopata ou sociopata. Geralmente so pessoas manipuladoras, insensveis e cnicas, incapazes de sentir compaixo por outras pessoas e tambm de sentir remorso e culpa por atos prejudiciais que tenham cometido. Essa ausncia de remorso  devida no s  indiferena afetiva, j que essas pessoas apresentam uma completa ausncia de empatia por outras, como tambm pelo no reconhecimento de regras e costumes sociais. Um adjetivo que pode defini-las : amoral.
	So indivduos que normalmente j apresentam indcios do transtorno na infncia, quando se faziam notar sintomas de Transtorno de Conduta. Ter um Transtorno de Conduta quando criana aumenta o risco de desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Anti-Social na idade adulta.
	Estudos sugerem que existem fatores hereditrios envolvidos, j que parentes em primeiro grau de pessoas com esse transtorno possuem um risco maior de desenvolv-lo tambm.
	Sintomas presentes nesse transtorno seriam: falha em adequar-se s normas sociais; prtica repetida de atos passveis de sanes legais e aprisionamento; tendncia a mentir, ludibriar e enganar; irresponsabilidade acentuada e incapacidade de manter-se em uma atividade profissional; prtica de atos que pem a prpria segurana e sade em risco, assim como o de outras pessoas; inexistncia de remorso e indiferena pelo sofrimento alheio.
	Quando uma pessoa dessas chega ao consultrio do psiquiatra, quase sempre  por presses familiares ou, ento, com o intuito de se beneficiar de alguma forma de um laudo mdico. Freqentemente esto envolvidos com problemas legais, endividados e s voltas com o sistema judicial e tentam obter do mdico algum diagnstico ou comprovao de problemas que os auxiliem a minimizar as sanes que lhes so impostas. Mas no esto movidos por um desejo real e sincero de mudar. Como j foi dito, no sentem remorso. Inclusive aprendem que a demonstrao de remorso e culpa pode ser benfica, na medida em que angaria simpatia por parte de outras pessoas; no entanto, o psiquiatra ou psiclogo que esteja suficientemente atento  consistncia e coerncia de seu comportamento ir registrar lacunas nessa tentativa de dissimulao.
	Como a pessoa portadora desse transtorno apresenta-se bastante impulsiva e agitada, tais sintomas podem levar  determinao de um diagnstico concomitante de DDA. Mas o fato  que impulsividade e hiperatividade no so sintomas exclusivos do Distrbio do Dficit de Ateno e esto presentes em vrios outros transtornos mentais. Como j foi discutido anteriormente neste CAPTULO e em outros, uma pessoa com DDA pode desobedecer a uma regra inadvertidamente por falta de ateno e incapacidade em executar uma ordem at o final, mas no porque no reconhea a legitimidade e necessidade de normas sociais ou desrespeite propositadamente figuras de autoridade.
	Um DDA, por ser impulsivo e desatento, constantemente causa constrangimentos e desagrados a outras pessoas, mas h fatores diferenciadores que tornam o DDA e o sociopata to diferentes como gua e vinho: o remorso e a compaixo.
	O DDA  sensvel aos sentimentos alheios, embora possa falhar em reconhec-los com a mesma prontido e eficincia de pessoas no-DDAs.
	O DDA consegue ser emptico e colocar-se no lugar de outras pessoas, embora suas caractersticas desatentivas o levem a empregar um esforo maior. O DDA sente remorso, mesmo que sua impulsividade o leve a fazer e dizer coisas sem pensar. Reconhece seus erros e sofre com isso. Se assim no fosse, no seriam comuns a baixa auto-estima e o forte senso de inadequao nessas pessoas. Quando busca ajuda, quase sempre suas queixas esto relacionadas ao sofrimento imposto por sua desorganizao e impulsividade que assume a forma de depresso e ansiedade. Sofre com os prejuzos acarretados em seus relacionamentos sociais e quer consertar o erro. Muitas vezes, pensa que deve ter alguma falha de carter ou que  um bobalho. Quando chega ao consultrio mdico, vem  procura de auxlio, no  procura de um libi.
	Por tudo isso, acreditamos que DDA e Transtorno de Personalidade anti-social so duas condies distintas e que no podem coexistir.
	Dentro do peito de um sociopata e de um DDA batem dois tipos bem diferentes de corao: no primeiro, um rgo que se esgota em seu sentido funcional, objeto de estudo de um cardiologista. No segundo, bate um rgo tambm funcional, que transcende a natureza fisiolgica, podendo tornar-se tema inspirador  sensibilidade de poetas e apaixonados.
	.
DDA COM USO DE DROGAS:.
Esta condio ser relatada em detalhes no CAPTULO referente  dependncia qumica: Uma relao explosiva: DDA X Drogas.
	.
DDA COM TRANSTORNOS DO SONO:.
Esta condio ser relatada em detalhes no CAPTULO referente aos transtornos do sono: A difcil tarefa de dormir bem.
	...Oua-me bem, amor.
	preste ateno/.
o mundo  um moinho/.
vai triturar teus sonhos to mesquinhos/.
vai reduzir as iluses a p...
	.
CAPTULO 9 - UMA RELAO EXPLOSIVA: DDA E DROGAS.
	perigos camuflados e atraes fatais...
	.
Dario tem 40 anos. J trabalhou como analista de risco em investimentos em um grande banco. Hoje trabalha no pequeno bazar do pai. Perdeu o emprego porque, apesar de seu timing e arguto senso de oportunidade, a inconstncia de seu comportamento no o tornava ato a manter um trabalho com hora de entrada e sada, prazos a cumprir, relatrios e justificativas a apresentar. Seu envolvimento com drogas desestruturou toda sua vida. s vezes, no embalo de seu consumo, esquecia-se at de justificar suas faltas no trabalho.
	O mais curioso  que ele fazia uso da cocana para se inspirar. Dizia que se sentia mais concentrado e eficiente. Quando estava sob efeito da cocana, falava, meus instintos ficam mais agudos, eu arrisco mais. Algumas de suas jogadas financeiras bem-sucedidas eram atribudas a esses ilusrios momentos de pices perceptivos. Mas, certamente, todos os seus fracassos desde ento tambm podem ser seguramente imputados ao vcio que ele acreditava que lhe proporcionava tais momentos.
	No incio, a percepo que tinha era de que a droga me turbinava. Desenvolvi dependncia rapidamente. No demorou muito para comear a consumir a droga simplesmente para no passar pelo mal-estar da abstinncia. Era como estar em areia movedia. Se me debatia, me afundava mais..
Dez anos depois de estabelecida a dependncia, Dario recebeu o diagnstico de DDA. Em uma consulta mdica, o psiquiatra prestou especial ateno  declarao de Dario sobre os efeitos da cocana em seu organismo. Ao contrrio da maioria dos usurios, Dario no relatava sentir-se alucinado. E sim, com percepo aguada, capaz de ficar horas fazendo a mesma coisa. Esse efeito paradoxal norteou os questionamentos posteriores do mdico at que conclusse pelo diagnstico de Distrbio do Dficit de Ateno.
	Dario estava se automedicando. A cocana o fazia se sentir mais concentrado e produtivo, no incio. Trazia muito trabalho para casa e fazia a maior parte deles, assim, sob efeito da droga. No local de trabalho ficava disperso e inquieto, no se sentindo eficiente o bastante. Mas ao cabo de certo tempo, os efeitos devastadores da droga comearam a se fazer notar e logo j no lhe serviam para nada, nem para se concentrar. Ele foi engolfado pela necessidade e dependncia. Precisava da cocana apenas porque seu organismo estava dependente. Mas j no sentia nenhum efeito pseudobenfico. A droga tornou-se um fim em si, e no apenas o meio. Hoje em dia, declara: Se houvesse outros modos de conseguir organizarme, ou se pelo menos soubesse que meu funcionamento dispersivo era devido a uma condio orgnica e no a uma tendncia  preguia, como eu acreditava antes, talvez tudo pudesse ter sido diferente. No sei. Mas isso no ajuda em nada agora. O que interessa  me levantar dos escombros. Tentar reconstruir minha vida... e, sabe, com esses escombros construirei a base. Eles estaro sempre l para me lembrar de tudo o que perdi e de tudo o que aprendi tambm..
Existe uma relao bem estreita entre o Distrbio do Dficit de Ateno e o uso e/ou a dependncia de substncias denominadas drogas. Nesse universo to complexo, nos defrontamos com uma triste realidade: pessoas com DDA so mais propensas ao uso de drogas do que outras que no apresentam tal funcionamento mental. Estima-se que s nos Estados Unidos existam entre 10 e 15 milhes de pessoas com Distrbio do Dficit de Ateno e que, aproximadamente, 40 a 50% delas faam uso de drogas. Vale lembrar que esses nmeros no incluem os indivduos com DDA que utilizam a comida, jogo, sexo, compras e outros comportamentos de forma compulsiva que poderiam ser includos na categoria de dependentes, sem qualquer receio de estarmos incidindo em um erro diagnstico.
	Diante dessa angustiante realidade, a sociedade, como um todo, e, em especial, os profissionais da rea de sade e educao passam a ter um compromisso tico de, ao deparar-se com um indivduo com DDA, observar ou mesmo procurar sinais e sintomas que revelem o uso/abuso ou dependncia de drogas. E vice-versa: diante de casos em que haja envolvimento com drogas  fundamental que se tenha em mente a possibilidade de DDA como pano de fundo. Assim podemos concluir que o DDA  uma das grandes causas do abuso de determinadas substncias qumicas. Por isso mesmo,  chamado de causa camuflada e, como tal, precisa ser rastreada de maneira minuciosa para que um tratamento mais digno e eficaz possa ser oferecido a milhes de pessoas que sofrem angustiadamente, vitimadas Por esta combinao to explosiva: Drogas e DDA.
	Muitos estudos vm sendo realizados com o intuito de entender os mecanismos psicolgicos e biolgicos que regem essa relao to perigosa.
	Pelo lado psicolgico, deparamo-nos com a hiptese da automedicao bem como com as caractersticas comportamentais compartilhadas entre DDAs e personalidades predispostas  dependncia.
	Quanto  hiptese da automedicao, sabe-se que foi postulada por Edward Khantzian, um psicanalista especializado no estudo e tratamento de pessoas com histria de abuso e dependncia de substncias qumicas. Segundo o autor, as pessoas que usam drogas o fazem com o objetivo de tratar sentimentos camuflados ou ocultos de natureza extremamente desconfortvel. Assim, a automedicao seria a utilizao de substncias com os objetivos de: melhorar o rendimento, elevar o estado de humor ou, ainda, minimizar ou mesmo anestesiar os sentimentos dolorosos. Se deslocarmos esse conceito para o funcionamento DDA, poderemos entender, pelo menos parcialmente, o fato de muitos deles se tornarem dependentes de substncias como o lcool, maconha, tranqilizantes, nicotina, cafena, cocana, acares, analgsicos e anfetaminas. Isso ocorreria com o intuito, pelo menos inicial, de proporcionar alvio s suas mentes e/ou corpos inquietos. Assim, apesar de o termo automedicao no ter sido criado para explicar o abuso de drogas pelos DDAs, seu entendimento cai como uma luva no campo da psicopatologia do Distrbio do Dficit de Ateno e sua relao com as drogas.  como abrir uma das portas do complexo universo das mentes DDA e sua busca, s vezes desesperada, na tentativa de se organizar.
	Em um primeiro momento, ou seja, assim que um DDA inicia seu contato com algum tipo de droga, o efeito da automedicao pode at apresentar-se de maneira eficaz (na verdade, pseudo-eficaz), uma vez que drogas como a cafena, a cocana ou as anfetaminas fazem com que o DDA consiga concentrar-se, encadear seus pensamentos e dar continuidade s suas tarefas. J drogas como o lcool, maconha, morfina e derivados, tranqilizantes e herona proporcionam ao DDA um anestesiamento de seus sentimentos e de sua habitual ansiedade.
	Muitas pessoas com DDA apresentam uma grande dificuldade em se manterem estveis emocionalmente. Costumam se sentir tristes, ansiosos, angustiados, exaltados ou mesmo estranhos, sem qualquer motivo aparente ou plausvel. Essa avalanche de sentimentos pode levar o indivduo a vivenciar um estado que denominamos desconexo emocional, no qual predomina uma sensao de estranheza em relao a si mesmo. Uma situao vivenciada com grande desconforto (fsico e mental) e muito sofrimento, levando com freqncia ao abuso de substncias, em tentativas de automedicao.
	Corroborando o conceito de automedicao na estreita relao entre DDA e drogas, pode-se destacar ainda o fato de muitas pessoas que ignoram ser DDAs e, ao terem contato com cocana ou anfetaminas, sentem alvio em vrios dos seus sintomas, como desateno e desorganizao. Esse alvio, temporrio, faz com que muitos DDAs tornem-se usurios crnicos dessas drogas. Se for lembrado ainda que a Ritalina, uma das medicaes mais usadas e eficazes no tratamento do DDA, possui um mecanismo de ao parecido com a cocana e as anfetaminas e, por isso,  tambm chamada de um estimulante do sistema nervoso central, veremos, assim, que muitos adolescentes e adultos com DDA podem estar usando, de maneira inadvertida e perigosa, cocana e anfetaminas, como forma de automedicao.
	Pelo exposto, conclui-se que a cocana e alguns tipos de anfetamina seriam as drogas em potencial para um DDA. No entanto, observa-se que o uso do lcool e da maconha tambm so bastante freqentes na vida destas pessoas.
	Nesses casos, constamos que os usos visam a automedicar a grande angstia e ansiedade que esses indivduos apresentam. O lcool, tal qual um tranqilizante, tem a capacidade de reduzir, a curto prazo, estes desconfortveis sintomas. No entanto, com o abuso crnico, o lcool gera neste mesmo indivduo sintomas depressivos e, uma vez estabelecida a dependncia fsica, proporciona grandes doses de ansiedade em funo das crises de abstinncia.
	Tal qual o lcool, a maconha, inicialmente, proporciona grande alvio na inquietao mental e fsica de um DDA, mas, a longo prazo, promove uma desmotivao vital que acaba por alimentar a desorganizao que muitas vezes toma conta do cotidiano dos DDAs. Assim, pode-se concluir que, por um perodo, em geral curto, a automedicao pode trazer uma sensao bastante confortvel a um DDA; todavia, com o passar do tempo, poder acarretar uma grande lista de problemas desagradveis relacionados com a dependncia qumica. Uma vez que esta seja estabelecida, a droga consegue algo que parecia impossvel: transformar a vida de um DDA em algo muito mais difcil e desconfortvel que antes. O que no incio era soluo, transforma-se, agora, em um poo sem fundo de problemas que podem incluir: perda de emprego, violncia domstica, desestruturao de famlias, desastres automobilsticos, comportamento sexual de alto risco, crimes impulsivos, runa financeira e, at mesmo, morte.
	A afirmao de Wendy Richardson resume perfeitamente a situao de risco presente na relao DDA-Drogas-Automedicao:.
Automedicar DDA com lcool e outras drogas  como apagar fogo com gasolina. Sua vida pode explodir se voc tentar ludibriar as chamas do DDA.
	Ainda dentro dos aspetos psicolgicos existentes na coligao DDA e drogas, deve-se destacar o fato de que algumas caractersticas apresentadas no comportamento DDA encaixam-se perfeitamente no perfil de personalidade de pessoas com tendncia  dependncia.
	Ao se analisar a personalidade dos indivduos que se tornam dependentes de algum tipo de substncia,  possvel deparar-se, na grande maioria das vezes, com algum portador de uma estrutura interna frgil, desprovida de recursos para enfrentar, de maneira adequada, os fatos e momentos marcantes de sua vida. Lidar com a vida  algo muito difcil para os dependentes, no s pelas dificuldades reais que o cercam, como pela sua incapacidade de utilizar suas vivncias passadas como aprendizado til no enfrentamento da realidade. Incapazes de suportar as frustraes e restries inerentes  vivncia humana, estas pessoas passam a agir de maneira extremamente impulsiva com o intuito urgente de saciar sua nsia de segurana interna. Dessa maneira, partem para o uso de uma substncia (droga) e passam a ter a iluso de estarem supridos e suficientemente fortes para enfrentarem as adversidades.
	Quem no se lembra das aventuras de Popeye, personagem que retratava um homem simples e comum, que, ao se deparar com problemas pessoais de qualquer ordem, recorria ao seu mgico espinafre, com o poder de transform-lo em um super-heri seguro de si e imbatvel. Diante do status que Popeye adquiria com o uso de seu espinafre, pode-se afirmar que existe nesta inocente relao (Popeye X espinafre) toda a dinmica presente na interao dependente X droga. Afinal, uma substncia, por si s, no  uma droga. O que determina a designao de droga dada a uma substncia  a mudana de comportamento que ela produz e o status temporrio de que o usurio desfruta com a transformao advinda de seu uso.
	O indivduo com caractersticas predisponentes  dependncia no consegue entender que uma mudana real e saudvel  fruto, fundamentalmente, do desenvolvimento da pacincia, do exerccio da capacidade de reflexo e da aceitao dos sofrimentos e fracassos vitais. Para esse indivduo, toda a demora existente no processo de uma mudana real  inaceitvel. Isso ocorre, pois, alm da impacincia, nutre uma necessidade violenta e impulsiva de desfazer-se de uma identidade que ele prprio no estima e que, em muitos casos, foi tambm pouco estimada nas etapas iniciais de sua vida. O dependente se v como uma estrutura esttica e incapaz de realizar mudanas positivas a partir de si mesmo. Assim, compulsivamente, segue em direo  negao de suas fragilidades, por meio do uso de substncias mgicas que lhe ofeream mudanas rpidas e sem qualquer tipo de esforo auto-reflexivo.
	Semelhante a uma personalidade predisposta  dependncia, o DDA apresenta uma estrutura interna frgil, grande insegurana pessoal, baixa auto-estima, impacincia, baixa tolerncia  frustrao e intensa impulsividade.
	No se sabe dizer se essas semelhanas possuem algum significado maior que nos leve a uma gnese comum, pelo menos parcialmente, entre o funcionamento DDA e a dependncia qumica. At o momento, no que concerne  anlise comportamental desses dois funcionamentos, s se pode afirmar que suas estradas costumam cruzar-se com uma freqncia bastante peculiar.
	No que se refere ao aspeto biolgico da questo, tudo comea a se encaminhar para o neurotransmissor dopamina. Parece que  justamente neste ponto que dependncia e DDA usufruem de um territrio comum.
	Em relao  dependncia, sabe-se que muitos indivduos usam drogas para obterem, atravs delas, sensaes ou comportamentos vantajosos e prazerosos. Se assim no fosse, as drogas no seriam hoje um problema de sade pblica em todo o mundo.  comum referir-se  dopamina como o neurotransmissor do prazer e da motivao, e logo se passa a associ-la ao prazer que algumas substncias podem produzir nos indivduos em funo do seu uso.
	Essa associao, inicialmente emprica, vem sendo bastante estudada e, nos ltimos tempos, comprovada, graas a pesquisas realizadas recentemente sobre os efeitos da cocana, atravs de imagens cerebrais obtidas pela tomografia PET (Positron Emission Tomography), um sofisticado mtodo que permite visualizar o funcionamento dos neurnios no exerccio de suas funes, utilizando-se marcadores radioativos.
	As pesquisas revelaram que a cocana faz com que uma maior quantidade de dopamina fique disponvel no crebro, causando assim os efeitos eufricos associados  sua utilizao. Pode-se concluir que a cocana em si no  responsvel pelo prazer experimentado por seus usurios e sim o aumento significativo de dopamina que ela promove no crebro. Portanto, qualquer substncia ou comportamento que tenha o poder de causar um aumento nos nveis de dopamina no organismo pode ser chamada de droga. Por isso mesmo se atribui, nos dias atuais, o status de droga ao lcool, cafena, anfetaminas, maconha, nicotina, herona e outras mais que, certamente, surgiro.
	Se for lembrado que o metabolismo da dopamina encontra-se afetado no Distrbio do Dficit de Ateno, pode-se imaginar, no mnimo, que reside neste fato a base cerebral desta interdependncia  DDA X Drogas  de conseqncias to preocupantes, quanto explosivas.
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QUEM SE TORNAR DEPENDENTE?.
Todo DDA  vulnervel a abusar de qualquer substncia que provoque alterao de comportamento com o objetivo de diminuir os sentimentos desconfortveis que acompanham esse funcionamento cerebral. Contudo, existe uma variedade de fatores envolvidos no fato de uma pessoa com DDA tornar-se dependente e outras no. A causa disso no  nica, pois uma combinao de fatores encontra-se envolvida no processo. Predisposio gentica, neurobioqumica cerebral, histria familiar, traumas, estresse, tipos de droga e outros fatores fsicos e emocionais fazem parte dessa engrenagem. Parte essencial na determinao de quem se tornar dependente ou no  a combinao e a cronometragem (tempo de exposio) a esses fatores. Um DDA pode ter uma predisposio gentica para o lcool mas, se ele opta por no beber, consciente dos riscos aumentados que possui, nunca se tornar um alcolatra. O mesmo ocorre com as demais drogas. Se um DDA nunca fumar maconha, cheirar cocana ou usar herona, obviamente nunca se tornar um dependente dessas substncias, independentemente de seu funcionamento e/ou de seus outros fatores predisponentes. Por isso, tratando-se de drogas e DDA, a mxima regente  interveno precoce e preveno.
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INTERVENO PRECOCE E PREVENO.
Nem pense. Diga NO! Essa simples tomada de posio pode revolucionar positivamente a vida de um DDA, no que tange  sua truculenta relao com as drogas. Isso pode soar de maneira muito simplista, mas, se assim o fosse, no se teriam milhes de crianas, adolescentes e adultos usando drogas todos os dias em toda parte do planeta. Para alguns, a atrao biolgica e emocional pelas drogas  algo to forte, que conceituar os riscos de automedicar-se pode ser muito difcil.  o caso de pessoas com DDA que tm uma grande afinidade e atrao por experincias estimulantes e arriscadas. Isso tambm se aplica a pessoas com DDA que esto sofrendo fsica e emocionalmente com inquietao, impulsividade, baixa energia, vergonha, problemas de ateno e organizao, e um alto ndice de dor social causados pelo seu no-tratamento.
	 difcil dizer no s drogas, quando se tem dificuldade em controlar os impulsos. Em outras palavras, no  fcil resistir s drogas quando se  atormentado por um crebro ruidoso e um corpo inquieto. Por isso mesmo  que se deve ter em mente que, quanto mais cedo as crianas, adolescentes e adultos com DDA forem tratados, mais atos estaro os profissionais a ajud-los no processo de minimizar ou eliminar o efeito da automedicao.
	 importante destacar que muitos pais, psiclogos e mesmo mdicos, no especializados, receiam usar medicamentos no tratamento dos DDAs. Em primeiro lugar,  preciso lembrar que o uso de medicaes nesses casos no  uma obrigatoriedade e sim uma escolha de cada DDA, na busca de um padro de confortabilidade para suas vidas e a dos demais ao seu redor. Para aqueles que optam pelo uso de medicamentos como um instrumento a mais na busca desse objetivo,  importante lembrar que as medicaes devem ser receitadas por um mdico especializado no assunto e monitoradas de perto para que possam, de fato, prevenir ou minimizar a necessidade de automedicao. Quando os medicamentos ajudam os DDAs a se concentrarem, controlarem seus impulsos e regularem seus nveis de energia, eles se tornam menos propensos a se automedicarem.
	O DDA, no tratado, contribui para o estabelecimento da dependncia, bem como para a ocorrncia de recadas no processo de recuperao. Muitas vezes, os sintomas DDA, como estados depressivos, sentimentos de incapacidade, vergonha e inadequao, podem representar o gatilho que ir disparar uma recada. Muitos indivduos em recuperao, com DDA, passam horas em terapias, trabalhando questes de infncia, conhecendo sua criana interior e analisando seu comportamento na busca dos porqus que os levaram a abusar e a se tornarem dependentes de drogas. Todo esse conhecimento  til e necessrio para o processo de recuperao. No entanto, se, depois de anos de terapia individual ou em grupo, esses indivduos ainda largam seus empregos de maneira impulsiva, tal qual rompem seus relacionamentos afetivos, no conseguem dar continuidade a seus projetos e tm um nvel de energia lento, rpido ou catico, devemos atentar para a necessidade de estabelecer-se um tratamento mais direcionado para o funcionamento DDA, com o objetivo claro de reduzir sentimentos e situaes que possam desencadear recadas no rduo processo de recuperao.
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TRATAMENTO DDA/DEPENDNCIA.
No  suficiente tratar a dependncia e no tratar o DDA, e vice-versa. Ambos precisam ser diagnosticados e tratados para que o indivduo tenha uma chance de dar continuidade  sua recuperao.  chegada a hora de especialistas em dependncia compartilharem informaes com aqueles que tratam DDA, na busca de um trabalho com objetivos comuns e mais eficazes.  fundamental que profissionais em dependncia entendam que o Distrbio do Dficit de Ateno  resultado de uma biologia diferenciada e que apresenta boa resposta teraputica a um programa de tratamento informativo-educacional que, na maioria dos casos, inclui o uso peridico ou permanente de medicamentos. Importante, tambm,  que profissionais que lidam com os DDAs apoiem o envolvimento destes em programas de recuperao de dependncia, bem como os ajudem a trabalhar o receio, ou mesmo o medo, de fazerem uso de algum tipo de remdio. Um tratamento informativo-educacional para DDAs com histria de abuso e/ou dependncia de drogas inclui as seguintes etapas:.
1. Realizao de uma avaliao especializada para o DDA e dependncias correlatas;.
2. Informao com carter educacional sobre como o funcionamento DDA causa impacto na vida dos indivduos e das pessoas que os cercam;.
3. Envolvimento em grupos de recuperao de dependncia, preferencialmente no programa dos 12 passos (Alcolicos e Narcticos Annimos);.
4. Tratamento psicoteraputico do DDA: feito atravs de terapia de base cognitivo-comportamental. Essa abordagem visa promover uma mudana positiva no comportamento e padres de pensamento de um DDA, atravs de um entendimento adequado de seus sintomas;.
5. Tratamento medicamentoso do DDA: deve ser efetuado toda vez que os sintomas da sndrome sejam responsveis por um nvel muito elevado de desconforto vital, manifestado pela presena de incapacitaes funcionais;.
6. Trabalhar a busca de habilidades individuais que levem a um processo de produtividade pessoal e contribuam na reintegrao social, familiar e profissional do indivduo.
	H, ainda, no tratamento dos DDAs, com dependncia qumica, uma questo bastante delicada: em que momento deve-se enfatizar o uso de medicamentos para os sintomas especficos do DDA?.
Entende-se que exista uma hierarquia nessa questo e ela deva ter como base o momento de recuperao no qual uma pessoa se encontra. Assim sendo, sugere-se a existncia de trs estgios distintos de recuperao:.
1- Estgio inicial: Corresponde ao perodo em que a pessoa resolve iniciar o tratamento de sua dependncia. Sintomas de abstinncia, como agitao, distrao, alteraes de humor, irritabilidade, confuses e impulsividade esto presentes e podem confundir-se com os sintomas do DDA. Uma histria infantil positiva para DDA pode ajudar a caracterizar melhor esta situao to ambgua. Em princpio, deve-se evitar o uso de medicamentos psicoestimulantes nesta fase do tratamento, a no ser que os sintomas DDA apresentados pelo indivduo estejam impedindo-o de atingir um estado de sobriedade.
	2. Estgio intermedirio: Este  o perodo em que o indivduo no est mais fazendo uso de sua droga e, em geral, busca ajuda para enfrentar os problemas que no desapareceram com a sobriedade. Tais problemas so, em geral, os prprios sintomas DDA, como instabilidade de humor, desorganizao, insegurana, baixo rendimento e impulsividade. Neste momento, o diagnstico de DDA costuma ser facilmente realizado e o medicamento pode ser utilizado com grande eficcia.
	3. Estgio final de carter contnuo: Neste perodo a maioria das pessoas consegue expandir sua vida para alm de tentar ficar sbrio.  a hora excelente para tratar o DDA com medicamentos adequados, uma vez que possuem agora uma maior flexibilidade para lidar com outros problemas que no as drogas.
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MEDICAMENTOS E DEPENDNCIA.
Este item ser iniciado com o depoimento de Mayra, artes e qumica, 40 anos:.
Receber o diagnstico de DDA aos quarenta anos foi, no mnimo, impactante, mas saber que todo o desconforto que sentia, at aquele momento, tinha uma explicao, tratamento e controle, deu uma sensao de extremo alvio.
	Tive uma infncia que considero feliz, adolescncia angustiada e vida adulta confusa. Pratiquei esportes por anos, fiz curso superior e logo aps a formatura iniciava minha vida profissional. Aos olhos dos outros tudo parecia dentro da normalidade, porm no era dessa forma que os meus olhos me viam.
	Sentia-me angustiada, ansiosa, exigente comigo mesma e em busca constante de algo que nunca soube definir o qu. Era como se eu no fizesse parte do contexto, apenas uma simples espectadora. Sonhadora, mas sem projetos, sem planejamentos, sem objetivos. Em eterna insatisfao, vivia apenas o presente, capaz de pensar e realizar vrias coisas ao mesmo tempo, num rudo mental, que me levava  exausto.
	Aos 23 anos, na tentativa de minimizar meu desconforto, comecei a fazer uso de tranqilizantes  automedicao favorecida pela minha prpria profisso  que, com o passar do tempo, acarretou a inevitvel dependncia fsica e psquica. Por 17 anos consecutivos experimentei uma grande variedade de tranqilizantes que o mercado oferece e, especialmente, o Lorazepan que me acompanhou pelos ltimos sete anos, em doses excessivamente altas.
	O uso crnico dos medicamentos levou-me a um estado depressivo e insone que me fez abandonar uma vida profissional relativamente estvel. Quando procurei uma psiquiatra, me sentia ctica e sem esperanas.
	Atravs de tratamentos psicoterpicos e medicamentosos adequados e incentivos da mdica que me assistiu, a depresso foi aos poucos se dissipando e fui me sentindo com mais vitalidade e desejo de um reinicio. O diagnstico do DDA estimulou-me a colher informaes sobre o distrbio, suas causas e conseqncias, as quais me fizeram identificar cada vez mais com seus sintomas caractersticos.
	O prximo passo foi libertar-me da dependncia qumica. Embora tenha sido um processo tortuoso e doloroso, exigindo muita dedicao, empenho e pacincia das pessoas que me eram ntimas, transpor esse desafio foi absolutamente possvel.
	Liberta do torpor dos efeitos dos tranqilizantes e ainda em tratamento psicoterpico, aos poucos estou adquirindo autoconhecimento e, com isso, autocontrole, podendo administrar e gerenciar melhor meus pensamentos, emoes e talentos. Estou saindo da confuso mental para a objetividade. Abandonando o adiamento crnico dos compromissos, que tanto me angustia, e aprendendo a priorizar as tarefas.
	Saber ser portadora de DDA aos quarenta anos, acarinhou e enriqueceu minha alma, trouxe-me a paixo pela vida e mais respeito comigo mesma. Continuo sonhadora, mas hoje acalento meus sonhos, fazendo com que se projetem para o futuro de maneira prtica, esperanosa e acreditando na possibilidade de realizaes.
	Os medicamentos psicoestimulantes, quando adequadamente receitados e monitorados, so eficazes para 75 a 80% das pessoas com DDA. Esses medicamentos incluem a Ritalina, Dexedrine, Adderal e Dosoyn.  importante frisar que quando usados para tratar DDA, a dosagem utilizada  muito menor do que alguns dependentes costumam usar Para ficarem altos. Quando um DDA  propenso a esse tipo de medicao, ele no se sentir eltrico ou alto; em vez disso, ele relatar um aumento na habilidade de se concentrar e controlar seu nvel de atividade fsica e mental, assim como seus impulsos.
	Medicamentos no-estimulantes como Efexor, Pamelor, Prozac, Cylert, Zyban e Zoloft tambm podem ser eficazes em aliviar os sintomas de DDA em muitas pessoas. Tais medicamentos so freqentemente usados em combinao com psicoestimulantes. Ambos em pequenas doses. Os medicamentos no-estimulantes no apresentam nenhum risco de abuso e/ou dependncia.
	At hoje,  comum mdicos que hesitam, por diversos motivos, em usar medicamentos psicoestimulantes para tratar DDAs. No entanto, a prtica clnica nos tem revelado que quando uma pessoa, em recuperao de dependncia, mostra-se, de fato, disposta a utilizar medicamentos com o objetivo claro de aumentar a eficcia de seu tratamento, a possibilidade de abuso  muito rara. Na verdade, a chave de tudo  o envolvimento do indivduo em um programa de tratamento informativo-educacional com uma superviso dos medicamentos, intervenes comportamentais e participao em terapias individuais e/ou de grupos no processo adaptativo dos DDAs e vinculao com programas de recuperao de dependentes.
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UMA LUZ NO FIM DO TNEL.
Quando h dez anos comeamos a nos interessar pelo funcionamento DDA, fomos tomados por sentimentos intensos e antagnicos. Por um lado, o fascnio por mentes to inquietas quanto criativas e, por outro lado, a apreenso de constatar a existncia de uma relao bem estreita entre o Distrbio do Dficit de Ateno e o abuso/dependncia de substncias qumicas. Essa associao to explosiva, que nos causou um certo desnimo na elaborao de um plano teraputico para os DDAs, acabou por nos permitir ajudar diversos pacientes que nos procuravam com a inteno de iniciar um tratamento para um determinado tipo de dependncia. Foi ento que pudemos observar que essa relao ocorre numa estrada de mo-dupla e que um tratamento eficiente para ambos os lados viria de uma postura de respeito por este fato.
	Nos ltimos anos, temos testemunhado uma verdadeira transformao de vidas previamente prejudicadas por dependncias em DDAs no tratados. Pudemos ver pessoas, recadas em programas de recuperao, alcanarem sobriedade completa e contnua, aps estarem com seu funcionamento DDA sob tratamento; ou ainda, DDAs passarem a ter uma vida confortvel, aps se libertarem de sua dependncia.
	Por tudo isso podemos afirmar que, por mais difcil que parea, h uma luz no fim do tnel e sua intensidade  proporcional ao entendimento e  vontade de cada DDA em reescrever sua vida. No perca tempo lamentando o fato de ser DDA ou dependente de alguma droga. Em vez disso, faa um pato de rebeldia consigo mesmo, contrarie as previses e as estatsticas, e seja feliz. .
	CAPTULO 10 - A DIFCIL TAREFA DE DORMIR BEM.
	aprendendo a relaxar um crebro a mil por hora...
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Se considerarmos que o sono  o momento em que nosso crebro relaxa com o intuito de recuperar-se do desgaste ocorrido durante o dia, na execuo de suas intensas tarefas, surgir, em se tratando de um crebro DDA, uma problemtica bastante complexa. Afinal, como  possvel relaxar um crebro que anda a 200 km/h?.
Os profissionais de sade especializados e familiarizados com o funcionamento DDA esto cientes de que muitos deles apresentam problemas relacionados com o sono. Esses problemas esto presentes, tanto no ato de adormecer bem, como na manuteno de um sono qualitativamente relaxante. Por isso mesmo, costumam queixar-se de insnia e/ou intensa sensao de cansao durante o dia.
	Infelizmente, quase no existem estudos na literatura geral sobre DDA que expliquem suas dificuldades relacionadas ao sono, tanto em seu aspeto quantitativo, como qualitativo. Dormir em excesso, como ocorre com alguns DDAs, no significa de forma alguma dormir bem. O nico dado concreto e compreensvel que se tem nesse aspeto  a presena de pensamentos constantes, a uma velocidade to intensa, que acaba resultando em grandes dificuldades para relaxar e dormir.
	Em funo das nossas prprias dificuldades de sono e da nossa conscincia prtica de como elas podem afetar o funcionamento fsico e mental dirio de uma pessoa, resolvemos incluir, de maneira rotineira, uma breve avaliao do sono em nossas entrevistas iniciais. Em pouco tempo, verificamos os benefcios prticos dessa conduta investigatria. Selecionamos todos os pacientes com DDA e procedemos a uma anlise sistemtica sobre o sono deles. O resultado foi bastante elucidativo: 85% de todos os pacientes com sintomas DDA sofriam de insnia, sono inquieto e fadiga diurna crnica. Essas alteraes esto presentes, de forma constante, nos chamados distrbios do sono. O Distrbio do Sono  uma condio crnica que afeta diretamente a qualidade e a quantidade do sono de uma pessoa. Aps proceder a uma reviso em pesquisas mdicas sobre os distrbios do sono, pudemos observar a existncia de uma relao ntima, documentada em vrios desses estudos, entre DDA e distrbios do sono. Trata-se de uma dobradinha marcada por muita inquietao, insnia e cansao. Entre os diversos tipos de distrbios do sono, os que parecem estar mais relacionados com o DDA so a Sndrome das Pernas Inquietas, Sndrome dos Movimentos Peridicos dos Membros e Apnia Obstrutiva do Sono.
	O conhecimento e o tratamento dos distrbios do sono so importantes para todas as pessoas que sofrem com essas alteraes. Em geral, eles no so diagnosticados. Estima-se que uma parcela significativa da populao mundial apresente alteraes relacionadas com o sono. S nos Estados Unidos, este nmero  em torno de 70 milhes de indivduos e a grande maioria no  diagnosticada nem tratada.
	Para os DDAs, o assunto no  s importante, mas, acima de tudo, vital, uma vez que para eles a alterao qualitativa ou quantitativa resulta em um aumento da desateno e da hiperatividade. Como conseqncia, tambm estaro afetados a qualidade dos desempenhos profissional e escolar, relacionamentos pessoais e o estado geral de sade fsica e mental.
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SNDROME DAS PERNAS INQUIETAS.
Caracteriza-se por uma sensao desconfortvel de inquietao que toma conta das pernas ou braos (mais raro) na forma de uma movimentao imposta ao indivduo, e costuma ocorrer quando a pessoa se encontra em descanso fsico. Quando essa sensao se inicia, as pessoas so tomadas por uma vontade irresistvel de mexer as pernas. A maioria encontra alvio com a execuo de uma breve caminhada ou de exerccios que coloquem as pernas em movimento. A Sndrome das Pernas Inquietas pode manifestar-se quando o indivduo est acordado ou dormindo. Quando ocorre na hora de dormir, as sensaes, s vezes at dolorosas, e a inquietao contribuem diretamente para a ocorrncia de insnia.
	Das trs condies citadas, como alteraes do sono mais comuns nos DDAs, a Sndrome das Pernas Inquietas  a de maior facilidade diagnstica, uma vez que costuma ocorrer quando a pessoa est acordada e, portanto, apta a lembrar e relatar o fato, quando questionada por um profissional de sade.
	Foi esse problema que motivou Rubens, 52 anos, contador, a procurar ajuda. Ele j no agentava mais a rotina de ter que dar caminhadas tarde da noite para conseguir adormecer. Alm de dormir mal, o tempo que perdia ainda lhe tirava pelo menos duas horas de sono, que acabavam fazendo falta para quem precisava acordar bem cedo todos os dias. Ele demorou bastante a procurar ajuda, pois nunca tinha ouvido falar de algo semelhante, ento concluiu tratar-se talvez de um problema de estresse, ou energia que precisava ser descarregada. A esposa reclamava muito das caminhadas e sentia muita preocupao, quando saa j muito tarde. Mas reclamava igualmente quando ele no caminhava e contorcia-se na cama, inquieto, remexendo as pernas. A soluo encontrada por ela foi abrir um crdito e comprar um destes aparelhos encontrados em academias: uma esteira.
	Rubens tenta descrever o que se passa, embora considere seu problema como uma ...agonia indefinvel.  difcil de explicar. s vezes, parece que os msculos de minhas pernas esto contrados, como quando se est fazendo esforo para saltar, e o que sei  que preciso mov-los e aliviar a presso. Sem isso no durmo, e acabo atrapalhando o sono de minha esposa tambm. Ela que insistiu para buscar ajuda. Eu at ento achava que fosse algo incmodo, mas no tratvel.
	Rubens teve mais uma surpresa: alm de seu estranho incmodo ser realmente um problema de sade, tambm tinha algo chamado DDA. Isso  que foi o mais engraado. Depois de ter sido diagnosticado como portador da Sndrome das Pernas Inquietas, tambm fui interpelado por minha mdica sobre temas como desateno, desorganizao, impulsividade etc. Uma srie de caractersticas minhas que eu creditava a algum problema de educao ou motivao de minha parte. L estava ela me fazendo aquelas perguntas que tinham tudo a ver comigo, quando eu tinha ido s falar sobre o meu problema de insnia. Pensei que ela fosse uma bruxa, uma mdium. Depois me explicou que o meu problema poderia estar relacionado a algo chamado DDA. Foram duas surpresas boas em um dia: os dois diagnsticos. S saber que eu era DDA tirou uma tonelada de meus ombros. Eu no era bagunado porque queria ou porque era preguioso. Eu tinha dificuldades concretas mesmo! Hoje em dia, Rubens ainda usa bastante sua esteira por causa dos efeitos benficos para sua sade e no porque precisa dessa atividade para adormecer.
	SNDROME DOS MOVIMENTOS PERIDICOS DOS MEMBROS.
Caracteriza-se pela movimentao abrupta dos membros (braos e pernas) durante o sono. Costuma estar presente em 80% das pessoas que apresentam a Sndrome das Pernas Inquietas. Em casos mais srios, os movimentos podem chegar a ocorrer a cada 30 segundos.
	A intensa movimentao dos braos e pernas faz com que o indivduo apresente um sono superficial, em funo de tornar-se parcialmente acordado inmeras vezes durante a noite. Geralmente a pessoa no est ciente desses momentos de sono superficializados e, por isso mesmo, aquelas que no tm um parceiro na cama costumam no saber que apresentam esta condio. Nesses casos, o diagnstico s poder ser realizado atravs de uma polissonografia, que  um estudo especfico feito atravs de monitoramento visual e auditivo do perodo de sono de uma pessoa. s vezes, acopla-se a esses recursos audiovisuais um aparelho capaz de medir toda a atividade eltrica cerebral durante o mesmo perodo.
	Os pais das crianas com DDA desconhecem, na maioria das vezes, que seus filhos promovem uma verdadeira guerra corporal com seus lenis, travesseiros e pijamas durante o sono. No entanto, costumam relatar que suas camas amanhecem em total desalinho e que muitos se apresentam mal-humorados e cansados ao despertar.
	No se sabe exatamente o que causa a Sndrome das Pernas Inquietas e a Sndrome dos Movimentos Peridicos dos Membros. Um grande nmero de mdicos descreve tais sndromes como condies neurolgicas hereditrias e que no costumam ser diagnosticadas. Alguns estudos sugerem que a deficincia de ferro e o excesso de cafena (caf, mate, refrigerantes) devem ser levados em considerao na determinao do diagnstico e no tratamento dessas sndromes, uma vez que esses fatores tm sido associados a uma piora significativa nos sintomas de ambas.
	O tratamento da Sndrome das Pernas Inquietas e da Sndrome dos Movimentos Peridicos dos Membros so comuns e costumam envolver medicamentos e interveno comportamental. Eliminar a cafena da dieta e enriquec-la com frutas e verduras, bem como desenvolver uma atividade fsica regular, podem representar uma melhora significativa nos sintomas dessas alteraes do sono. Quanto aos medicamentos utilizados, verifica-se Que todos tm em comum o fato de atuarem em recptores cerebrais da dopamina. Isso refora ainda mais os laos de familiaridade que parecem existir entre DDA e Distrbios do Sono. Afinal, acredita-se que o Distrbio do Dficit de Ateno tenha como uma de suas causas fatores hereditrios relacionados com recptores da dopamina.
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APNIA OBSTRUTIVA DO SONO.
Caracteriza-se pela ocorrncia, durante o sono, de episdios em que a passagem de ar pelas narinas e boca  interrompida. Essas pausas respiratrias so quase sempre acompanhadas de ronco entre os episdios de apnia. Assim sendo, quase todas as pessoas que apresentam Apnia Obstrutiva do Sono roncam, embora nem todos os indivduos que roncam apresentam esse problema. Em casos mais graves, o nmero de episdios de apnia pode ser de 20 a 30 por hora, em uma noite. Portanto, a Apnia Obstrutiva do Sono pode ser considerada uma alterao sria e com riscos de vida, uma vez que essas interrupes do sono profundo e restaurador costumam causar dor de cabea matinal, sonolncia excessiva durante o dia, presso arterial elevada e, em casos mais graves, isquemia cardaca ou cerebral.
	Infelizmente, a identificao da Apnia Obstrutiva do Sono s costuma ocorrer quando o paciente encontra-se em um estgio avanado do problema.
	Se a pessoa tem um parceiro na cama, este poder identificar a alterao ao deparar-se com uma pausa respiratria em meio a um padro de roncos bem marcados.
	Vrios pacientes podem vivenciar uma sensao de sufocamento durante as pausas respiratrias. Para esses, o diagnstico pode ser um pouco mais fcil em funo de o paciente poder relatar uma vaga lembrana de sensaes de sufocamento ou ainda pelo susto causado no parceiro de cama ao deparar-se com a pessoa tendo uma reao a esse tipo de sensao sufocante.
	 fundamental que todos os mdicos considerem a possibilidade de Apnia Obstrutiva do Sono toda vez que se defrontarem com um paciente que tenha entre suas queixas a presena de sonolncia diurna e fadiga crnica. A melhor maneira de se confirmar o diagnstico  a realizao de uma polissonografia em laboratrios especializados.
	O tratamento especfico para essa condio deve ser planejado a partir de dados sobre a histria pessoal do indivduo (hbitos, vcios, estado civil, tabagismo etc.), de seus exames fsicos e de sua polissonografia. A partir desse inventrio, uma srie de medidas pode ser prescrita aos pacientes:.
 Eliminar os cigarros;.
 Evitar bebidas alcolicas;.
 Evitar calmantes ou hipnticos;.
 Reduzir o peso corpreo  isto  especialmente importante para os casos associados  obesidade;.
 Dormir de lado, em vez de dormir de bruos;.
 Uso constante de um CPAP (nasal continuous pontive airway pressure)  uma pequena mquina que bombeia, suavemente, o ar para dentro de uma mscara que fica sobre o nariz, impedindo assim a ocorrncia da pausa respiratria. Essas mscaras podem ser prescritas por mdicos e so extremamente confortveis. com o uso do CPAP, em poucos dias os pacientes relatam alvio intenso na sonolncia diurna e na fadiga crnica.
	Amadeu  engenheiro civil, tem 49 anos e resolveu procurar ajuda quando comearam a ficar mais freqentes as queixas de sua namorada que o acordava, apavorada, no meio da noite, dizendo que ele no estava respirando. Ele no sabe dizer se tem esse problema h muito tempo, pois sua ex-esposa no comentava nada, a no ser o fato de ele roncar. Provavelmente, o problema foi piorando com a idade e  medida que Amadeu intensificava o uso de cigarros e bebida. Quem primeiro chamou sua ateno foi a atual companheira, com quem dorme alguns dias da semana. Sobre isso, ele relata:.
Sempre soube que eu no tinha uma boa qualidade de sono. J acordava cansado e, no resto do dia, literalmente me arrastava. O mau humor era a tnica, e sentia bastante dor de cabea. Eu tinha vaga conscincia de acordar muito durante a noite e de uma sensao de abafamento, at porque sentia a garganta ressequida nestes momentos. Creditava isso a uma combinao de sono leve, estresse, alergia e aos roncos. Sobre os roncos eu j sabia bem. Provavelmente, foi um dos fatores que contriburam para o fracasso de meu casamento, pois minha ex-mulher no conseguia dormir direito e, ento, passamos a dormir em quartos separados. Talvez por isso nunca soube das pausas na respirao..
com a nova companheira  que Amadeu teve a oportunidade de descobrir que poderia ser algo diferente e mais srio. Cada um mora em sua casa, e quando dormem juntos, ela faz questo de dormir abraada. Nesses momentos  que ela percebeu a ocorrncia de estranhos silncios na respirao ruidosa do companheiro. Em uma das vezes, por fim, tocou o trax de Amadeu e percebeu que ele no respirava durante esses silncios. Ela no esperava para saber se eu ia voltar a respirar ou no, me acordava desesperadamente, achando que eu estava tendo algum tipo de ataque ou sncope. Por fim, com a continuao desses episdios, Amadeu passou a ter receio de adormecer e sua companheira j no dormia em paz, ficando atenta  respirao de Amadeu. A eu passei a ficar seriamente preocupado com minha sade e tambm com as conseqncias que isso podia ter para meu relacionamento. No queria que fosse tudo por gua abaixo novamente. Ela tambm j no dormia direito ao meu lado. Amadeu consultou clnicos, cardiologistas e submeteu-se a exames. Aps comear a fazer uso do CPAP e mudar alguns hbitos nocivos, experimentou intenso alvio nos sintomas de fadiga e dor de cabea. S uma coisa ainda no batia: os esquecimentos e a desorganizao, que ele creditava ao maldormir, resistiam ao tratamento. Aliviado dos sintomas mais preocupantes, comeou a notar a persistncia de incmodas caractersticas. Eu era to confuso e bagunceiro que, certamente, se fosse empregado em alguma empresa e no tivesse minha prpria consultoria, j teria sido demitido. Sua consultoria vai de vento em popa, porque ele conta com excelentes assistentes, que organizam e executam suas boas idias, direcionam bem seu mpeto empreendedor e monitoram seus afazeres e compromissos de modo que no se prejudique com isso. Tenho em meus fiis funcionrios minha memria, minha ateno e minha concentrao, j que no as tinha por conta prpria. O interessante foi quando notei que isso no mudava mesmo quando passei a ter um sono decente. Amadeu comeou a desconfiar de que podia ter algo a mais quando sua ex-mulher comunicou-lhe que o filho pr-adolescente do casal fora diagnosticado com algo chamado DDA.
	Os problemas enfrentados pelo filho eram muito semelhantes aos seus e sua ex-mulher comentou que o mdico havia alertado sobre o componente gentico do problema, Ela j havia se submetido a uma consulta e comprovado que no era DDA. Ela disse brincando: deve ser voc. Mas eu levei a srio. Procurei ajuda e no deu outra. Alm disso, parece haver uma relao entre o meu problema de sono com o DDA. Ento, tudo pra mim se encaixou..
Hoje em dia, tratando o seu DDA, ele comemora a melhora de seus problemas no trabalho. Os funcionrios j no ficam to apreensivos com as falhas freqentes do chefe, que eles precisavam prevenir, detectar e remediar. Por conta disso, esto at mais produtivos para outras tarefas. Mas ser organizado  chato mesmo, sabe? Eu at no sou to distrado quanto antes, mas continuo deixando com eles a tarefa de traarem meu roteiro, finaliza rindo, contente.
	Fizemos questo de escrever este CAPTULO, em separado, para destacar duas questes que infelizmente vm sendo ignoradas pela grande maioria dos mdicos: Distrbios do Sono e sua relao com o Distrbio do Dficit de Ateno. A melhor maneira de contribuir para uma mudana real dessa situao  informar sobre sua ocorrncia, possibilidades de identificao e formas de tratamento. Somente assim se poder falar em qualidade de vida para milhares de pessoas com DDA e que apresentam alguma alterao do sono como um problema coexistente.
	CAPTULO 12 - UMA BREVE HISTRIA NO TEMPO.
	o longo processo de identificao do funcionamento DDA...
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Em 1902, George Fredrick Still realizou uma srie de palestras no Royal Col/ege ofPhysic/ans. Nestas palestras, Still falou sobre crianas que eram agressivas, desafiadoras, resistentes  disciplina, excessivamente emotivas e passionais, mostravam pouca inibio  sua prpria vontade, tinham dificuldades de seguir regras, eram desatentas, hiperativas, propensas a acidentes e ameaadoras a outras crianas devido a atitudes hostis. De acordo com Still, essas crianas tinham um defeito maior e crnico no controle moral.
	Seu grupo de estudo era constitudo por vinte crianas numa proporo de trs garotos para cada garota. Seus comportamentos problemticos haviam surgido antes dos oito anos de idade. Em harmonia com as idias dominantes da poca, Still rotulou os pais dessas crianas como portadores de um defeito de controle moral. No entanto, teve que reconhecer uma ligao hereditria no comportamento dessas crianas, ao perceber que alguns membros de suas famlias apresentavam problemas como depresso, alcoolismo e alteraes de conduta. Essa idia de que o comportamento poderia ter uma causa orgnica mais relevante do que simplesmente ser resultado de uma educao familiar inadequada, foi um conceito arrojado para a poca (incio do sculo XX). Mesmo assim, essas idias ganharam credibilidade, sendo inclusive publicadas no British Medical Journal.
	Aproximadamente duas dcadas depois, mdicos americanos estudaram crianas que apresentavam caractersticas comportamentais similares s descritas por Still. Mais do que isso, as crianas estudadas nesse perodo tinham em comum o fato de serem sobreviventes da pandemia de encefalite ocorrida entre 1917-1918.
	Numerosos estudos descreveram crianas com Distrbio de comportamento Ps-Encefalite, em que eram destacados prejuzos na ateno, regulao da atividade fsica e controle dos impulsos. Em 1934, Kahn e Cohen publicaram um artigo no famoso The New England Journal of Medicine, onde afirmavam haver uma base biolgica nessas alteraes comportamentais, baseados em um estudo com as mesmas vtimas da epidemia de encefalite de Von Ecnomo.
	Em funo desta correlao feita entre a encefalite e uma possvel deficincia moral, estabeleceu-se, na poca, um fundamento de carter generalista e, por isto, errneo para explicar o funcionamento DDA: outras crianas que no foram expostas ao surto de encefalite, mas que apresentavam sintomas similares, deviam ter sofrido um certo dano cerebral de alguma outra forma. Criou-se assim o termo crebro danificado ou lesionado para descrever tais crianas. O reconhecimento que muitas dessas crianas, embora diferentes de seus pares etrios (outras crianas na mesma faixa de idade), apresentavam-se muito espertas e inteligentes para serem portadoras de uma leso cerebral de qualquer extenso, acabou originando o termo Leso Cerebral Mnima, que terminou por se tornar popularmente conhecido e completamente disseminado, apesar de no haver leso cerebral bvia, ou, pelo menos, nenhuma que pudesse ser evidenciada por um teste ou exame mdico objetivo. As crianas, com esse tipo de comportamento, deveriam, ainda que de alguma forma, serem consideradas portadoras de um crebro lesionado.
	A partir disso, pensou-se que crianas sem histria ou sinais de trauma fsico fossem lesionadas cerebralmente apenas pelo fato de apresentarem os referidos sintomas comportamentais. Esse termo foi posteriormente mudado para Disfuno Cerebral Mnima por falta de evidncias diretas e objetivas que pudessem constatar a presena de leses cerebrais.
	Em 1937, Charles Bradley acabou por fazer uma descoberta acidental: as anfetaminas (medicamentos estimulantes do sistema nervoso central) ajudavam crianas hiperativas a se concentrarem melhor. Ele observou que muitas crianas, especialmente aquelas que eram hiperativas e/ou impulsivas, com o uso de anfetaminas, apresentavam significativa reduo em seus comportamentos to perturbadores. Foi uma descoberta contrria  lgica que acabou por levar ao surgimento do conceito de efeito paradoxal (efeito contrrio ao esperado com uso de determinada medicao).
	O termo hiperatividade infantil foi usado por Laufer em 1957 e por Stella Chess em 1960. Laufer acreditava que a sndrome seria uma patologia exclusiva de crianas do sexo masculino e teria sua remisso ao longo do crescimento natural do indivduo.
	J Stella Chess isolou o sintoma da hiperatividade de qualquer noo de leso cerebral. Chess encarava os sintomas como parte de uma hiperatividade fisiolgica, cujas causas estariam enraizadas mais na biologia (gentica individual) do que no meio ambiente (como causador de leso). Da o termo Sndrome da Criana Hiperativa.
	Reao Hipercintica da Infncia foi o termo usado pela Associao de Psiquiatria Americana (APA) ao publicar o Manual Diagnstico e Estatstico de Desordens Mentais (DSM-II), em 1968.
	Os novos termos tiveram grande validade para as crianas que apresentavam hiperatividade como parte de seus sintomas. Muito embora, tendessem a ignorar o fato de que um grande nmero de crianas apresentasse dficits de ateno sem qualquer sinal de hiperatividade. Era evidente que mais pesquisas deveriam ser realizadas para responder a essas e outras questes.
	Em 1973, o Dr. Ben Feingold apresentou  Associao Mdica Americana vrios estudos que estabeleciam uma ligao entre determinados alimentos e aditivos qumicos e o comportamento e a habilidade de aprendizagem de certos indivduos. Essa teoria ganhou a simpatia de uma grande parcela da populao americana, mas no foi bem aceita pela comunidade mdica dominante da poca.
	Ainda na dcada de 1970, o foco das pesquisas comeou a mudar da hiperatividade para as questes atentivas. Isso ocorreu graas  teoria apresentada por Virgnia Douglas. Para ela, o dficit em manter a ateno poderia surgir sob condies em que no houvesse hiperatividade. Assim, Virgnia ampliou a percepo dessa sndrome comportamental dando destaque especial ao dficit de ateno, que era subvalorizado anteriormente.
	Surge uma nova percepo em 1976. Nesse ano, Gabriel Weiss mostrou, atravs de estudos realizados a longo prazo, que quando as crianas atingem a adolescncia, a hiperatividade pode diminuir, entretanto, os problemas de ateno e impulsividade tendem a persistir. O consenso anterior tratava a sndrome como uma alterao exclusiva da infncia e que, de alguma forma, desapareceria na adolescncia e na vida adulta.
	Essa foi uma contribuio decisiva para que esse tipo de funcionamento cerebral fosse reconhecido na populao adulta.
	A forma adulta foi oficialmente reconhecida em 1980, com a publicao do DSM-III pela Associao Americana de Psiquiatria, que trouxe mudanas importantes em diversos aspetos: desvinculou a nomeao da sndrome de seus aspetos etiolgicos (fatores causais) e deu destaque aos aspetos clnicos (sintomas); enfatizou a questo atentiva como sintoma nuclear da alterao; identificou a forma adulta, na poca nomeada de tipo residual e renomeou a sndrome de Distrbio do Dficit de Ateno (DDA).
	Durante toda a dcada de 1980, centenas de estudos foram publicados sobre o assunto, fazendo do DDA, pelo menos nos Estados Unidos, a alterao comportamental infantil mais estudada.
	Em 1994, a Associao Americana de Psiquiatria publicou o DSMIV. Nessa atualizao, a classificao do DDA era dividida em dois subtipos bsicos e em uma combinao de ambos:.
 Dficit de Ateno: DA, predominantemente desatento;.
 Dficit de Ateno: DA/HI, predominantemente hiperativoimpulsivo;.
 Dficit de Ateno: DA/C, em que sintomas desatentivos e de hiperatividade/impulsividade esto presentes no mesmo grau de intensidade.
	Atualmente, o DSM-IV  um consenso quando se fala em diagnstico de DDA. Isso ocorre por conta de trs aspetos bsicos oficializados e destacados nesta classificao: 1) os sinais e sintomas listados so os mesmos para crianas, adolescentes e adultos, com a adequada ressalva de serem menos intensos nas fases mais amadurecidas da vida dos indivduos;.
2) o reconhecimento do subtipo predominantemente desatento. Um fato que pode ajudar a reverter a situao de subdiagnstico em relao s mulheres, j que entre elas predominam os sintomas de desateno em detrimento dos sintomas de hiperatividade/impulsividade e 3) o destaque das dificuldades pessoais causadas pelos sintomas de DDA no contexto familiar, profissional-acadmico ou social da vida de cada indivduo.
	Apesar de toda essa evoluo ocorrida nos ltimos anos no processo de identificao do funcionamento DDA, o panorama no Brasil ainda  um tanto desanimador. Neste exato momento, milhares de pessoas, entre crianas, adolescentes e adultos, passam por inmeros desconfortos pessoais e/ ou sociais em funo de seus problemas na rea da ateno e do controle de seus impulsos e hiperatividade fsica e/ou mental. s crianas so imputados rtulos pejorativos como pestinhas, mal-educadas, rebeldes, agressivas, sonhadoras, cabeas-de-vento, entre outros. Aos adultos tambm so atribudos rtulos, no menos pejorativos, tais como: explosivos, areos, briges, egostas, entre outros.
	Para fazer frente a essa situao s existe um caminho: o da informao. Atravs da informao ao grande pblico, pais e educadores, principalmente, podero comear a reconhecer mais e mais esses sintomas no comportamento DDA de suas crianas e, quem sabe, em suas prprias vidas.
	Quanto  comunidade mdica, a informao tambm adquire papel fundamental, notadamente no reconhecimento da forma adulta da sndrome, uma vez que h muito pouca interao entre mdicos psiquiatras e neurologistas, sejam eles especializados em adultos ou em crianas. Essa falta de intercmbio de informaes acaba por no permitir a construo de uma histria linear que possa criar um raciocnio construtivo para a identificao do comportamento DDA.
	 chegada a hora de os profissionais de sade entenderem, de uma vez por todas, que o objetivo final de seu trabalho  o bem-estar do ser humano que, por vcio profissional, costuma-se chamar de paciente. Psiquiatras, neurologistas, psiclogos, psicanalistas, fonoaudilogos e pediatras precisam ter em mente que conhecimentos, e principalmente a troca amigvel deles, obedecem a uma equao somatria e no de diviso de poder. Ter o poder de acertar um diagnstico  algo infinitamente mesquinho quando comparado ao poder de ajudar um ser humano a viver com a dignidade de uma existncia menos desconfortvel e angustiante. Esse talvez seja o maior legado que o tempo poder trazer aos DDAs. Afinal, essa breve histria merece um final feliz.
	Que venha esse novo tempo, em que a intercomunicao do conhecimento no seja s global-virtual, mas sim real e cotidiana.
	Quando nasci veio um anjo safado.
	O chato dum querubim. E decretou que eu tava predestinado.
	A ser errado assim.
	J de sada a minha estrada entortou.
	Mas vou at o fim.
	A ORIGEM DA QUESTO.
CAPTULO 13 - A CINCIA FINALMENTE NO RUMO CERTO DO ENTENDIMENTO DE UM CREBRO DDA...
	.
O Distrbio do Dficit de Ateno deriva de um funcionamento alterado no sistema neurobiolgico cerebral, isto significa que substncias qumicas produzidas pelo crebro, chamadas neurotransmissores, apresentam-se alteradas quantitativa e/ou qualitativamente no interior dos sistemas cerebrais que so responsveis pelas funes da ateno, impulsividade e atividade fsica e mental no comportamento humano. Trata-se de uma disfuno e no de uma leso como anteriormente se pensava. O crebro de um DDA, em forma e aparncia, em nada difere dos demais crebros, que no apresentam um funcionamento DDA; a diferena est no ntimo dos circuitos cerebrais que so movidos e organizados pelos neurotransmissores que, em ltima instncia, seriam os combustveis que alimentam, modulam e fazem funcionar todas as funes cerebrais. Assim, os neurotransmissores seriam a gasolina dos carros, as quedas-dgua que geram a energia das grandes hidreltricas ou mesmo a energia atmica das usinas nucleares.
	A compreenso do componente neurobiolgico no funcionamento do Distrbio do Dficit de Ateno foi revolucionrio para o tratamento desse distrbio, uma vez que mudou a forma de pensar sobre toda a problemtica vital que seus portadores vivenciam. Essa nova viso tornou-se unanimidade na comunidade mdica na dcada de 1990 e foi o pilar gerador da eficincia que os tratamentos medicamentosos alcanaram na melhoria da qualidade de vida dos DDA.  claro que um longo caminho de pesquisas ainda deve ser percorrido, tendo em vista que o mecanismo exato que rege o comportamento DDA ainda no  totalmente compreendido. Tem-se a ponta do iceberg e isto se deve  enorme complexidade dos sistemas cerebrais, em especial, o sistema atentivo, que  o principal responsvel pelo estado de conscincia humana. A existncia traduz-se na capacidade do ser humano de atentar para si mesmo (como indivduo nico) e para todo o mundo ao seu redor. E, na verdade, esta  a essncia da vida humana  relacionar-se consigo mesmo e com os outros, sem perder a individualidade e, simultaneamente, contribuir com o todo universal.
	Os passos no sentido de definir a anatomia e a bioqumica dos crebros DDAs foram de gigante, em termos cientficos, pois cada um deles forneceu a certeza de que esse distrbio no  uma simples incapacidade moral para se comportar, ou para se interessar pelo mundo ao seu redor, ou ainda, uma falta de vontade de acertar-se profissional, afetiva ou socialmente. Isso tira da fronteira da marginalidade social (daqueles que esto  margem da sociedade) milhares de pessoas que, se pudessem ser tratadas, orientadas e organizadas poderiam estar desempenhando suas potencialidades ou mesmo seus talentos especiais, contribuindo, assim, para uma sociedade mais aprazvel de se viver.
	No longo caminho entre a arrumao gentica e a entrada na escola, milhares de fatores podem ocorrer de errado no crebro de um indivduo (Arnold, 1995). Tal afirmao traduz bem a longa histria da cincia, rumo ao entendimento de como funciona um crebro DDA e seus muitos fatores causais. Onde essa histria se iniciou, no se sabe dizer; no entanto, a mudana no foco dessa questo possibilitou retirar o DDA da esfera moralista e punitiva e lev-lo para uma esfera cientfica e passvel de tratamento. E isso  o que realmente importa.
	Os diversos fatores causais que esto envolvidos no funcionamento do crebro DDA so:.
	FATORES GENTICOS.
Todos os estudos cientficos indicam que fatores genticos desempenham importante papel na gnese do Distrbio do Dficit de Ateno. Isso  constatado por estudos epidemiolgicos que mostraram uma maior incidncia da sndrome entre parentes de crianas com DDA em comparao com parentes de crianas no-DDA. Se bem que, at o momento, no se dispe de mecanismos que possam determinar a probabilidade estatstica exata de adultos com DDA terem filhos com este mesmo funcionamento mental. Deve-se, nesse caso, afirmar que a sndrome possui um carter hereditrio, sem um grau de probabilidade determinado.
	Estudos realizados em gmeos idnticos, ou seja, que possuem o mesmo material gentico, apresentaram concordncia na faixa de 50%. Isso nos faz raciocinar que o fator hereditrio (gentico)  importante, mas no o nico na manifestao do comportamento DDA, pois, se assim fosse, a concordncia entre gmeos idnticos deveria ser de 100%.
	ALTERAES ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS NO DDA.
Os indcios mais fortes de que o Distrbio do Dficit de Ateno apresenta uma alterao na estrutura cerebral de seus portadores vm dos inmeros estudos realizados por meio de exames de neuroimagem. Essa categoria de exames visa a obter imagens que mostrem o funcionamento do crebro e no s sua imagem esttica. Dentre esses exames, o que melhor evidencia a atividade funcional das diversas partes do crebro  o PET ou SPET: ambos referem-se a tomografias realizadas por emisso de psitrons, que podem visualizar tanto a estrutura, como a atividade das regies cerebrais, em determinado momento.
	As concluses desses estudos foram unnimes em descrever uma hipoperfuso cerebral localizada mais significativamente na regio pr-frontal e pr-motora do crebro. Essa hipoperfuso significa que a regio frontal, nas pessoas com DDA, recebe um menor aporte sangneo do que deveria e, como conseqncia, h uma diminuio do metabolismo nesta regio, que, ao receber menos glicose (oriunda do sangue), ter menos energia e funcionar com seu desempenho reduzido. Se nos lembrarmos de que o lobo frontal  o principal responsvel pela ao reguladora do comportamento do ser humano, podemos avaliar que o seu hipofuncionamento est diretamente ligado s alteraes funcionais apresentadas no Distrbio do Dficit de Ateno. A forma como o lobo frontal regula o comportamento, ocorre pelo exerccio das seguintes funes: fazer manuteno dos impulsos sob controle; planejar aes futuras; regular o estado de viglia; filtrar estmulos irrelevantes, que so responsveis por nossa distrao; acionar as reaes de luta e fuga; estabelecer conexo direta com o sistema lmbico (centro das emoes), com o centro da fome e da sede; regular a sexualidade, o grau de disposio fsica e mental e muitos outros impulsos de aspeto fisiolgico.
	Em ltima anlise, conclui-se que a ao reguladora do comportamento humano  feita pelo lobo frontal, que exerce uma srie de funes de carter inibitrio, cabendo a ele puxar o freio de mo do crebro humano no que diz respeito aos seus pensamentos, impulso e velocidade de suas atividades fsicas e mentais. E  justamente isso que falha no crebro do DDA, seu filtro ou freio perde eficcia reguladora por receber menos glicose, sua fonte maior de energia, em funo da j citada hipoperfuso sangnea da regio frontal. Sem freio, o crebro DDA ter uma atividade muito mais intensa, ser bombardeado por uma tempestade de pensamentos e impulsos numa velocidade muito acima da mdia. Isso ir ocasionar uma grande desorganizao interna que, muitas vezes, encobrir potencialidades, aptides, talentos e muita inteligncia, num grande emaranhado mental.
	Foi visto at aqui que a sede estrutural do Distrbio do Dficit de Ateno est localizada no lobo frontal; no entanto, no se pode esquecer que no existe um compartimento estanque na organizao cerebral, todas as regies interligam-se, formando uma grande rede de informaes que constitui a base do comportamento humano. Essas informaes so passadas de neurnio a neurnio, de regies a regies, pelos neurotransmissores que iro determinar a ativao ou a inibio destas, modulando, assim o agir dos indivduos.
	No caso especfico do Distrbio do Dficit de Ateno, os neurotransmissores mais participativos, nesse processo de desregulagem no funcionamento do lobo frontal, seriam as catecolaminas, que incluem a noradrenalina e a dopamina. Em 1970, C. Kornetsky descreveu sua hiptese das catecolaminas na tentativa de explicar os sintomas da sndrome DDA. Sua hiptese foi postulada a partir da observao clnica de que estimulantes como a Ritalina e algumas anfetaminas produziam grande efeito teraputico em portadores de DDA. Partindo do conhecimento cientfico de que esses estimulantes afetam diretamente os sistemas dos neurotransmissores noradrenalina e dopamina, aumentando a quantidade destes, Kornetsky passou a acreditar que o funcionamento DDA seria, talvez, conseqncia de uma baixa produo ou uma subutilizao desses neurotransmissores. Essa hiptese continua sendo bastante defendida nos dias atuais, mesmo que muitos estudos recentes apontem para a participao de outros neurotransmissores no funcionamento bioqumico do crebro DDA. A serotonina, estrela na bioqumica da Depresso, parece ter seu papel de coadjuvante nessa dana to complexa que ocorre nos crebros de pessoas com DDA. S o tempo poder nos dizer, com suas verdades inevitveis, o papel de cada neurotransmissor nessa orquestra DDA; entretanto, os sinais de que se dispe hoje, do a certeza de que os sistemas neuroqumicos (da qumica cerebral) encontram-se alterados nas pessoas com DDA, e nisto reside a origem do problema.
	FATORES AMBIENTAIS (EXTERNOS).
Alm da hiptese gentica, a ocorrncia do DDA est muitas vezes correlacionada a complicaes durante a gravidez e no parto, inclusive com relatos de traumatismos neonatais (Bastos e Bueno, 1999). Nesse aspeto, as alteraes encontradas nos sistemas dopaminrgicos, serotoninrgicos e outros eventuais neurotransmissores no seriam provocadas por registros individuais herdados de seus antepassados (origem gentica), e sim por acidentes ocorridos durante o perodo gestacional ou posterior a este. Como exemplo dessa situao, podem-se citar: hipxia (privao de oxigenao suficiente) pr e ps-natal, traumas obsttricos, rubola intra-uterina e outras infeces, encefalite e meningite ps-natal, traumatismo cranioenceflico (TCE), deficincia nutricional e exposio a toxinas.
	Corroborando-se a influncia desses fatores externos no surgimento do comportamento DDA, encontram-se inmeros trabalhos que estabelecem uma correlao bastante significativa entre crianas que tm peso corporal muito baixo ao nascerem e uma probabilidade maior de apresentarem na idade adulta dificuldades atentivas e comportamentais bem marcadas.
	.
VISO MULTIFATORIAL.
Como se pde observar, o conhecimento sobre a origem da sndrome DDA ainda  limitado; por essa razo, deve-se ter a humildade de saber que a chave que abre o funcionamento DDA  e que talvez no seja a nica  seria como uma ferramenta capaz de abrir vrias portas e deixar passar contedos distintos que, misturados, em propores individualizadas, permitiriam a formao das diversas estruturas DDAs.
	Essa viso parece-nos apropriada, uma vez que nenhuma hiptese sobre a origem do funcionamento DDA mostrou-se, por si s, capaz de explicar todos os casos de DDA. Destaca-se ainda o fato de que o estresse provocado por ambientes desestruturados, ou mesmo o aumento de demandas no desempenho pessoal ou social, podem exacerbar em grande escala os sintomas do DDA, bem como fatores estressantes somados podem alterar a bioqumica de um crebro geneticamente predisposto e lev-lo a manifestar, tanto em carter qualitativo como quantitativo, a trade de sintomas a um tal nvel que o indivduo passaria a apresentar o Distrbio do Dficit de Ateno de fato, passando a viver com a influncia cotidiana desse funcionamento. Essa viso abre a possibilidade de se identificar e, consequentemente, ajudar pessoas com sintomas DDA sem histria gentica, bem como prestar orientao quelas que possuem carga gentica, mas que podem no desenvolver a sndrome em funo de viverem em um ambiente bem estruturado. com isso se pode compreender que a gentica no se trata de uma fatalidade, mas sim de uma probabilidade, de fato, das mais importantes. No entanto, sua manifestao sofre influncias externas que podero contribuir para que esta seja favorvel ou desfavorvel  vida do indivduo. Essa compreenso significa uma mudana radical em relao  manifestao gentica da neurobiologia humana. Tudo indica que a bioqumica cerebral possui uma espcie de plasticidade que a torna passvel de mudanas a cada momento vital. Assim sendo, a biologia cerebral que se possui ao nascer (com fortssima carga gentica), pode sofrer alteraes de intensidades variadas em resposta ao ambiente externo. Ou seja, acontecimentos vitais, como traumas fsicos ou psicolgicos muito dolorosos, podem deixar cicatrizes no corpo, na alma e tambm na estrutura funcional da massa cerebral.
	CAPTULO 14 - DIAGNSTICO DO DDA.
	a sabedoria em direcionar sua forma de ser perante as inmeras obrigaes impostas pela vida...
	.
Estabelecer critrios para a identificao de uma pessoa DDA sempre foi um grande desafio enfrentado pela Psiquiatria e a Psicologia. Na realidade, isso ocorre em quase todos os distrbios psiquitricos, uma vez que no se dispe, at o momento, de um teste ou exame especfico que por si s identifique o DDA, nem distrbios incapacitantes como a Esquizofrenia e o Autismo. Na era high-tech da Medicina Nuclear, dos exames computadorizados, dos transplantes e das terapias genticas, as cincias que estudam o crebro e o comportamento humano ainda tm como maior e melhor ferramenta a velha e boa anamnese, que consiste em uma conversa detalhada sobre toda a histria de vida de um indivduo, desde sua gestao at os dias atuais. Surge a a primeira grande dificuldade em se fazer o diagnstico de DDA em adultos, j que, muitas vezes, no  possvel colher dados com seus pais ou com seus cuidadores infantis; resta, apenas, o seu prprio relato que, obviamente, ser deficiente em vrios registros importantes.
	Levando-se em considerao que o Distrbio do Dficit de Ateno, a nosso ver,  muito mais um tipo de funcionamento cerebral diferente do que propriamente um distrbio em si, depara-se com uma problemtica bastante pertinente e, ao mesmo tempo, desafiadora, que  a delimitao da fronteira diagnstica entre o dito normal e o dito DDA. Que criatura neste mundo no se viu envolta em atos desatentos, impulsivos ou mesmo hiperativos? com certeza o mundo no  DDA! As diferenas so sutis tais quais variaes que se encontram nos diversos tons de uma mesma cor ou mesmo na intensidade da luz na transio do final da tarde e incio da noite. Mas uma coisa  certa: o funcionamento mental DDA existe e suas sutis diferenas so, muitas vezes, responsveis por seus grandes talentos e/ou por suas grandes limitaes na vida cotidiana.
	A partir dos detalhes descritos acima, costuma-se afirmar que o melhor critrio para se diagnosticar o DDA  a prpria histria pessoal vista pelos mais diversos ngulos de sua existncia: escolar/profissional, familiar, social e afetiva. A viso global  que nos dar oportunidade de criar, de maneira emprica, porm bastante adequada, o critrio para estabelecer-se a necessidade de tratamento para essa alterao. Um DDA, na realidade, precisa muito mais de um ajuste no seu comportamento do que, na verdade, um tratamento, e o que determina sua necessidade  o desconforto sofrido por ele na sua vivncia diria. Em outras palavras, se um DDA vem sofrendo com seus esquecimentos, desorganizaes, impulsos ou com sua agitao fsica e mental, deve procurar ajuda, visando a estabelecer um equilbrio entre sua forma de ser e as obrigaes e encargos impostos por sua vida, principalmente na fase adulta.
	Podem-se estabelecer assim algumas etapas fundamentais no processo de diagnstico do Distrbio do Dficit de Ateno:.
1a Etapa: Procurar um mdico especializado no assunto para que voc possa expor suas idias sobre a possibilidade de possuir esse tipo de funcionamento comportamental.
	2a Etapa: Relacionar para ele suas dificuldades e desconfortos nas reas profissional/escolar, afetivo-familiar e social, citando exemplos situacionais claros.
	3a Etapa: Verificar se esses problemas o acompanham, desde a infncia,.
4a Etapa: Certificar-se de que suas alteraes se apresentam em um grau (intensidade) significativamente maior, quando comparado a outras pessoas de seu convvio, que se encontram na mesma faixa etria e em condies socioculturais semelhantes.
	5a Etapa: Eliminar a presena de qualquer outra situao mdica ou nomdica que seja capaz de explicar as alteraes apresentadas no seu comportamento, bem como os transtornos que elas lhe causam no dia-a-dia.
	.
COMO FAZER O DIAGNSTICO DO DDA.
Para se realizar o diagnstico do Distrbio do Dficit de Ateno em adultos,  fundamental e imprescindvel detectar as alteraes primrias na histria infantil do indivduo, uma vez que no  possvel que uma pessoa passe a ter DDA na fase adulta da vida. Por essa razo, existe atualmente uma postura de consenso na comunidade mdica em se adotar o sistema americano de diagnstico conhecido pela sigla DSM-IV (Diagnostic and Statistcal Manual of Mental Disorders) da Associao Americana de Psiquiatria, em funo de esta permitir o diagnstico do DDA para adolescentes e adultos, mesmo que estes j no preencham os critrios infantis com a mesma forma ou intensidade ocorridas na fase inicial de suas vidas.
	Para essa situao, o DSM-IV usa o termo, bastante apropriado, de remisso parcial. Assim, os sinais e sintomas listados nessa classificao so os mesmos para crianas, adolescentes e adultos, com a pertinente ressalva de que o colorido (intensidade), encontrado na infncia, apresenta-se menos marcante nas fases mais adiantadas e amadurecidas da vida desses indivduos.
	Esse aspeto de esmaecimento dos sintomas DDA, com o passar do tempo, d-nos a possibilidade de considerar que o distrbio, como  chamado hoje, refere-se muito mais a um funcionamento cerebral/mental alterado e diferenciado do indivduo do que propriamente a uma alterao patolgica preestabelecida, uma vez que a evoluo do DDA segue o mesmo rumo dos indivduos ditos normais, que, do mesmo modo e com o passar do tempo, desenvolvem um controle mais apurado de seus impulsos, de sua ateno e de suas atividades motoras e psquicas. A classificao americana traz ainda outro aspeto bastante elucidativo para a compreenso e o diagnstico do DDA, isto porque destaca o aspeto nuclear desta alterao que d nome  mesma: a desateno, ou melhor, a instabilidade atentiva. Isso ocorreu pela denominao dos subtipos criados nesta classificao. So eles:.
 Tipo Combinado: ocorre quando seis (ou mais) sintomas de desateno esto presentes com seis (ou mais) sintomas de hiperatividade e impulsividade por um perodo mnimo de seis meses. A maioria das crianas e adolescentes enquadra-se nessa categoria.
	 Tipo Predominantemente Desatento: nesse caso temos seis (ou mais) sintomas de desateno com ausncia ou pequena presena (menos de seis) dos sintomas de hiperatividade e impulsividade h pelo menos seis meses.
	 Tipo Predominantemente Hiperativo-impulsivo: ocorre quando seis (ou mais) sintomas de hiperatividade e impulsividade esto presentes entre os sintomas de desateno menos observveis, nos ltimos seis meses.
	Como a subclassificao  feita com base em uma fase da vida de um indivduo (no caso os ltimos seis meses), nada impede que uma mesma pessoa seja enquadrada em mais de um subtipo em determinado momento de sua vida. Isso tem importncia por levar em conta que fases estressantes na vida de um DDA podem lev-lo a exacerbar certos sintomas, em detrimento de outros. Tal fato pode, tambm, ser decisivo no ajuste da terapia medicamentosa e na orientao psicoterpica em um determinado momento atpico na vida de uma pessoa DDA.
	Deve-se destacar ainda que o reconhecimento do subtipo predominantemente desatento veio ajudar na realizao do diagnstico de DDA em mulheres que tenham a sndrome subdiagnosticada em funo de apresentarem, predominantemente, sintomas desatentivos, em detrimento dos sintomas de hiperatividade e impulsividade. Esse aspeto est exposto com mais detalhes no CAPTULO que foi dedicado s mulheres com comportamento DDA.
	O DSM-IV traz  tona ainda um aspeto individual para os portadores de DDA que, em quase 100% dos casos, torna-se o motivo pelo qual o indivduo procura ajuda especializada. Esse aspeto seria a presena de prejuzos e conseqentes transtornos causados pelos sintomas DDA em, pelo menos, duas reas ou contextos vitais de um indivduo: familiar, profissional-escolar ou social.
	A seguir tem-se uma tabela com os critrios diagnsticos para DDA do DSM-IV em sua ntegra:.
	CRITRIOS DIAGNSTICOS PARA TRANSTORNOS DE DFICIT DE ATENO  HIPERATIVIDADE.
	A. Ou (1) ou (2).
(1) Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desateno persistiram por pelo menos seis meses em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nvel de desenvolvimento:.
	DESATENO:.
(a) Freqentemente deixa de prestar ateno a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras.
	(b) com freqncia tem dificuldades para manter a ateno em tarefas ou atividades ldicas.
(c) com freqncia parece no escutar quando lhe dirigem a palavra.
(d) com freqncia no segue instrues e no termina seus deveres escolares, tarefas domsticas ou deveres profissionais (no devido a comportamento de oposio ou incapacidade de compreender instrues).
(e) com freqncia tem dificuldades para organizar tarefas e atividades.
(f) com freqncia evita, antipatiza ou reluta a se envolver em tarefas que exijam esforo mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa).
(g) com freqncia perde coisas necessrias para tarefas ou atividades (por exemplo brinquedos, tarefas escolares, lpis, livros ou outros materiais).
(h)  facilmente distrado por estmulos alheios a tarefa.
(i) com freqncia apresenta esquecimento em atividades dirias.
(2) Seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo menos seis meses em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nvel de desenvolvimento.
	HIPERATIVIDADE.
(a) Freqentemente agita as mos ou os ps e se remexe na cadeira.
(b) Freqentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situaes nas quais se espera que permanea sentado.
(c) Freqentemente corre em demasia, em situaes nas quais isto e  inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensaes subjetivas de inquietao).
(d) Freqentemente tem dificuldades para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer.
(e) Est freqentemente a mil ou muitas vezes age como se estivesse a todo vapor.
(f) Freqentemente fala em demasia.
	IMPULSIVIDADE:.
(g) Freqentemente d respostas precipitadas antes das perguntas terem sido completadas.
	(h) com freqncia tem dificuldade para aguardar sua vez.
	(i) Freqentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo: intromete-se em conversas ou brincadeiras).
	B. Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desateno que causaram prejuzo estavam presentes antes dos sete anos de idade.
	C. Algum prejuzo pelos sintomas est presente em dois ou mais contextos (por exemplo: na escola [ou trabalho] e em casa).
	D. Deve haver claras evidncias de prejuzo clinicamente significativo no funcionamento social, acadmico ou ocupacional.
	E. Os sintomas no ocorrem durante o curso de um Transtorno Invasivo de Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psictico e no so melhores explicados por outro transtorno mental (por exemplo: Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou Transtorno da Personalidade).
	Tipos.
	Tipo Combinado: se tanto critrio A1 quanto critrio A2 so satisfeitos.
durante os ltimos seis meses.
	.
Tipo Predominantemente Desatento: se o critrio A1  satisfeito, mas o critrio A2 no  satisfeito durante os ltimos seis meses.
	.
Tipo Predominantemente Hiperativo-impulsivo: se o critrio A2  satisfeito, mas o critrio A1 no  satisfeito durante os ltimos seis meses.
	Testes psicolgicos tambm podem ser instrumentos teis para auxiliar o processo diagnstico do DDA. Para crianas, um dos mais aceitos e largamente utilizados  o WISC (Wechsler Intelligence Sca/e for Children), teste de inteligncia e execuo, composto de subescalas para habilidades verbais, espaciais, de ateno, entre outras. O WAIS (Wechs/er Adut Intelligence Scale)  um teste de caractersticas semelhantes, desenvolvido para a populao adulta. Os resultados de tais subescalas, quando apresentam determinadas discrepncias, podem fornecer indicativos para o diagnstico do DDA. Existem ainda vrios outros testes e escalas, e as vantagens da aplicao de um ou de outro podem ser avaliadas pelo mdico, psiclogo ou outro profissional habilitado.
	 importante lembrar que tais testes podem apresentar falsos negativos ou falsos positivos. Algumas variveis podem influenciar a disposio do examinando no momento de sua aplicao. Por exemplo, a novidade e a excitao de estar sendo submetido a um teste, aliado ao fato de ser freqentemente uma situao de um-para-um (examinador e examinando), podem levar o examinando a hiperfocar e, assim, elevar os provveis escores que normalmente apresentaria nas subescalas de ateno. Falsos positivos podem ocorrer se, no momento da aplicao, o examinando estiver ansioso, estressado ou apresentando algum transtorno.
	Dessa forma, os testes devem ser aplicados juntamente com outras formas de avaliao e diagnstico. Eles fornecem informaes valiosas e complementares que podem ser bastante teis, embora no possam ser usados como ferramentas centrais para o diagnstico.
	Viver.
	e no ter a vergonha de ser feliz.
	Cantar e cantar e cantar. a beleza de ser um eterno aprendiz.
	Eu sei. que a vida devia ser bem melhor.
	e ser.
	Mas isso no impede que eu repita.  bonita,  bonita e  bonita.
O que  o que  (Gonzaguinha).
	CAPTULO 15 - EM BUSCA DO CONFORTO VITAL  TRATAMENTO DO DFICIT DE ATENO.
	a importncia da individualidade e do conforto social...
	.
Em Psiquiatria, muito mais do que nas outras especialidades mdicas, as discusses sobre os conceitos de causa, doena, sade, cura e tratamento sempre provocaram grandes confrontos de posies que ultrapassaram os limites da cincia mdica e enveredaram por campos diversos como o da filosofia, da poltica e at da religio. Fato completamente justificado por se tratar de uma especialidade que no lida apenas com clulas, tecidos, genes, rgos e enzimas, mas tambm com a enigmtica e complexa mente humana. Os avanos nos estudos do crebro humano tm sido fantsticos nos ltimos anos, no entanto as conseqncias na prtica psiquitrica em si chegam a ser decepcionantes em vrios aspetos.
	Talvez isso venha ocorrendo, porque a divulgao dessa avalanche de novos dados sobre o funcionamento cerebral tenha sido feita de modo a equiparar esse crebro com o funcionamento da mente humana. Obviamente, trata-se de um tipo de instrumento que deve ser utilizado da melhor maneira possvel, mas sem perder de vista a subjetividade comportamental que faz com que a manifestao de uma determinada disfuno cerebral seja diferente em cada pessoa devido aos fatores ambientais em que ela se insere e ao arcabouo e desenvolvimento psicolgico que tenha alcanado, fazendo com que a evoluo, o tratamento e at mesmo a considerao da manifestao como doena sejam bem diferentes em cada caso.
	A estrutura mental tem a capacidade de pensamento, de abstrao, de criao, de comunicao sofisticada, de emoo elaborada e de toda uma srie de caractersticas que tornam o ser humano realmente diferente dos demais seres vivos e ainda ocupe o topo da hierarquia na Terra.  claro que tais capacidades podem ser utilizadas tanto para o bem quanto para o mal, pois assim como o homem tem o poder de construir coisas maravilhosas, tambm possui o maior potencial destruidor entre todos os animais, e, infelizmente, isso tem sido provado dia a dia.
	Assim a Psiquiatria tem a tarefa, ao mesmo tempo nobre e desafiadora, de cuidar deste milagre em ao, que  a mente humana. Seu funcionamento  nico e, na prtica psiquitrica, observa-se claramente a singularidade de cada pessoa que, mesmo apresentando distrbios e sintomatologias semelhantes, podem demandar estratgias de cuidados bem distintas.
	Toda essa explicao  para que fique mais clara a noo da necessidade de o tratamento tornar-se algo que deve ser analisado sob duas grandes vertentes: a do desconforto individual e a do desconforto social, que uma determinada manifestao possa causar  pessoa ou ao ambiente social no qual est inserida, respetivamente.
	No caso do Distrbio do Dficit de Ateno, esta  uma noo bastante interessante a ser considerada, pois se trata de uma descrio clnica relativamente recente que teve demora em ser estabelecida, justamente por ter algumas caractersticas que, por vezes, podem tornar-se positivas em alguns aspetos, apesar de em outros poder causar grandes prejuzos na vida das pessoas que apresentam esse funcionamento mental. Assim, uma caracterstica pode ser considerada patolgica ou no, dependendo da circunstncia em que ocorre ou ainda do meio sociocultural no qual est inserida, podendo resultar em uma atitude adequada ou no. Mas, quando ocorre realmente um inadaptao, muito sofrimento pode ser evitado, caso seja feito o diagnstico e institudo um tratamento assertivo.
	Ao nosso ver, o critrio de tratamento do Distrbio do Dficit de Ateno deve basear-se na dialtica CONFORTO X DESCONFORTO. Assim sendo, os prprios indivduos DDAs devem avaliar se sua forma de viver, pensar ou agir est lhes proporcionando uma existncia confortvel ou no,.
No caso dos adultos, a auto-avaliao torna-se mais fcil por meio da prpria observao advinda das sucessivas frustraes e ou limitaes nos principais setores vitais: social, afetivo-familiar e profissional. Quando se depara com crianas e adolescentes DDAs tem-se que contar com a valiosa ajuda dos pais e/ou cuidadores na descrio de comportamentos que sinalizam grande inadaptao e sofrimento por parte desses pequenos e inquietos seres. No se pode esquecer que todo sofrimento tem sua expresso consciente ou no. No ter conscincia de estar sofrendo no minimiza em nada o sofrimento e as conseqncias advindas desta maneira de viver.
	Por tudo que foi dito, costumamos dividir o tratamento do Distrbio do Dficit de Ateno em quatro grandes etapas: informao, conhecimento e apoio tcnico, medicamentosa e psicoteraputica.
	A seguir cada uma delas ser vista individualmente.  importante salientar que muitos autores incluem o diagnstico como etapa do tratamento do DDA. Isso  bastante compreensvel, uma vez que nesses casos o diagnstico quase sempre vem acompanhado de um carter libertrio que, por si s, produz efeitos teraputicos. Afinal, saber que existe uma explicao cientfica para tantos equvocos, frustraes e at humilhaes , no mnimo, acalentador para uma auto-estima j to abalada. E mais ainda, tomar conscincia que esse comportamento pode ser regulado, tal qual um sofisticado motor na direo de seu melhor rendimento, faz criar na alma DDA o mais potente dos combustveis humanos: a esperana que ressuscita nesses impulsivos criadores a capacidade de acalentar sonhos possveis.
	.
INFORMAO/CONHECIMENTO:.
Saber  poder. O velho e sentencioso ditado nunca esteve to atual como nos tempos globalizados. Afinal, s  possvel optar por uma ajuda adequada atravs do saber advindo do conhecimento adquirido.
	Quanto mais informao e conhecimento tiver sobre o Distrbio do Dficit de Ateno, mais capacitado voc estar para compreender toda a sua histria de vida e para contribuir efetivamente na elaborao de um tratamento que lhe seja mais eficaz e confortvel. Lembre-se de que nenhum tratamento eficiente pode nascer de posturas passivas.  preciso se informar, estudar, debater, trocar idias, experincias, conhecer sobre remdios, terapias, alimentao, esportes e tudo mais que possa contribuir para a melhora e a auto-superao.
	Por isso mesmo, na hora de escolher um mdico ou um terapeuta certifique-se de que possuem profundo conhecimento sobre DDA, o que tornar o dilogo mais fcil e franco. Mais que profissionais de sade, elas estaro ao seu lado no rduo trabalho de construo e reconstruo de sua vida. Tente imaginar que ambos fazem parte de uma grande equipe de Frmula Um que tem como objetivo primordial conseguir que o carro da escuderia (no caso voc) apresente nas pistas (no caso em sua vida) o seu melhor desempenho. Sua mente pode ter um imenso potencial, mas se no for bem regulada pode apresentar resultados muito aqum do esperado. Isso acabar por trazer frustraes na bagagem de sua experincia vital.
	Mais do que enriquecimento cultural, a informao sobre o funcionamento DDA trar conhecimento que o auxiliar na compreenso de como esta sndrome afeta sua vida e a de todos que se encontram a seu redor. Nesse aspeto, estender a informao e o conhecimento aos familiares, amigos, professores, colegas de trabalho e parceiros afetivos s ir contribuir de maneira positiva, uma vez que a convivncia, a partir de ento, ser muito menos desgastante e, com certeza, mais compreensiva e produtiva.
	.
APOIO TCNICO:.
Apoio tcnico pode, em princpio, causar uma impresso errnea de algo burocrtico e complicado que far de sua vida uma grande tormenta. Mas ao contrrio do que possa parecer, o apoio tcnico nada mais  do que um conjunto de pequenas medidas e atitudes que acabam por criar para o DDA uma estrutura externa capaz de facilitar em muito o seu cotidiano.
	Dessa maneira, o apoio tcnico consiste em criar-se uma rotina pessoal que facilite a vida prtica de um DDA e que seja capaz de compensar em parte a sua desorganizao interna. Uma rotina que deve conter aspetos essenciais tais como: estabelecer horrios regulares de maior produtividade, de repouso, de atividades fsicas, de refeies; organizar cronogramas em relao s suas obrigaes, projetos e lazer; criar o hbito de ter uma agenda em que voc anote de vspera o seu dia seguinte e reconfira tudo pela manh antes de iniciar seu dia; ter sempre  mo pequenos blocos e canetas para pequenos lembretes, anotaes e listas.
	No incio, voc poder ter um pouco de dificuldade em seguir uma rotina, mas, em pouco tempo, se tornar um hbito que lhe dar conforto e segurana e, principalmente, impedir que voc se perca em devaneios, aes sem objetivo ou gire em torno do seu prprio eixo sem sair do mesmo lugar.
	Alm de diminuir bastante a ansiedade e a sensao de incapacidade de DDA, uma rotina bem organizada tem ainda a possibilidade de fazer com que talentos sejam desenvolvidos, aperfeioados e expressados de forma concreta.
	Se voc no se sentir capaz de organizar seu apoio tcnico sozinho, pea a ajuda das pessoas que convivem com voc. Elas podero fornecer-lhe informaes sobre seu funcionamento com mais preciso e pertinncia do que voc imagina. Recorra tambm ao seu terapeuta. Apesar de a terapia ter o objetivo principal de construir uma organizao interna, como se ver adiante, muitas vezes,  mais fcil e oportuno comear pela estruturao externa para atingir-se aquele fim.
	.
MEDICAMENTOSA:.
Falar sobre uma teraputica medicamentosa sempre causa polmica, principalmente se a medicao tem a funo de alterar de alguma maneira as funes cerebrais. Durante muitos anos, a sociedade em geral dividia-se em dois grandes blocos em relao a esse assunto. De um lado, as pessoas contrrias ao uso de remdios e, de outro, aquelas que reconheciam a necessidade e a eficcia que o uso de medicamentos podia trazer a certas pessoas. Por mais curioso que possa parecer, as pessoas ditas contrrias ao uso de medicao costumavam auto-intitularem-se naturalistas. Afirmavam que s se deveriam usar remdios naturais. Pois bem, durante todo esse tempo, temos nos questionado sobre o que essas pessoas chamam de natural. Afinal, natural  tudo que vem da natureza, sendo assim, veneno de cobra  natural, bem como os raios solares, no entanto, ambos podem matar em determinadas circunstncias, como podem salvar vidas em outras. Ser que a polmica em torno de natural e no-natural no seria sobre industrializado e no-industrializado? A nosso ver a polmica persiste por pura falta de informao de alguns segmentos da sociedade que sentem-se com autoridade para falar sobre o que desconhecem. Ser que existe autoridade maior que aquela que visa aliviar o sofrimento humano em qualquer uma de suas expresses (fsicas, mentais, materiais, sociais etc.)? Admitimos que o processo de industrializao teve e tem suas distores e efeitos malficos para a sociedade, mas ignor-lo sob seu aspeto positivo  ser radicalmente insensato. Pois foi atravs do processo de industrializao de vacinas que foram erradicadas inmeras doenas que tanto afligiram a humanidade.
	No nos estenderemos mais, uma vez que no  objeto deste livro; no entanto, sentimo-nos na obrigao de destac-lo, pois, freqentemente, crenas e conceitos falsos impedem, at hoje, que milhares de pessoas experimentem uma existncia mais confortvel.
	No se deve esquecer que o sofrimento humano no segue correntes filosficas ou cientficas, apenas busca uma sada que contribua para o seu alvio. Assim, os esforos nesse sentido devem ter carter somatrio, ou seja, reunir todas as condutas teraputicas, visando ao bem-estar de cada indivduo, como o nico e primordial objetivo do processo a que se chama tratamento.
	Sob esse enfoque, o uso de medicamentos no Distrbio do Dficit de Ateno pode e deve ser visto como uma ferramenta a mais na busca de uma melhor qualidade de vida. Tal qual o motor de um automvel que tem seu desempenho melhorado pelo uso de um bom leo lubrificante que diminui o atrito de suas peas, o crebro DDA pode ter seu funcionamento facilitado por meio da medicao, contribuindo para que o indivduo DDA viva de maneira menos desgastante.
	O uso de medicamentos no DDA costuma produzir resultados eficazes na grande maioria dos casos, contribuindo para uma mudana radical na vida dessas pessoas. Para que isso ocorra  fundamental que se definam os sintomas causadores de maior desconforto, em cada caso ou situao, da forma mais objetiva possvel. Isso acontece pelo fato de o DDA ser uma sndrome que pode se apresentar de maneiras diversas, como j foi visto, e ter uma srie de comorbidades que podem acoplar-se ao seu funcionamento basal.
	Definir o que se deseja melhorar no comportamento vital de um DDA  essencial na escolha mais adequada de um medicamento. Por isso, o mdico deve contar com a participao ativa do paciente ou de seus cuidadores (em caso de crianas) para atingir seu objetivo final.
	Consideramos basicamente trs categorias de medicamentos que podem ser usadas no tratamento do DDA: os estimulantes, os antidepressivos e os acessrios. Muitas vezes,  necessria uma combinao para se produzir um efeito adequado. As medicaes so as mesmas para adultos e crianas, a diferena encontra-se na dose utilizada e na combinao adequada para cada caso. A busca da medicao ou combinao medicamentosa eficaz, bem como sua dosagem ideal, podem levar algum tempo para serem estabelecidas, uma vez que no h uma receita-padro que se aplique para todos os casos, como ocorre em determinadas situaes mdicas em que medicaes e dosagens so preestabelecidas. Um bom exemplo  o do uso de antibiticos, em que at o tempo de aplicao da medicao  preconcebido pelos receiturios mdicos. No tratamento do DDA, cada caso deve ser visto de forma individual.  importante ter pacincia nesse processo de busca de um esquema medicamentoso eficaz, j que em 80% dos casos ele  estabelecido e pode ajudar a pessoa a concentrar-se melhor, a reduzir sua ansiedade, irritabilidade, oscilaes de humor e a controlar seus impulsos.
	Sero vistos em primeiro lugar os estimulantes. Entre eles destacam-se a Ritalina (metilfenidato), a Dexedrina (dextroanfetamina) e o Cylert (pemolina). At agora, os estimulantes so os medicamentos mais vastamente pesquisados e receitados para o DDA. Numerosos estudos tm estabelecido a segurana e a eficcia dessas substncias para aliviar os sintomas do DDA. A Ritalina  o mais comum de todos os estimulantes utilizados no tratamento de DDA e, especificamente no Brasil,  o nico entre os estimulantes destacados que se encontra disponvel no mercado farmacutico.
	Pode parecer contraditrio o uso de psicoestimulantes em pessoas que apresentam hiperatividade fsica e mental. No entanto, pode-se observar na prtica clnica que estas substncias nos indivduos com DDA produzem aumentos na concentrao, diminuem a impulsividade e hiperatividade, alm de poder atuar na reduo da ansiedade e na melhoria dos estados depressivos. Ao que tudo indica, os psicoestimulantes atuariam em reas cerebrais que teriam uma ao inibitria sobre o pensamento humano, capacitando, desta maneira, as atividades de planejamento, previso, anlise de conseqncias e ponderao. Se considerarmos que estas reas inibitrias encontram-se menos ativas nos crebros DDA, e que psicoestimulantes so capazes de estimul-las, pode-se compreender, pelo menos em parte, a ao equilibrante que tais substncias exercem no comportamento das pessoas com DDA.
	Os psicoestimulantes, especialmente a Ritalina, ainda so relacionados a concepes equivocadas que dizem respeito a dois aspetos principais: a fama de ter efeito de droga e ao fato de retardar o crescimento de crianas e adolescentes. Quanto ao primeiro aspeto,  relevante esclarecer que esses remdios no causam dependncia, quando usados nas doses receitadas. Alguns estudos recentes sugerem, inclusive, que adolescentes DDA que so apropriadamente tratados ficam menos propensos ao uso abusivo de lcool e outras drogas. Em relao ao retardamento do crescimento, gostaria de citar aqui o estudo de Manuzza, Klein e Bonagura, de 1991, considerado como referncia mundial no assunto, que esclarece que o uso de metilfenidato (Ritalina) est associado apenas a um menor ganho ponderal (peso) e no estatural (altura) como se pensava anteriormente.
	Em relao aos antidepressivos, destacam-se a desipramina (Norpramin), a imipramina (Tofranil), a venlafaxina (Efexor), a bupropiona (Zyban), a fluoxetina (Prozac), a sertralina (Zoloft) e a paroxetina (Aropax).
	Entre os antidepressivos utilizados no tratamento do DDA, a desipramina  o mais comumente usado pelos especialistas, pois  o antidepressivo mais pesquisado com esse objetivo. Alm disso, o seu uso teraputico em DDAs revelou efeitos semelhantes aos obtidos com os estimulantes sobre os sintomas-alvo desta sndrome (ateno, impulsividade e hiperatividade). A desipramina tem a vantagem de poder ser tomada em uma nica dose diria, o que no ocorre com os estimulantes. Seus efeitos teraputicos costumam aparecer em, aproximadamente, 15 dias, aps o incio de seu uso e, em geral mostram-se eficazes com baixas posologias (10-30 mg/dia), o que reduz muito qualquer possibilidade de efeitos colaterais indesejveis (boca seca, queda de presso e discreta reteno urinria).
	A combinao de baixas doses da desipramina e metilfenidato costuma funcionar muito bem e tem a grande vantagem de evitar que se utilizem doses mais elevadas de uma ou de outra medicao. Esse fato  de extrema importncia, uma vez que consideramos a teraputica medicamentosa do DDA um processo regido pela seguinte regra bsica: menores doses com maior eficcia.
	O uso dos demais antidepressivos, com exceo da desipramina, causa efeitos teraputicos menos especficos sobre os sintomas-alvo do DDA, sendo suas indicaes mais pertinentes quando nos deparamos com ansiedade, depresso e outros quadros comrbidos associados ao DDA. A nossa prtica clnica nos tem levado a estabelecer uma relao bastante interessante entre substncia antidepressiva, quadros comrbidos de DDA e eficcia teraputica: oertraima: tem se mostrado bastante eficaz nos quadros depressivos, pnico, fobias, ansiedade, sintomas obsessivo-compulsivos, irritabilidade, agressividade e hipersensibilidade emocional.
	 Paroxetina: ao significativa em estados depressivos, pnico e fobias.
	 Fluoxetina: ao antidepressiva, principalmente em crianas e adultos jovens. Sua eficcia tambm  expressiva em transtornos alimentares, tenso pr-menstrual, hipersensibilidade emocional, irritabilidade e sintomas obsessivo-compulsivos.
	 Bupropriona: atualmente  o antidepressivo mais utilizado em adolescentes DDA com sintomas depressivos associados  intensa impulsividade, agressividade, irritabilidade e drogadico (cigarro, lcool, cocana ou maconha).
	 Venlafaxina: ao eficiente em quadros depressivos, de ansiedade, de transtornos alimentares e em casos de uso/abuso de cocana.
	 importante salientar que os efeitos colaterais dos antidepressivos utilizados para DDA costumam ser muito discretos. Isso ocorre pelo fato de, em geral, trabalhar-se com doses menores que as usualmente utilizadas em quadros depressivos de pacientes no-DDA. Doses elevadas dessas medicaes em um indivduo com comportamento DDA costumam produzir, alm de efeitos colaterais desconfortveis, quadros de intensa ansiedade e angstia. Por isso, deve-se permanecer atento com as doses medicamentosas individualizadas, a fim de que possam ser to eficazes quanto confortveis.
	E, por ltimo, deve-se destacar o que resolvemos denominar medicaes acessrias. Usamos esse termo para designar substncias que no tm uso muito freqente no tratamento do DDA ou de suas comorbidades, mas que podem ser usadas em duas circunstncias especficas:.
1. Para amenizar efeitos colaterais da medicao principal, como no caso dos psicoestimulantes em doses mais elevadas que podem causar muita irritabilidade, insnia ou sintomas fsicos em forma de taquicardia, sudorese ou diarria. Nesses casos, os betabloqueadores (como propranolol) podem ser associados para reverter esses efeitos.
	2. Para tratar certos aspetos isolados que no obtiveram melhora com a medicao principal. Nesse caso, a medicao principal trouxe muitos benefcios sem efeitos colaterais, mas no foi capaz de amenizar pequenos e importantes detalhes comportamentais tais como: acessos de raiva ou fria, agitao fsica, intensa instabilidade de humor, ansiedade e insnia. Podemos ento destacar a associao eficaz de algumas substncias tais como: ltio, cido valprico, carbamazepina, nadolol, propranolol, clonazepan e clonidina.
	Antes de encerrar a parte do tratamento referente ao uso de medicaes no DDA, gostaramos de enfatizar alguns aspetos que consideramos fundamentais:.
 Se voc tem funcionamento DDA claro e ele provoca comprometimentos em sua vida social, profissional ou particular, a teraputica farmacolgica deve ser tentada, pois, para a maioria absoluta das pessoas com DDA, a medicao tem apresentado resultados extremamente teis. Apenas em uma pequena minoria, aproximadamente 5 a 10%, as medicaes tm se mostrado ineficazes.
	 A medicao, por si s, no constitui todo o tratamento do DDA.  apenas mais uma etapa no processo global de tornar a vida das pessoas mais confortvel e produtiva. A etapa medicamentosa  um complemento til e, muitas vezes, poderoso, mas jamais deve ser considerada isoladamente na complexa engrenagem de qualificar o cotidiano de um DDA.
	 O uso de qualquer medicao deve ter a orientao e acompanhamento de um mdico especializado, com quem voc tenha toda a liberdade e acesso para esclarecer dvidas, obter informaes atualizadas e compreender a ao e os efeitos que as medicaes possam estar lhe ocasionando em todos os seus aspetos.
	 Crie uma disposio positiva em relao  sua medicao. Afinal, ela vem somar esforos no sentido de melhorar sua vida. Se voc no colaborar, ser impossvel encontrar sua medicao mais adequada e na dose ideal. Lembre-se de que voc e a medicao esto jogando no mesmo time.
	 No tome nenhuma deciso de interromper o tratamento sem a orientao de seu mdico.  comum que voc se sinta muito bem e pense erroneamente: No preciso mais de remdios, estou timo. Isso poder transformar a sua vida em uma gangorra existencial: Sinto-me mal, tomo remdios; sinto-me bem, no tomo os remdios... e assim, sucessivamente. No se permita viver assim,  necessrio o mnimo de estabilidade emocional na vida para que se possa viver bem.
	Para que voc no esquea de tomar seus remdios de forma correta, estabelea um ritual dirio em relao a eles. Associe-os com coisas do seu cotidiano: refeies, horrios de chegada ou sada do trabalho, hora de acordar ou dormir etc.
	 Se voc faz parte da pequena parcela de pessoas (5-10%) para as quais as medicaes no so eficazes ou no podem ser utilizadas por outros motivos clnicos, lembre-se de que as etapas no medicamentosas do tratamento ainda podem trazer grandes benefcios. Nesses casos, a psicoterapia torna-se fundamental na medida em que fornece orientao, apoio e busca de solues para as diversas dificuldades enfrentadas pelas pessoas com comportamento DDA.
	.
PSICOTERAPIA:.
Normalmente, a imagem do terapeuta que mergulha fundo no passado e na infncia de seu paciente, esperando encontrar as respostas e causas dos males que o afligem no presente,  a figura mais comum e sedimentada no imaginrio popular para representar o processo de tratamento da psicoterapia. No entanto, em nossa experincia, temos tido a oportunidade de observar que no  esse o procedimento mais adequado para os pacientes DDAs.
	 bvio que os DDAs, como toda e qualquer pessoa, sofrem com problemas de fundo emocional, passaram por experincias significativas durante a infncia e em famlia, e conservam suas marcas por toda a vida. Mas, quando se pensa nas causas ou origens das dificuldades de um DDA, incluindo a no s baixa auto-estima, como tambm problemas prticos, como desorganizao, no se pode jamais esquecer que a origem  biolgica. H um substrato biolgico que determina o funcionamento mental DDA e que est indiretamente por trs da maioria dos problemas emocionais das pessoas com DDA.
	Podemos citar vrios casos em que DDAs padecem sob o peso de uma crnica baixa auto-estima. Certamente que a maior parte deles desenvolveu essa auto-imagem negativa em conseqncia de anos de crtica e incompreenso por parte de familiares, professores e pessoas de convivncia prxima. Mas, mesmo que tivessem tido a sorte de contar com um ambiente familiar e educacional favorvel e incentivador, ainda assim  iriam enfrentar dificuldades com sua tendncia  distrao, aos esquecimentos,  impulsividade e  desorganizao caracterstica do DDA. Em suma, em algum momento iriam desenvolver uma desagradvel autopercepo de inadequao e incapacidade. Principalmente no momento em que, j adultos, precisaro agir por conta prpria e assumir responsabilidades crescentes.
	Em sntese, acreditamos que psicoterapias voltadas para a busca de insight e discusso de vivncias infantis no promovem o alvio do desconforto nem a estruturao de que um DDA necessita.  necessrio que a psicoterapia para casos de DDA seja diretiva, objetiva, estruturada e orientada a metas. Uma abordagem psicoterpica dotada dessas caractersticas, e que consideramos, particularmente til para o DDA, alm de vrios outros transtornos,  a chamada terapia cognitivo-comportamental (TCC).
	Esta abordagem psicoterpica caracteriza-se pela busca de mudanas nos afetos e comportamentos por meio da chamada reestruturao cognitiva, isto , substituir crenas, pensamentos e formas de interpretar as situaes, que sejam negativistas e disfuncionais, por outras formas de pensar e perceber o mundo menos depressognicas/ansiognicas e mais baseadas na realidade. Alm disso, o paciente tambm  instrudo a realizar tarefas de casa e planeja com o terapeuta um conjunto de atividades que incluem, desde enfrentamentos graduais de situaes, que ele se considera incapaz de realizar, at o estabelecimento de uma agenda que estruture rotinas de atividades que proporcionem prazer e satisfao. Assim, resumidamente, o paciente, alm de ser educado sobre seu problema, tambm  instrudo a mudar comportamentos e formas de interpretar e perceber situaes que sejam irrealistas e desadaptativas e que estejam contribuindo para manter ou agravar seu problema, ou mesmo deflagradoras de seu transtorno.
	.
Principais focos da terapia.
 claro que os objetivos e o desenrolar do processo psicoteraputico podero variar de paciente para paciente. Afinal, mesmo pessoas que partilham de um mesmo transtorno, diferem entre si, quanto  sua histria de vida, experincias, aprendizagens, ambiente e a forma como vem o mundo.
	Cabe ao terapeuta estabelecer uma relao de confiana e cooperao com o paciente e, juntos, estabelecerem as metas da terapia. O terapeuta deve ser flexvel o bastante para adaptar as tcnicas psicoterpicas ao seu paciente, sem jamais deixar de perseguir os objetivos estabelecidos para o tratamento em funo das necessidades e demandas dele e s especificidades de seu transtorno.
	Assim sendo, para casos de DDA, alguns focos especficos para interveno j podem ser previamente delineados, embora a forma e o ritmo com que esses focos sero abordados sejam cuidadosamente adaptados pelo terapeuta a cada paciente.
	De uma maneira geral, o terapeuta cognitivo-comportamental ir trabalhar com treino em soluo de problemas, treino em habilidades sociais, relaxamento, estabelecimento de agendas de atividades rotineiras e de objetivos e reestruturao de formas de pensar e lidar com problemas que podem estar sendo prejudiciais.
	Os treinos em soluo de problemas e em habilidades sociais visam minimizar os comportamentos impulsivos que estejam influenciando negativamente em suas relaes sociais e em seus afazeres cotidianos. O treino em soluo de problemas  particularmente importante para aqueles DDAs que sejam intensamente ansiosos e que fiquem desorientados diante do surgimento de algum problema, real ou imaginrio. Esta tcnica consiste em treinar o paciente DDA a identificar claramente um problema, gerar diversas solues possveis e escolher a que lhe parecer mais adequada. O resultado ser objetivamente discutido com o terapeuta mais tarde. Assim, o paciente DDA habitua-se a ponderar cuidadosamente, em vez de reagir impulsivamente sem ter avaliado antes as possveis conseqncias. Um objetivo importante seria aumentar o nvel de tolerncia  frustrao. Outro impacto positivo seria o de minimizar a tpica ruminao ansiosa na qual os DDAs mergulham, quando precisam cumprir algo ou resolver determinado problema. Deixar-se tomar pela expetativa ansiosa, em vez de estabelecer possveis solues, pode deixar o DDA paralisado, ou adiando a resoluo do problema, o que far a ansiedade crescer cada vez mais e mais. J o treino em habilidades sociais tem como objetivo melhorar a qualidade das interaes sociais de um DDA, minimizando o impacto de atitudes e falas impulsivas e irrefletidas que criam dificuldades nos relacionamentos. Mais uma vez, o DDA  instrudo a planejar, passo a passo, formas de abordar e resolver problemas de interao, alm de tentar compreender o ponto de vista dos outros e no interpretar precipitadamente suas atitudes e intenes. Obviamente, isso inclui o treinamento em assertividade, que consiste em defender seus prprios pontos de vista e direitos de forma respeitosa e ponderada. A ansiedade e o senso de inadequao que acompanham o DDA podem faz-lo ora engolir sapos, ora reagir explosivamente. Para no engolir o sapo, no  necessrio darlhe pauladas. Da mesma forma, para no dar pauladas no sapo, tambm no deve se obrigar a engoli-lo.  possvel seguir o caminho do meio.
	O treino em relaxamento tambm  direcionado para minimizar o impacto da ansiedade e de suas manifestaes somticas, como taquicardia, tenso muscular, tremores e outras sensaes desagradveis. Ele inclui reeducao da respirao, da postura e o aprendizado de alguma tcnica de relaxamento a ser empregada com regularidade.
	Um componente da terapia, especialmente importante para pacientes DDAs, refere-se ao estabelecimento de uma agenda de atividades semanais em que sejam definidos horrios fixos para a realizao de tarefas especficas, assim como momentos de lazer que devem incluir exerccios fsicos ou a prtica de algum esporte. Os exerccios fsicos so fundamentais para o manejo do estresse. Neste ponto, pode-se tentar estabelecer tambm uma reeducao alimentar, por meio da diminuio da ingesto de substncias prejudiciais, como a cafena. O estabelecimento de agendas cumpre a funo de estruturar as tarefas e atividades de um DDA, de modo a impedir que se enrede em sua prpria desorganizao e fique pulando de uma atividade inacabada para outra. Os efeitos benficos mostram-se tanto em um aumento de produtividade como em um aumento no senso de autodomnio experimentado pelo paciente DDA. A falta de organizao e estruturao, aliada  ansiedade, podem causar no DDA a sensao de serem como baratas tontas, equilibrando-se em uma corda bamba. Ele no sabe se vai, se volta e acaba parado no mesmo lugar, sem resolver o problema, e em crescente ansiedade.
	Horrios e atividades estabelecidos ajudam a diminuir o senso de caos interno e externo. Uma funo muito importante, a ser cumprida pelo terapeuta, consiste em incentivar o paciente a manter essa agenda depois de estabelecida.
	A etapa de reestruturao cognitiva  um dos pilares da terapia. Trata-se da reestruturao das formas de pensar, interpretar os eventos e o modo como o indivduo v a si mesmo. Para um DDA isso  extremamente importante, pois, como temos pontuado ao longo deste livro, sua auto-estima costuma ser bastante baixa e ele tende a enxergar a si prprio como incompetente ou inadequado, e o mundo como um ambiente ameaador e punitivo. Ora, tais crenas tm efeitos nefastos na vida de qualquer pessoa e, principalmente, na de um DDA, pois sabe-se que eles geralmente tm um nvel de energia e iniciativa muito grande, contudo subaproveitado, quando o indivduo funciona sob a influncia dessas crenas to auto-desvalorizantes.
	Desse modo, o terapeuta investiga quais pensamentos e crenas so estas e passa a examinar sua veracidade e funcionalidade com base em dados reais. Muitas vezes, o paciente est to corrodo por sua baixa auto-estima que, simplesmente, no enxerga evidncias bvias de sua competncia e de seu valor como ser humano. O DDA tende a focar-se nos aspetos negativos de qualquer situao, desconsiderando todo o resto, que muitas vezes, pode ser mais freqente e significativo. Os aspetos positivos esto l, mas o julgamento obnubilado do DDA s permite antever os pontos negativos. Muitas vezes, tais pontos escuros podem no serto escuros assim. Podem ser cinzentos ou at mesmo claros como gua, mas a instabilidade emocional e o julgamento prejudicado do DDA no o permitem vislumbrar isso, seno com muito esforo. O terapeuta busca conduzir o DDA, por meio de questionamentos e descoberta guiada, a concluses mais acertadas de si mesmo, no to carregadas de matizes emocionais. Apresenta argumentos racionais e baseados em evidncias, e leva o paciente a ponderar cuidadosamente sobre sua forma de pensar e interpretar os eventos. Como exemplo podemos citar o caso de um DDA, intensamente ansioso, que desmoronava sempre que seu gerente reclamava de algum procedimento no trabalho. Essas ocasies bastavam para estragar todo o resto de sua semana pois eram interpretadas por ele como sinais claros de sua incompetncia e de como era malquisto por seu superior. A terapeuta questiona, ento, o que significa para ele ser criticado: Significa que sou incompetente, que esto questionando meu trabalho. Perguntado pela terapeuta com que freqncia o gerente costumava interpel-lo, revelou que normalmente era uma vez na semana e nem todas as semanas. A terapeuta, percebendo que ele estava focando-se em um fato no to freqente e significativo, o interpela sobre o que significaria a ausncia de reclamaes, durante todos os outros dias. O paciente acaba concluindo, surpreso; Que ele est satisfeito com meu trabalho....
	Assim, o terapeuta precisa saber conduzir o paciente DDA, baseado em evidncias concretas, a reformular alguns conceitos negativos de si mesmo, que acabam levando-o sempre a interpretar as situaes como mais perigosas e ameaadoras do que so na realidade, trazendo, consequentemente, um grau de sofrimento significativamente desproporcional aos problemas enfrentados em seu cotidiano.
	Subiu a construo como se fosse mquina.
	ergueu no patamar quatro paredes slidas.
	tijolo com tijolo num desenho mgico.
	seus olhos embotados de cimento e lgrima.
	sentou pra descansar como se fosse sbado.
	comeu feijo com arroz como se fosse um prncipe.
	Construo .
(Chico Buarque).
	CAPTULO 16 - MERCADO DE TRABALHO DO FUTURO E OS DDAS.
	transformando sonhos em realidade: o novo mercado de trabalho e o destaque para as potencialidades criativas...
	.
Estamos ensaiando os primeiros passos do sculo XXI e muitas transformaes j ocorreram, esto ocorrendo ou esto por vir.
	Dentre as mudanas mais significativas, que estamos testemunhando, podemos destacar as modificaes no mercado de trabalho e as expetativas lanadas sobre o papel do novo trabalhador.
	Talvez a grande maioria da populao mundial no esteja atenta para o fato de que neste exato momento estamos vivenciando uma verdadeira revoluo no trabalho, sem precedentes, e que a globalizao da economia tem sido o grande combustvel a alimentar e acelerar todo esse complexo mecanismo. Os modos de produo taylorista e fordista vivem seus estertores. A imagem da fbrica cinzenta com seus operrios executando tarefas repetitivas e alienantes, ao longo de uma esteira rolante, em uma linha de produo fatigante e massiva, cujo sucesso dependia em parte da velocidade de seus executores e do nmero de horas trabalhadas, comea a adquirir em nossas mentes aquela tonalidade pastel com que, normalmente, costumamos tingir nossas lembranas mais remotas.
	Vivemos uma era de transio de uma economia de produo para uma economia de servios. Isso significa dizer que o nmero de trabalhadores intelectuais, que prestam servios, vem superando, a cada momento, o nmero de trabalhadores do setor industrial e agrcola. So estes os setores responsveis pela mecanizao, caracterizados pelo trabalho braal de toda uma poca da economia mundial, a qual designamos de sociedade industrial.
	O trabalho mecnico vem sendo mais e mais substitudo por aqueles maquinrios tecnolgicos e natimortos que aprendemos a chamar de robs. Colocando  parte as polemicas suscitadas por seu advento e o desemprego que tem causado nesta fase de reestruturao dos modos de produo, devemos chamar a ateno para o fato de que o homem comea agora a se libertar do trabalho sem significao, sem inspirao e amor que, caso assim no fosse, poderia ser executado por mquinas programadas.
	Caminhamos a passos largos para uma sociedade onde observamos o crescimento sustentado de uma camada de trabalhadores, advinda principalmente de uma classe mdia bastante heterognea, na qual encontramos artistas, produtores agrcolas no-latifundirios, pequenos e mdios empreendedores e, principalmente, intelectuais com capacitao tcnica (advogados, mdicos, economistas). Para essa camada, o poder reside no saber e no naquilo que possuem, pois o saber advm no apenas do ensino formal, mas tambm daquele que surge das superaes das dificuldades enfrentadas no cotidiano, e que faz do homem simples um grande sbio.
	H quem chame esta nova etapa da economia mundial de sociedade ps-industrial. Uma era em que a maioria dos trabalhadores no ter mais que lidar com produtos materiais oriundos de sua produtividade, como ocorria no interior das grandes fbricas ou fazendas. O resultado final dessa nova forma de produzir  a informao e o conhecimento originados de idias imateriais.
	Os postos de trabalho, criados de agora em diante exigiro que as pessoas pensem, criem, se inspirem, se emocionem, raciocinem, opinem, discordem, se apaixonem, detestem; enfim, que tenham um trabalho verdadeiramente humano, que s pode ser concebido pelos que possuem mentes e coraes, cognies e sentimentos.
	Tal trabalho no depende, necessariamente, do nmero de horas trabalhadas e, muito menos, do esforo fsico empregado. Ele depende da inteligncia  seja racional, emocional ou social  e da intuio, qualidades que, por mais que o homem tente, jamais conseguir conceder a qualquer mquina. Esse trabalho no precisar de mo-de-obra, mas sim de mentes, coraes e, tambm, de mos talentosas, integradas em um ser humano completo e nico, que, finalmente, poder ver significao em seu trabalho e crescer com ele.
	Dessa maneira, podemos antever que as pessoas criativas tendero a ter papel mais expressivo e determinante no mercado de trabalho dos tempos ps-industriais.
	Nesse panorama que vemos desenrolar-se, quais so os papis que podem estar reservados quelas pessoas que esto descritas neste livro  os DDAs ?.
J podemos imaginar o que um trabalho repetitivo e montono faz a um DDA. Tarefas pr-organizadas e preestabelecidas, das quais no se pode desviar um milmetro, acabam por minar o que um DDA tem de mais precioso a oferecer: a sua criatividade. E no s esta, mas tambm seu entusiasmo, sua energia e, at mesmo, parte de sua alegria de viver. Assim como em outros setores da vida, um trabalho que pode ser caracterizado como repetitivo e sem novidades no  apropriado para algum que tenha um funcionamento DDA.
	Por outro lado, a nova forma de se pensar o trabalho, que est em gestao, cai como uma luva para um profissional DDA.
	No pretendemos afirmar, entretanto, que uma pessoa DDA seja o tipo de profissional talhado para esse mercado de trabalho futuro. Pessoas no-DDA podem ser to adequadas quanto as DDA.
	O que queremos dizer  que esse  o cenrio em que os DDAs podero sentir-se  vontade, como jamais se sentiram antes, no estilo antigo de trabalho. Esse  o momento em que os DDAs podero mostrar o que tm de melhor e deixar para trs a poca em que eram chamados de desorganizados, esquecidos, estabanados, indisciplinados e tantos outros adjetivos negativos pelo fato de no serem to adaptveis s funes burocrticas.
	At ento, pessoas DDAs adaptavam-se especialmente bem s atividades ligadas  arte: interpretao, composio, dramaturgia, dana, canto, poesia, msica, literatura etc.  fcil entender o porqu: no trabalho artstico, pode-se criar e inovar; no precisa se ater necessariamente a horrios, rotinas, regras rgidas e todas as outras exigncias de outros tipos de trabalho.
	Nas carreiras artsticas, o DDA podia dar livre curso  imaginao e  criatividade e, assim, florescia o que ele tinha de melhor. Da podemos entender a grande incidncia de artistas que so DDA.  a mxima que se confirma a pessoa certa no lugar certo.
	No entanto, com a necessidade cada vez maior de criatividade e inventividade em outras carreiras, pessoas DDAs passaro tambm a se destacar no mercado de trabalho comum e perdero a pecha de bagunceiros que fazem de sua prpria mesa um quebra-cabea de papis e memorandos, difcil de ser decifrado.
	Um exemplo de tal cenrio j est em gestao no mercado nascente da internet. Empresas ligadas  grande rede,  implementao de projetos, criao e design de sites, jogos e softwares geralmente apresentam uma caracterstica de informalidade em seu ambiente de trabalho. Vestimentas no to formais, liberdade de locomoo, horrios mais flexveis e um ambiente que tente prover ao mximo o bem-estar e a sensao de estar em casa, tm sido a tnica nestas empresas, mesmo aps as recentes crises envolvendo a economia da internet, derivadas, principalmente, da tentativa de tornar a grande rede uma espcie de shopping virtual, esquecendo-se da sua potencialidade como meio de comunicao, difusor de cultura, entretenimento e arte.
	O ar puro, que comea a invadir o futuro mercado, envolver, sedutoramente, profissionais das mais diversas reas, vidos por se sentirem valorizados e livres de preconceitos. Sero atrados pelo espao que tero para respirar, sonhar e criar.
	Cabe, no entanto, lembrar aos fiscais da natureza e aos viajantes de planto que no se trata de uma oficializao de suas desocupaes. Estamos falando de criar, plantar e colher frutos e, para tanto,  necessrio manter um sistema de organizao.
	No caso especfico do DDA, assim como imaginamos o que um trabalho repetitivo e montono sugere ao seu esprito, podemos vislumbr-lo no extremo oposto: pairando no ar, sem local de pouso; muitas idias brilhantes e nenhum projeto pronto.
	Por isso, ressaltamos a grande importncia do DDA saber-se DDA, sendo este um dos mais relevantes motivos que nos levaram a escrever sobre tal assunto. Como j foi apontado anteriormente, o DDA costuma ter a auto-estima minada, por se sentir um peixe fora dgua.
	Conhecer e entender o prprio comportamento  fundamental para uma mudana de perspetiva que possibilite um redirecionamento em sua vida.  importante ao DDA aceitar o seu modo de ser e acreditar sinceramente em seus talentos, transformando, assim, potencialidades criativas em atos criativos. Ele tem que adquirir confiana para buscar seu espao nesse novo sistema de trabalho, pois, para bem adaptar-se a essa viagem ao futuro,  preciso levar na bagagem, junto com a criatividade, a coragem e a perseverana; a coragem de errar e continuar tentando.  necessrio que tenha um ideal firme e que creia no seu prprio sonho para torn-lo real.
	E, para tanto, um DDA precisa persistir nessa empreitada com a curiosidade da criana e a paixo do adolescente; a determinao do adulto e a confiana serena da maturidade.
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	SOBRE A AUTORA.
	Ana Beatriz Barbosa Silva, mdica formada pela UERJ, com ps-graduao em Psiquiatria pela UFRJ e especializao em Medicina do Comportamento pela Universidade de Chicago, Estados Unidos,  conhecida por seu trabalho sobre tipos de personalidades, comportamento e funcionamento mental, tendo realizado inmeras palestras e conferncias sobre o tema para empresas particulares e estatais.
	Diretora mdica do Napades (Ncleo de Medicina do Comportamento), criou o SIP (Servio de .Informao  Populao) e o SAN (Servio Assistencial Napades), onde coordena pesquisas clnicas ligadas ao comportamento.
	Membro da Academia de Cincias de Nova York, participa do Programa da Organizao das Naes Unidas para Desenvolvimento no Brasil (PNDU Brasil), prestando apoio mdico e psicoteraputico no projeto de melhoria de desempenho de jovens com talentos especiais e dificuldades profissionais ou sociais.
	Consultora de sade mental e comportamento em diversos segmentos da mdia, em revistas, rdio e televiso.
	Para informaes, convites para palestras, conferncias e consultas: Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva napades.
Ncleo de Medicina do Comportamento.
Rua General Venncio Flores, 305 / si 605-606 - Leblon - Rio de Janeiro.
Tels : (21) 2512 2242 / 2512 4544 -Tel./ Fax: (21) 2259 5451.
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